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    Qual o melhor tipo de rolha?

    Elas podem ser de cortiça, materiais sintéticos ou com rosca. Saiba mais sobre cada variedade

    por MC

    De um lado temos o ritual da abertura da garrafa de vinho com um sacarrolhas que, para muitos, completa o deleite proporcionado pelo néctar de Baco. De outro lado temos o risco de anticlímax de abrir um vinho estragado por problemas na rolha.

    Nos últimos anos, o debate tem sido intenso em torno do modo ideal de vedar as garrafas e dos problemas que envolvem a rolha de cortiça. O tema é importante, pois o modo de tampar o recipiente influi muito na qualidade final do produto.

    A seguir, vamos falar sobre os tipos de rolhas e as vantagens e desvantagens de seu uso.

    Porque a cortiça?
    Garrafas de vidro são usadas para armazenar vinho desde os tempos do Império Romano. Este tipo de receptáculo, contudo, só viria a se tornar o padrão a partir do século XVII e, com ele, o uso da rolha de cortiça foi adotado. As qualidades naturais da rolha de cortiça são muitas: elasticidade, aderência, longevidade e permeabilidade.

    O que é TCA?
    Só recentemente, com o aperfeiçoamento das rolhas sintéticas e das tampas de rosca, a cortiça começou a ser ameaçada em seu posto de vedante ideal para as garrafas de vinho. O motivo da busca de novas maneiras de tapar os recipientes tem sido o TCA (tricloroanisol), um defeito que ocorre nas rolhas de cortiça. Vinhos atacados pelo TCA são chamados popularmente de "bouchonné" (em francês), "corked" (inglês), "con corcho" (espanhol), ou simplesmente "com rolha", em Portugal. No Brasil a expressão mais usada é a francesa: "está bouchonné" (lê-se "buxonê").

    O TCA é uma substância química volátil liberada pela cortiça quando esta é atacada por um fungo que provoca aromas desagradáveis de mofo no vinho. Fala-se que, hoje, de 2 a 5% dos vinhos vedados com rolhas de cortiça sofrem problemas causados pelo TCA (Este número é controverso. Em provas pessoais, nos cerca de 5 mil fermentados testados por ano, não encontro mais que 1% de TCA).

    Como é feita a rolha de cortiça?
    A cortiça vem da casca do carvalho da espécie Quercus suber, ou Sobreiro, muito comum no sul de Portugal. Um sobreiro demora 25 anos para dar sua primeira "safra" e depois, a cada nove anos, sua casca de cortiça pode ser retirada novamente. Ao retirar-se esta parte do sobreiro, numera-se cada árvore com o último algarismo do ano corrente. Assim, um sobreiro "colhido" em 2009, terá o número nove pintado em seu caule. Com isso, a paisagem das planícies do Alentejo, repletas de árvores numeradas, é, ao mesmo tempo, linda e inusitada.

    Atualmente, os produtores de rolhas de cortiça estão trabalhando para melhorar seu produto e reduzir a incidência de TCA. São implementados controles de qualidade para livrar a matéria-prima de contaminação e, além disso, as qualidades naturais da cortiça são enfatizadas, como importância econômica para as comunidades rurais e para o equilíbrio dos ecossistemas dos quais fazem parte, por exemplo.

    Os tipos de rolha de cortiça
    Rolha maciça - Feita de cortiça maciça, é a de melhor qualidade. Quanto mais longa, larga e elástica ela for, melhor. Uma rolha grande pode ter 55 mm de comprimento e 25 mm de diâmetro. Enquanto isso, uma pequena tem 30 x 15 mm, por exemplo. O diâmetro da boca da garrafa é sempre menor que o da rolha, que é colocada comprimida por uma máquina, para que fique firme e vede bem o recipiente. Uma rolha considerada "top" pode custar mais de um euro a unidade.

    Rolha de aglomerado de cortiça - A mais barata. Feita de cortiça moída e cola, a partir da sobra da elaboração das rolhas maciças. Difere da maciça da mesma forma que uma madeira maciça se compara a uma madeira de aglomerado. Sua elasticidade e durabilidade são menores que a de uma maciça (e seu tamanho por vezes também). Em alguns casos, a cola destas rolhas pode passar aromas negativos ao vinho, o que motivou alguns produtores a adicionarem um disco de cortiça maciça na parte da rolha que fica em contato com o líquido.

    Rolha de champagne - É feita de duas partes, em forma de cogumelo. A parte de cima, a cabeça do cogumelo, é propositalmente feita de aglomerado bastante rígido, sem elasticidade, para que se possa segurar e sacar a rolha com as mãos ou um alicate apropriado. A parte de baixo, que fica dentro do gargalo da garrafa, é de rolha maciça e elástica, para vedar a garrafa e proteger o liquido.

    Vedantes alternativos mais comuns
    Rolha sintética - Estas chegaram ao mercado no início dos anos 1990 causando espanto (e, às vezes, revolta) em consumidores tradicionalistas. Este tipo de rolha oferece vantagens e desvantagens em relação às de cortiça. Elas são mais baratas, permitem que o vinho seja guardado de pé, podem ser coloridas e, o principal, não transmitem o TCA. Como desvantagens estão o lado estético (para os tradicionalistas) e o fato de sua durabilidade não ser comprovada. Normalmente usa-se este tipo em fermentados de menor preço e com uma expectativa de vida de menos de cinco anos. Cerca de 20% das garrafas de vinho é vedada com rolhas sintéticas.

    Tampa de Rosca - Conhecida como "screwcap", este tipo de vedante vem sendo pesquisado para uso em vinhos na Austrália desde os anos 1960 e há tempos é usado com sucesso em vários tipos de bebida (cerveja, sucos, água mineral etc). Trata-se de uma tampa metálica de rosca coberta internamente por um plástico inerte.Como vantagens trazem seu baixo custo, são fácil manuseio (dispensa o uso saca rolhas), com elas a garrafa pode ficar de pé, são recicláveis, livres de TCA e funcionam perfeitamente para fermentados jovens. Sua longevidade, contudo, não está comprovada para uso em produtos de guarda, embora já seja bastante aceita sua grande eficiência em vinhos brancos e de consumo jovem em geral. Este tipo de vedante é adotado por novos produtores a cada ano e é a grande tendência deste mercado. Atualmente cerca de 15% de todas as garrafas comercializadas no mundo possuem tampa de rosca. Estima-se que, em 2009, mais de 3 bilhões de recipientes de vinho serão vedados desta maneira.

    O tema ainda é polêmico e a discussão está longe de alcançar um consenso, já que só o tempo dirá qual o método mais seguro e longevo de vedar essa bebida milenar.

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