Revista ADEGA

Avestruz, uma afinidade de ancestral com vinho

A carne macia e magra, de sabor intenso, foi provada pelos convidados de ADEGA junto de rótulos do Velho e Novo Mundo

Marcelo Copello Geraldo Garcia em 2 de Abril de 2008 às 06:25

Geraldo Garcia
Os pratos “Carpaccio de Avestruz” e “Picanha de Avestruz” acompanhados pelos vinhos da noite

Muitos esquecem que o vinho é mais antigo que Roma e mais antigo que a Grécia antiga. A lenda de Dionísio, deus grego do vinho, nos conta que em sua juventude ele aprendeu a fazer vinho em uma viagem ao Egito. Lá o deus do vinho era Osíris, uma das deidades mais vetustas e populares do Egito, que representava a força da terra e das plantas. Osíris usava uma coroa branca com duas plumas de avestruz, ave nobre e rara, que na Líbia era símbolo de soberania e no cristianismo da virgindade.

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Assim, neste Enogourmet, comprovamos uma afinidade milenar, a do vinho com a avestruz. Essa é a maior espécie viva de ave, originária da África e do Sudoeste da Ásia. A avestruz fêmea pesa entre 90 e 130kg atingindo 2 metros de altura. Um macho pode chegar a 155kg e 2,7 metros. O ovo de avestruz tem cerca de 20 cm de comprimento e pesa entre 1,2 kg e 1,8 kg. Já provei uma omelete de um único desses ovos que serviu dez pessoas. Mas o que nos interessa é sua carne, escura, com textura macia, muito magra e de sabor intenso. Em comparação com a carne bovina, possui 60% menos calorias, 92% menos gorduras e 25% menos colesterol.

O local e os convidados
Para reviver este casamento ancestral fomos ao D´Amici (Rua Antonio Vieira, 18 – Leme - Rio de Janeiro tel.: 2541-4477). Enquanto adjetivamos a comida de outras casas como “criativa”, “inovadora” ou “clássica”, a do D´Amici é, em maiúsculas, GOSTOSA, e disso bem sabem os que lotam suas mesas todas as noites.

Em volta da mesa e das dezenas de taças, nossos ilustres convidados foram: O casal Maria de Lurdes e Fernando Chinaglia Leta – empresário, Lula Vieira – publicitário e notório apreciador de vinhos, Eduardo Alves – editor do site Mapa-Mundi, e Marcos Bittencourt – diretor de ADEGA e veterano de muitos Enogourmets.

As escolhas dos pratos
De sabor intenso, a carne de avestruz carece de muitos temperos e molhos, e sua textura magra prefere o mínimo de cozimento e é dada a preparos semi-crus ou mal passados. Os pratos campeões dessa ave são o carpaccio e a picanha fatiada e mal passada. O primeiro foi temperado com azeite e lascas de queijo tipo grana padano, para ganhar um pouco de untuosidade, algumas gotas de limão para lhe dar acidez, tomilho (para o aporte de aromas de ervas) e pimenta do reino (para o perfil de especiarias). A picanha, foi grelhada mal passada, depois fatiada e coberta com manteiga de ervas e escoltada com batata rostie.

fotos: Geraldo Garcia

A prática
“Carpaccio de Avestruz”

Neste primeiro “set”, na prova dos três vinhos antes da chegada do prato, o Gevrey Chambertin de Sylvie Esmonin foi unânime o vinho predileto, por sua elegância e complexidade. Com a chegada do Carpaccio as escolhas concentraram- se no vinho mais encorpado e frutado. O Vetus, escolha do Marcos, Eduardo e Lula foi, assim, declarado campeão. As dissidências foram Fernando que preferiu o Xisto, que lhe parecia madeirado demais antes do prato, mas com a comida foi, para ele, o melhor. Maria de Lurdes e eu não abrimos mão da sedução da uva Pinot Noir e secamos as taças de Borgonha com o Carpaccio.

“Picanha de Avestruz”
A picanha estava untuosa e amanteigada e a carne muito macia. Aqui houve quase uma unanimidade. Antes e depois do prato o Shiraz australiano foi o que teve mais fãs. Fernando, Marcos, Eduardo e Lula ficaram bem surpreendidos com o caldo tinto e denso da terra dos cangurus. Enquanto isso a ala feminina em minoria, ficou solitária em sua preferência. Maria de Lurdes achou o Nebbiolo o vinho mais ao nível de sabor do prato e com maior afinidade com o perfil da receita. Eu, por minha vez, curvei-me à realeza do grande Bordeaux de Pomerol, e para justificar meu voto mostrei à todos que esse foi o primeiro vinho a acabar nas taças. Todos ficaram encantados com o impacto do australiano, mas o que beberam de verdade, sem repararem, foi o Bordeaux...

Este Enogourmet foi só “correr pro abraço”, já que a carne de avestruz combina muito bem com tintos em geral, ainda mais com vinhos de alta categoria como os selecionados. Todos os vinhos foram muito bem com os pratos. O desafio foi apenas, dentre grandes vinhos, ver qual, no momento da “sintonia fina”, à luz do gosto de cada um, seria o escolhido.

Confira a avaliação completa dos vinhos na seção CAVE


Enogourmet

Artigo publicado nesta revista


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