• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Oscilações perigosas

    Como a temperatura afeta o envelhecimento do vinho

    Vários fatores podem afetar o tempo de guarda de um vinho, mas o verdadeiro cuidado deve ser com a temperatura

    por Arnaldo Grizzo

    oscilações
    O perigo de armazenar vinhos na temperatura errada

    Imagine a seguinte situação. Você e um amigo compram duas garrafas do mesmo vinho e decidem envelhecê-lo por 10 anos para só depois disso desfrutarem dele. Cada um leva sua garrafa para sua adega em casa. Passada uma década, vocês novamente se encontram para degustar o vinho. De repente, você percebe que a garrafa de seu amigo está menos evoluída do que a sua. O que aconteceu?

    Há regras básicas a serem observadas quando queremos envelhecer um vinho e, no fundo, todo mundo já as conhece. Basta o lugar ser escuro, úmido, com baixa temperatura e sem vibrações, certo? Sim, os conceitos são fundamentalmente esses. Então, você pode ponderar o que pode ter feito de errado.

    Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube

    Se, assim como na casa de seu amigo, suas garrafas ficam em local escuro, úmido e sem vibrações, a resposta provavelmente está na temperatura de armazenamento. É nesse quesito que estão as maiores controvérsias e também os maiores perigos quando se trata de envelhecer vinhos.

    Senso comum?

    Se perguntarmos a um europeu qual a temperatura ideal para o armazenamento de vinhos, ele, sem titubear, vai afirmar: entre 11ºC e 13ºC. Para eles, é fácil dizer isso, pois boa parte de suas caves subterrâneas mantêm-se nessa faixa durante todo o ano, não importando a estação.

    E por que isso sempre foi senso comum – assim como a ideia de que boeuf bourguignon combina com um Pinot Noir da Borgonha – há poucos questionamentos. Todavia, diferentemente da sugestão de harmonização – que podemos provar empiricamente –, essa “temperatura ideal” ainda não tem boa base científica.

    LEIA TAMBÉM: Como a temperatura de fermentação determina o estilo do vinho?

    Poucos se comprometeram verdadeiramente em estudar os efeitos das oscilações de temperatura nos vinhos e, convenhamos, há ainda um agravante quase tão grande quanto a questão do tempo para tentar fundamentar essa pesquisa: o que seria uma evolução boa ou ruim dos compostos da bebida? Em que ponto evolutivo eles são bons, e a partir de quando eles se tornam desagradáveis?

    Fator de reação

    No entanto, deixando a subjetividade de lado, um pesquisador da Universidade da Califórnia, Alexander Pandell, resolveu focar-se apenas nas reações químicas e elaborou um trabalho, em 1996, que deixou de cabelo em pé aqueles enófilos que ainda guardam suas garrafas no armário debaixo da escada. Também um amante de vinhos, o cientista se baseou somente em princípios químicos para mostrar como a temperatura afeta a evolução da bebida.

    oscilações
    Temperaturas muito elevadas, mesmo que por períodos relativamente curtos, também podem levar a reações desagradáveis nos vinhos

    Em sua tese, Pandell começa com a consagrada frase: “Alta temperatura é prejudicial ao vinho.” Porém, ele explica a razão. “Envelhecer uma garrafa de vinho é o resultado de muitas mudanças químicas (reações) que ocorrem ao longo do tempo. Cada uma dessas reações ocorre em uma determinada velocidade, ou taxa, e cada reação é afetada de forma diferente por mudanças de temperatura, porque cada uma tem um fator de energia único, ou barreira de energia natural, o ‘obstáculo’ que deve ser superado (‘pulado’) para a reação ocorrer”, escreve.

    LEIA TAMBÉM: Qual a temperatura ideal para o vinho laranja?

    Assumindo que a temperatura ideal seja 13ºC, Pandell calculou os efeitos da elevação de temperatura sobre o aumento da velocidade do envelhecimento. “Esses cálculos são feitos assumindo duas barreiras de energia diferentes para que ocorra a reação (de baixa e alta energia) e três mudanças de temperatura diferentes: 13° a 15°C, 13° a 23°C e 13° a 33°C.

    Ao determinar os limites baixos e altos para a barreira de energia, pode-se ter certeza de que a verdadeira barreira de reação encontra-se entre esses dois extremos. Depois de examinar reações semelhantes às que ocorrem no vinho durante o envelhecimento (por exemplo, oxidação, redução, esterificação etc.), estou convencido de que a barreira de reação verdadeira fica mais perto da barreira de energia mais alta do que da mais baixa”, aponta o cientista, que, desse modo, criou uma tabela em que mostra o efeito das oscilações de temperatura na taxa de envelhecimento do vinho.

    Como a temperatura pode afetar a taxa de envelhecimento do vinho

    Mudança de temperaturaAumento da taxa de envelhecimento de acordo com as barreiras de reação
    De13ºC
    13ºC
    13ºC
    A15ºC
    23ºC
    33ºC
    Baixa1,2
    2,1
    4,1
    Alta1,5
    8
    56,1

    Para ficar mais simples de entender, ele segue em sua explicação: “Por exemplo, uma variação de temperatura de 13° a 15°C mostra um aumento na taxa de envelhecimento de 1,2 vez na barreira de energia baixa, e um aumento de 1,5 vez na barreira de energia alta.

    LEIA TAMBÉM: A temperatura correta no decanter

    Pode-se concluir, a partir desses cálculos, que o aumento da taxa de envelhecimento para esta variação de temperatura situa-se entre 1,2 e 1,5 vez. Isso significa que, se sua adega está em 15°C, seu vinho envelhece de 1,2 a 1,5 vez mais rápido do que se fosse em 13°C”, aponta.

    oscilações
    Dependendo da temperatura, seus vinhos podem evoluir até 56 vezes mais rápido do que o normal. Portanto, uma adega com temperatura baixa e constante é essencial

    Lembrando que Pandell afirmou ser a barreira de energia alta a mais verdadeira quando se trata de vinho, pensando friamente (sem trocadilhos), um vinho guardado por 15 anos em uma adega a 13ºC equivaleria a um envelhecido por 10 com temperatura de 15ºC. Até aí, você pode dizer: nada demais. Contudo, a tabela de Pandell (no box acima) revela que, sob temperaturas mais altas, o cenário não é dos mais animadores.

    Segundo ele, um aumento de 10ºC (de 13º a 23ºC) duplica a taxa de reação nos compostos químicos de barreira de energia baixa. Mas, se o vinho tem uma barreira de energia alta, a taxa de reação se multiplica por oito. Em outras palavras: guardadas a 23ºC, suas garrafas envelhecerão de duas a oito vezes mais rápido do que se estivessem a 13ºC.

    LEIA TAMBÉM: Vinho envenenado pode ter matado Alexandre, o Grande

    Ou seja, em três anos, elas podem equivaler a vinhos guardados por até 24 anos. Quer ir mais longe? De acordo com os dados de Pandell, diante de uma temperatura de 33ºC, os fatores de reação vão de 4,1 a 56 vezes. Traduzindo: um mês sob escaldantes 33ºC pode equivaler a 18 anos de um mesmo vinho em uma adega com os costumeiros 13ºC.

    Calor nada bom

    Em sua tese, o professor da Universidade da Califórnia diz ainda que, além do envelhecimento precoce, outra preocupação que se deve ter em relação às temperaturas elevadas são as reações químicas indesejáveis que podem causar na bebida.

    “Acho que isso é tão importante quanto acelerar as mudanças que têm um efeito desejável no buquê de um vinho à medida que ele envelhece. Se essas reações indesejáveis têm altas barreiras de reação, o que é muito provável, então, ao longo de um período de envelhecimento moderado para um vinho tinto de qualidade, digamos, 15 anos mantido a 13°C, pouca reação ocorreu e o vinho foi relativamente pouco afetado. Mas, se a temperatura de armazenamento é de 23°C, as reações indesejáveis terão ocorrido 8 vezes mais rapidamente, o que significa que as mesmas reações ocorreram em menos de 2 anos. Outra forma de dizer isso é que 15 anos a 23°C equivalem a 120 anos (8 x 15 anos) a 13°C”, diz.

    LEIA TAMBÉM: Vinho à noite pode ajudar no sono?

    Pandell revela ainda que temperaturas muito elevadas, mesmo que por períodos relativamente curtos, também podem levar a reações desagradáveis. “Isso prevalece em temperaturas acima de 33ºC”, diz.

    “Temperaturas excessivamente elevadas, durante várias horas, certamente terão um efeito prejudicial sobre a química de um vinho com a produção de sabores indesejáveis resultantes da oxidação e de outras reações indesejáveis, cujas taxas foram dramaticamente aumentadas pela temperatura mais elevada. Não vai importar a temperatura de sua adega se, em algum lugar ao longo da linha de distribuição do vinho, ele foi cozido”, completa.

    espumante na geladeira

    Diante disso, você pode se perguntar: “Por que então não guardar um vinho a menos de 10ºC já que, em temperaturas mais baixas, as reações ocorrem mais lentamente?” Segundo o cientista, essa faixa pode ser baixa demais para o “ciclo de vida humano”, ou seja, os vinhos não evoluiriam em uma taxa razoável para que você pudesse aproveitar enquanto vivo.

    LEIA TAMBÉM: Conheça e aprenda a identificar os defeitos do vinho estragado

    Fora isso, ele diz: “Uma vez que o envelhecimento harmonioso do vinho se deve a muitas reações químicas diferentes, que ocorrem de forma natural e orquestrada, temperaturas mais baixas podem diminuir algumas reações a ponto de elas não contribuírem para sabores desejáveis e, portanto, a evolução do vinho fica fora de sincronia. Seria interessante realizar pesquisas sobre isso, mas a linha de tempo necessária vai além da maioria dos seres humanos”.

    Por fim, Pandell dá uma dica valiosa para conservar vinhos abertos: a geladeira. “Se você precisa manter uma garrafa aberta por alguns dias, o melhor lugar para armazená-la é sua geladeira, que geralmente tem temperatura de cerca de 5°C. As reações químicas que levam à deterioração (redução-oxidação, principalmente) serão retardadas por um fator de 6 a 16 vezes comparado com o armazenamento à temperatura ambiente. Portanto, um vinho deve durar de 6 a 16 vezes mais na geladeira”, finaliza.

    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    Temperatura do vinhoadega climatizadaConservação de vinhosComo armazenar vinhosvinho oxidadovinhos e temperaturareações químicas no vinhovinhos tintos envelhecidosvinhos brancos envelhecidosenvelhecimento do vinho

    Notícias relacionadas

    Ilustração

    Gengibre pode substituir sulfitos no vinho?

    Sua Majestade é formalmente recebida no Vintners' Hall pelo Mestre Vinicultor Richard Wilson MBE DL VR e pelo ex-Prefeito de Londres, o Primeiro-Ministro Vereador Sir Andrew Parmley - Vintners’ Company

    Rainha Camilla reforça ligação histórica com o vinho

    Ilustração para queda nas vendas

    Gigante do vinho registra prejuízo e suspende dividendos

    Ilustração para mosca no vinhedo

    Mosca invasora preocupa vinhedos da Inglaterra

    Ilustração da uva Carignan

    Carignan: origem, história e protagonismo no Chile

    Imagem Chardonnay x Sauvignon Blanc: as rainhas brancas

    Chardonnay x Sauvignon Blanc: as rainhas brancas

    Comemoração na chegada

    Correr entre vinhedos — e transformar a prova em viagem

    Imagem Dionísio: vinho, mitologia e a origem do Carnaval

    Dionísio: vinho, mitologia e a origem do Carnaval

    Alexandre, o Grande, teria morrido envenenado por planta que causa vômito

    Vinho envenenado pode ter causado morte de Alexandre, o Grande

    O que você precisa saber sobre a bebida milenar

    Sete curiosidades históricas sobre o vinho

    Tour pela França

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    Croácia se promove como destino para enoturismo
    1

    Croácia se promove como destino para enoturismo

    Gigante do vinho registra prejuízo e suspende dividendos
    2

    Gigante do vinho registra prejuízo e suspende dividendos

    Cidade do Vinho vai custar 63 milhões de euros e ficará pronta em 2016
    3

    Cidade do Vinho vai custar 63 milhões de euros e ficará pronta em 2016

    Após mistério, Pol Roger será o Champanhe oficial do Casamento Real britânico
    4

    Após mistério, Pol Roger será o Champanhe oficial do Casamento Real britânico

    O paradoxo francês
    5

    O paradoxo francês

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group