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    O segredo das vinhas centenárias de Apalta

    Andrea León, enóloga da Lapostolle, revela como terroir, tempo e precisão moldam os vinhos chilenos

    Andrea León

    por Christian Burgos

    Fundada em 1994 pela herdeira da Grand Marnier, Alexandra Marnier Lapostolle, e seu marido, Cyril de Bournet, a Lapostolle, e suas vinhas centenárias de Cabernet Sauvignon pré-filoxera, acabou por produzir vinhos que a colocaram a região de Apalta no mapa da vitivinicultura mundial. Desde 2004, Andrea León faz parte do grupo que atualmente se chama Domaine Bournet-Lapostolle, que inclui a Lapostolle, Clos Apalta e Clos du Lican. Formada em biologia agrícola e enologia, com passagens por diversos países antes de retornar ao Chile, agora Andrea lidera a gerência técnica de todo o grupo.

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    Andrea combina rigor técnico, sensibilidade artística e profundo conhecimento do terroir de Apalta. Sua filosofia de vinificação, inspirada na tradição francesa, mas fiel à identidade chilena, é uma vertente do grupo.

    Em entrevista exclusiva durante sua visita ao Brasil, Andrea compartilha sua trajetória, explica as particularidades geológicas e climáticas de Apalta, reflete sobre as transformações no mercado do vinho e revela como mantém a excelência em um dos projetos vitivinícolas mais relevantes da América do Sul. Confira.

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    Para começar, conte-nos um pouco sobre a Lapostolle.

    A Lapostolle é uma vinícola de origem chilena, mas propriedade de uma família francesa com sete gerações dedicadas a fazer vinhos de alta gama e também licores. Era a família proprietária da Grand Marnier. Em 1994 fundaram no Chile a Viña Lapostolle. Fazemos vinhos hoje no Vale de Apalta, que é um vale muito pequeno dentro da grande denominação do Vale de Colchagua. É um vale muito especial com características únicas que nos permite esta grande diversidade em fazer vinhos de distintos estilos e tipos. Hoje temos a Lapostolle e também a Clos Apalta, onde fazemos vinhos principalmente com variedades bordalesas, mas também algumas variedades do Rhône e algumas outras coisas especiais.

    LEIA TAMBÉM: ADEGA entrevista Angelo Gaja e Giovanni Gaja

    Vale de Apalta

    O Vale de Apalta tem uma formação geológica muito particular, não? Tem uma formação como se fosse uma ferradura ou um anfiteatro...

    Nós estamos na entrada do vale, com orientação leste, voltados para o sul dos morros de Apalta, que é a parte mais fria do vale, um pouco mais sombreada, com mais água – algo muito importante hoje nas condições de seca que temos no Chile. É um vale que está efetivamente em forma de anfiteatro, com esses morros olhando para o sul, cortado por um rio que se chama Tinguiririca. São não mais de 800 hectares de vinhedos plantados, com bosque nativo e solo coluvial de granito com um pouco de leito de rio. E temos o privilégio de ter vinhedos muito antigos também em Apalta.

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    Quais são os vinhedos mais antigos que vocês têm?

    Na Parcela 8 temos um Cabernet Sauvignon de vinhas plantadas em 1907, que são das vinhas mais antigas do Chile e do mundo. Foi esse vinhedo que a família viu e os convenceu de que esse era o lugar onde poderiam fazer grandes vinhos.

    Como é a condução desse vinhedo centenário?

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    É em espaldeira com alta densidade. As vinhas antigas, como se trabalhava com cavalos, estão bastante juntas – são 5.000 a 5.400 plantas por hectare. É uma espaldeira não tão alta, na parte mais plana do vale, num solo que nós chamamos de maicillo no Chile, que é uma areia bastante grossa, profunda. Há muito boa penetração e as raízes podem explorar muito o perfil. E há água um pouco livre durante o inverno. Então as vinhas antigas não as regamos, são vinhas de sequeiro, o que também é muito especial. Temos ao redor de 50 hectares, principalmente Cabernet, Carménère, também alguns brancos, Sémillon, que temos o privilégio de trabalhar e são orgânicos. Manejamos nosso vinhedo de forma orgânica.

    Vale de Alpata
    “Busca-se cada vez precisão num grande vinho. Não é uma tendência, está além disso, é interpretar a vindima que vem, é o desafio de cada ano e buscar cada vez mais precisão nos distintos lotes e ir fazendo esse blend ano a ano”

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    E depois vocês começaram a subir para os morros?

    Tradicionalmente no Chile se plantava no baixo, na parte plana, onde era mais fácil. Ao redor dos anos 1990 começamos a plantar em ladeira, que é como uma segunda etapa da viticultura da Lapostolle. Temos o vinhedo antigo, depois vinhedo em pé de monte, e agora realmente temos alguns vinhedos muito inclinados, de 15% de inclinação, que podem ter 200 metros ou mais de diferença entre o plano e o morro.

    O perfil de solo muda completamente?

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    É diferente. Há lugares em que muda muito, lugares em que é mais parecido. Depende muito do que há na rocha-mãe, que exposição tem a rocha e qual é o nível de erosão. Porque todo esse material desce com a chuva e também com os terremotos e tremores, que há muito no Chile – embora não os sintamos todos os dias, há algum movimento. Então esse material vai descendo para o vale e, dependendo um pouco da exposição à chuva, ao vento, desce mais ou não. O bosque que temos ali tem um papel fundamental em manter esse material no morro, prover matéria orgânica.

    Os anos 1990 foram um período de evolução ou renascimento da viticultura chilena, não?

    Exatamente. Foi quando se incorporaram tanques de tecnologia, controle de temperatura, variedades brancas e tintas. Passamos do que era um vinho tinto, um branco, para um Cabernet, um Merlot. O Carménère foi redescoberto também. Foi um período muito dinâmico, com bastante investimento estrangeiro. Chegaram várias famílias de fora ao Chile nessa época. O país se abriu definitivamente um pouco às exportações também. Nesse sentido se plantaram vinhedos. Nós plantamos principalmente a pé-franco, ou seja, sem porta-enxerto. Hoje temos um mix. Usamos porta-enxerto, que é a raiz específica, sobretudo para resistência à seca ou alguns nematoides, coisas assim, mas coisas pontuais. Mas temos viticultura muito patrimonial no sentido de seleção massal a pé-franco até material clonal sobre porta-enxerto. Temos de tudo. O que melhor se adapta ao lugar é o que fazemos, e gostamos de fazer muitos ensaios, provar.

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    Assista a entrevista completa com Andrea León e descubra os segredos de Lapostolle e do terroir de Apalta:

    Confira os vinhos de Lapostolle avaliados por ADEGA: 

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