• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Passando pela França e pela Itália

    Moscatéis mediterrâneos, da Espanha à Grécia

    Descubra a riqueza dos vinhos mediterrâneos elaborados com a uva moscatel e marcados pela cor dourada e perfume intenso

    por Euclides Penedo Borges

    Malaga
    Málaga é uma região famosa pela produção de Moscateis - Divulgação


    Sobremesas doces à base de nozes e avelãs, pudins e tortas com frutas cristalizadas. Qual é o vinho que você escolheria para acompanhá-las? Certamente um moscatel, doce e aromático, estaria entre suas opções.

    A Moscatel é uma uva branca, de aroma floral e penetrante, quase um perfume que, curiosamente, permanece no vinho após a fermentação, o que é uma raridade. A maior parte dos países vinícolas tem pelo menos uma variedade de uva Moscatel originando vinhos de sobremesa populares, em locais de verões quentes e secos, com solos calcários, como os encontrados na costa mediterrânea, que vai do sul da Espanha às ilhas gregas.

    Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube

    Nessa área ocorrem três clones da Moscatel: o de menor tamanho, conhecido como Moscatel Pequeno (ou Muscat à Petits Grains); o intermediário padrão Moscatel de Alexandria; e o Moscatel Grande (ou Moscato Grosso), conhecido como Zibibbo, na Sicília.

    Espanha
    O Moscatel de Valência não é um vinho na acepção da palavra, mas uma 'mistela

    Na Espanha... entre Málaga e Valência

    A cidade de Málaga, na costa andaluza, tem forte apelo turístico. Até os anos 1980, a estrela da costa espanhola era o Moscatel de Málaga. É obtido com mosto não prensado, de cor âmbar, medianamente doce, com graduação alcoólica entre 14 e 20%. A partir da década de 1990, o Moscatel de Málaga perdeu posição no mercado, e alguns produtores fecharam as portas. Ainda é uma delícia de vinho doce para as 'malagueñas' e para os turistas que abarrotam a cidade no verão.

    Mais ao norte, a meio caminho entre Málaga e Barcelona, a cidade portuária de Valência tem seu nome ligado a uma região vinícola do interior. Moscatéis doces de cor ouro velho, com teores entre 14 e 18%, são elaborados na região por várias cooperativas. Porém, o Moscatel de Valência não é um vinho na acepção da palavra, mas uma 'mistela', obtida pela adição de aguardente vínica ao mosto fresco de uvas Moscatel de Alexandria.

    LEIA TAMBÉM: A diversidade da Moscatel

    Barricas
    Os Muscat de Rivesaltes apresentam aromas florais e frutados, lembrando Moscatel, cítricos e mel

    Na França os vinhos doces naturais

    A costa mediterrânea francesa apresenta os vins doux naturels, assim chamados para diferenciá-los dos botritizados, como os do tipo Sauternes, e dos fortificados, como os do tipo Porto. Ocorrem no Roussillon, perto da fronteira com a Espanha, e no Languedoc, entre as cidades de Perpignan e Narbonne.

    No Roussillon, encontra-se Rivesaltes, com a maior extensão de cultivo de Moscatel de Alexandria entre as áreas aqui citadas. São quase 5.000 hectares de terrenos acidentados, com solos xistosos, secos e magros. Os Muscat de Rivesaltes apresentam aromas florais e frutados, lembrando Moscatel, cítricos e mel. São vinhos delicados, para serem consumidos no seu primeiro ano e que enfrentam galhardamente um Roquefort.

    No Languedoc, a variedade predominante é o Muscat à Petits Grains, entre os quais estão os vinhos de Frontignan, Mireval, Lunel e Saint-Jean-de-Minervois, todos recomendados para consumo dentro de dois anos após a safra. Acompanham uma gama de sobremesas como o melão bem maduro, bolos de chocolate e tortas de frutas cítricas.

    LEIA TAMBÉM: Moscatel de Setúbal. Conheça esse vinho tão especial

    O Muscat de Frontignan, ocupando 800 hectares de terrenos com pedregulhos calcários sobre base argilosa, é um vinho licoroso, rico e dourado, com aromas de tília e mel, aliados ao caráter 'muscat'.

    O Muscat de Mireval, cultivado em uma área com menos de 400 hectares, tem os mesmos pedregulhos calcários de Frontignan, seu vizinho. Trata-se de um vinho licoroso, dourado, com nuances de mel, frutas natalinas como damasco e figo secos, além de moscatel.

    O Muscat de Lunel tem a mesma área de Mireval, com as argilas vermelhas e os pedregulhos característicos de várias comunas vizinhas. É um moscatel de grande finesse, equilibrado e perfumado, com aromas de passas e flores, elaborado nas cooperativas de Lunel.

    LEIA TAMBÉM: 10 rótulos de Moscatéis Espumantes produzidos no Brasil para você perder o preconceito

    O Muscat de Saint-Jean-de-Minervois está situado mais para o interior, próximo a Carcassonne, e não ocupa mais do que 150 hectares de terrenos calcários com xistos. Trata-se de um vinho licoroso, fino e vivo, com aromas florais, mélicos e cítricos, elaborado na Cave Cooperative local.

    Foto:Fabio Gambina
    A ilha mediterrânea de Pantelleria, onde a Moscatel é chamada de Zibibbo, é considerado um dos melhores brancos doces de tota a Itália

    No Sul da Itália

    "A Itália permanece no centro da praça da civilização como uma fonte barroca jorrando continuamente vinhos de todas as cores e tipos." A expressiva frase de Hugh Johnson nos diz bem sobre a multiplicidade dos vinhos italianos. O país é pródigo em vinhos doces. Somente em torno da Sicília encontramos quatro moscati dignos de menção: Siracusa, Noto, Villa Fontane e Pantelleria.

    A pequena ilha mediterrânea de Pantelleria, onde a Moscatel é chamada de Zibibbo, orgulha-se de dois moscatéis lendários elaborados com uvas secas ao ar livre. O Moscato di Pantelleria, um dos melhores brancos doces italianos, equilibrado, persistente, com graduação entre 15 e 16%. E o Passito di Pantelleria, amadurecido por seis meses em carvalho e por mais oito ou dez em garrafa, concentrado em aromas, com álcool mínimo de 14%. Haja Gorgonzola...

    LEIA TAMBÉM: Estudo destaca benefícios do vinho em missões ao espaço

    Moscatéis gregos no continente e nas ilhas

    Após ingressar na Comunidade Europeia nos anos 1980, a Grécia esmerou-se em adotar métodos franceses de vinificação, depois de séculos de isolamento no mundo dos vinhos. Ainda que a Grécia continental tenha exemplares de moscatéis - como é o caso do Moscatel de Patras, feito no estilo do Beaumes de Venise francês - os famosos moscatéis gregos doces fortificados, de caráter tradicional, são provenientes das ilhas gregas.

    O mais afamado é o Moscatel de Samos, com sua gama de estilos, desde o suave até o extremamente açucarado, elaborados com uvas passificadas. A versão intermediária do Moscatel de Samos tem o mesmo caráter do vin doux naturel francês.

    Mais ao norte, na ilha de Lemnos, são elaborados moscatéis doces diversos, incluindo um especial: o Moscatek de Lemnos resinoso, vinificado ao estilo do Retsina, ou seja, com adição de resina de pinheiro ao mosto em fermentação. O travo amargo da resina no vinho, entretanto, é somente para o paladar de iniciados. Estou fora!

    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    MoscatelVinho de sobremesaVinhos docesmoscatel italianomoscatel francêsmoscatel de Valênciavinhos licorososmoscatel de Samosmoscatel de Pantelleriamoscatel gregomoscatel de Málaga

    Notícias relacionadas

    Imagem Como um erro mudou a história dos vinhos de colheita tardia

    Como um erro mudou a história dos vinhos de colheita tardia

    Foi da rixa entre as cidades de Florença e Siena que nasceu a lenda do galo negro, símbolo do Chianti

    Como a discórdia entre duas cidades fez do gallo nero o símbolo do Chianti

    Vinho está presente em diversos rituais religiosos em especial no Cristianismo - Dall-E

    Qual o significado do vinho na Bíblia?

    Ilustração

    Taça coupe: mito de Maria Antonieta ou Pompadour?

    Imagem VÍDEO! O erro que criou os vinhos de colheita tardia

    VÍDEO! O erro que criou os vinhos de colheita tardia

    Imagem VÍDEO! Napoleão e o Champagne: como uma amizade fez história

    VÍDEO! Napoleão e o Champagne: como uma amizade fez história

    Imagem VÍDEO! O papel dos monges na história do vinho

    VÍDEO! O papel dos monges na história do vinho

    Imagem Chianti: a história, as lendas e a evolução do vinho mais famoso da Toscana

    Chianti: a história, as lendas e a evolução do vinho mais famoso da Toscana

    Imagem A história do vinho no Brasil: da colônia à viticultura moderna

    A história do vinho no Brasil: da colônia à viticultura moderna

    A lenda em torno do Sangue de Boi nasceu durante o cerco otomano à cidade em 1552

    Sangue de boi ou vinho de guerra? A fascinante história do Egri Bikavér

    Château d'Yquem

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    A trajetória de Ed Motta até a preferência pelos vinhos da Borgonha
    1

    A trajetória de Ed Motta até a preferência pelos vinhos da Borgonha

    Tabela de safras: veja quais anos se destacaram nas principais regiões vitivinícolas do mundo
    2

    Tabela de safras: veja quais anos se destacaram nas principais regiões vitivinícolas do mundo

    Geada histórica ameaça safra de vinhos na Hungria
    3

    Geada histórica ameaça safra de vinhos na Hungria

    Moscato: a uva por trás dos vinhos mais aromáticos
    4

    Moscato: a uva por trás dos vinhos mais aromáticos

    Vinho argentino acelera plano global de expansão
    5

    Vinho argentino acelera plano global de expansão

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group