Um guia completo para combinar vinhos e queijos com equilíbrio
por Carlos Cordeiro

Produto com mais de quatro mil anos de história, profundamente ligado ao terroir e ao saber artesanal, o queijo reúne diversidade suficiente para tornar quase infinita a experiência à mesa. Da escolha do leite ao processo de maturação, passando pelo trabalho do queijeiro e do affineur, cada etapa influencia diretamente o perfil sensorial do produto final.
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A afinidade entre vinhos e queijos não é casual. Ambos compartilham origem agrícola, forte identidade regional e ampla variação de estilos. Essa proximidade explica por que a harmonização entre eles é tão natural — e, ao mesmo tempo, exige atenção. Como em toda boa relação, equilíbrio e cuidado fazem toda a diferença.
Neste guia, reunimos princípios essenciais para entender os tipos de queijo, seus estilos e as melhores abordagens de harmonização, oferecendo caminhos seguros para quem deseja montar uma tábua bem pensada e prazerosa.
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A matéria-prima do queijo é o leite, que pode ter origem em vacas, cabras, ovelhas ou búfalas, entre outros animais. Assim como no vinho, o terroir exerce influência decisiva: relevo, clima, tipo de pastagem e micro-organismos locais impactam diretamente o sabor, a textura e a complexidade do queijo.
Regiões montanhosas favorecem a criação de cabras, enquanto planícies são mais adequadas para vacas e ovelhas. O solo e o clima determinam a vegetação consumida pelos animais, refletindo-se no perfil aromático do leite. Já o microclima das queijarias define o desenvolvimento de bolores e bactérias responsáveis pela identidade final do produto.
Diante da enorme diversidade, agrupar os queijos por afinidade é um primeiro passo fundamental. A classificação adotada por Juliet Harbutt, referência mundial no tema, identifica sete grandes categorias:
Queijos frescos
Altamente úmidos, leves e de acidez marcada. Exprimem com clareza o sabor do leite. Exemplos: ricota, mascarpone, feta e muçarela de búfala.
Frescos curados
Menos comuns no Brasil, apresentam casca fina com bolores e maior firmeza, sobretudo nos exemplares de leite de cabra. Destaques do Vale do Loire, como Valençay.
Brancos moles
De interior cremoso e casca aveludada, remetem a cogumelos e notas terrosas. Brie e Camembert são os exemplos mais conhecidos.
Semimoles
Grande diversidade de estilos, com cascas lavadas em salmoura. Incluem Edam, Asiago e Taleggio, variando entre versões mais secas ou cremosas.
Duros
Queijos de longa maturação, sabores intensos e textura granulada, muitas vezes com cristais. Parmigiano Reggiano, Grana Padano e Pecorino são clássicos.
Azuis
Marcados por bolores internos, sabor salino e picante. Roquefort, Gorgonzola e Stilton lideram o grupo.
Temperados
Incluem queijos defumados ou com adição de especiarias, ervas e frutas secas, ainda pouco explorados pelo consumidor brasileiro.
Não existe uma única fórmula, mas três abordagens costumam funcionar bem:
Sequencial (em cursos)
Cada grupo de queijos é servido com um vinho específico, do mais leve ao mais intenso. É a opção mais completa — e também a mais trabalhosa.
Tradicional
Combina queijos brancos moles, semimoles e duros, acompanhados por dois vinhos versáteis, como Riesling, Gewürztraminer ou Pinot Noir.
Focada
A escolha do especialista: vários queijos do mesmo grupo acompanhados por um único vinho. Simples, segura e eficiente.
Independentemente do formato, prefira queijos artesanais, compre-os o mais próximo possível da data de consumo e retire-os da geladeira cerca de uma hora antes de servir.
Mais do que regras absolutas, a harmonização deve respeitar o estilo dos produtos e, sobretudo, o gosto pessoal. Testar, comparar e experimentar continua sendo o melhor caminho.
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