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Sem Pio Boffa, vítima da Covid-19, o Barolo nunca mais será o mesmo

"Nós não somos tradicionalistas, não somos inovadores, somos fiéis ao estilo Pio Cesare de fazer vinho"


Pio Boffa era considerado um modernista

Pio Boffa resumia assim o estilo da icônica vinícola italiana Pio Cesare.

Boffa, era a quarta geração da família a comandar a produção de Barolo e Barbaresco na vinícola. Por quatro décadas ele revolucionou e ao mesmo tempo manteve a tradição da região em produzir vinhos diferenciados, porém sem deixar de lado os costumes regionais do Norte da Itália.

Com ele, a Pio Cesare cresceu e expandiu seus negócios. "Ele estava acostumado a viajar 200 dias por ano - essa era a vida.", disse a filha de Boffa, Federica Boffa, em entrevista à Wine Spectator.

Durante esse período, Pio fez amigos e admiradores que iam além do vinho. Era um sujeito simpático, agregador e humilde, dentro do conhecimento e da importância que tinha (e terá sempre) para o mundo do vinho.

O editor de vinho de Adega, Eduardo Millan, participou de alguns almoços com ele: “Boffa era um sujeito engraçado, mas, ao mesmo tempo, muito genioso”, conta.

Federica Boffa assumirá a vinícola com a ajuda de seu primo, Cesare Benvenuto, disse ainda que o pai temia demais a Covid-19, doença que o levou aos 66 anos, “Ele estava convencido de que teria Covid e que não sobreviveria”, disse ela. “Então ele me ensinou muito neste ano. Ele me ensinou como administrar uma vinícola, como administrar um negócio e como manter um legado familiar. ”

"Vou continuar seu legado agora com ainda mais força, energia e compromisso", acrescentou.

Pio Boffa nasceu em 1954, irmão mais novo de três filhos. Foi o único que teve interesse em continuar o legado da família. Estagiou na Califórnia nas adegas de Robert Mondavi ainda nos anos de 1960 e retornou à Itália com uma visão mais moderna da vinificação.

Pio Boffa e sua filha Federica que passará a adiministrar a vinícola Pio Cesare 

Ele deixa para sua única filha Federica 70 hectares de vinhedos em denominações de Barolo e Barbaresco, além de um legado de trabalho e aperfeiçoamento de um dos vinhos mais tradicionais da Itália.

Na época da divisão classicista e modernista, entre os produtores da sua região, ele era considerado um modernista. Afinal, foi o primeiro a fazer Barolos single vineyard. Mais tarde, por outro lado, foi um defensor da mistura de vinhedos. Por isso se definia como “um moderno clássico e clássico moderno. ”

Pio Boffa era um inquieto. Além do vinho, deixa produções variadas como o vermute e Barolo Chinato, uma bebida única feita a partir de infusão de especiarias como cardamomo, manjerona e canela na barrica de Barolo.

No mundo da música, costuma-se especular romanticamente que nomes como Miles Davis e Jimi Hendrix estariam fazendo agora.

Não duvide se acontecer o mesmo com Pio Boffa no mundo do vinho.

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André De Fraia

Publicado em 20 de Abril de 2021 às 11:35


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