Revista ADEGA
Busca

Apocalíptica

Tempestade de granizo dizima vinhedos na França

"Foi apocalíptico”, definiu um dos produtores prejudicados pela tempestade


Vinhedos na França são prejudicados por uma forte chuva de granizo - Alexandre Abellan
Vinhedos na França são prejudicados por uma forte chuva de granizo - Alexandre Abellan

Produtores da França relataram uma tempestade com granizo que dizimou vinhedos e frustrou as esperanças dos viticultores que tinham como objetivo repor totalmente os estoques de uvas e vinho após os sérios problemas encontrados nos últimos anos com a pandemia e o clima que já não vem sendo um grande aliado do vinho francês.

"Foi apocalíptico, com pedras de granizo do tamanho de bolinhas de gude, sem água”, diz Patrick Farbos, presidente do departamento de marketing da Armagnac.

A tempestade atingiu o sudoeste francês onde estão localizadas regiões como Bordeaux, Bergerac, Gascony, Vale do Loire, Savoia e Languedoc-Roussillon.

Na região de Armagnac, também foi relatado perdas significativas nas videiras. Embora a AOC Armagnac tenha sido muito afetada, o IGP Côtes de Gascogne também foi afetado.

David Piquemal, da Domaine de Danis, que tem 40 hectares de videiras em Castelnau d'Auzan, relatou uma perda de 100%, segundo ele as videiras que pareciam ter sido podadas: "É como se fosse inverno, honestamente. Vai crescer de novo, mas terei perdas no ano seguinte, pois a indução de flores ocorre em junho e julho".

"Anos estranhos serão aqueles sem clima adverso", alertou Jean-Marie Fabre, presidente da organização francesa de viticultores independentes, que está pedindo subsídios nacionais para investimentos na prevenção de riscos climáticos "para garantir equipamentos de prevenção e proteção contra granizo (uso de canhões, balões e redes) nos próximos anos, mas também contra geada e falta de água (reservatórios de encosta, conexões de irrigação, implantação de irrigação por gotejamento, etc.)".

Ironicamente, enquanto algumas regiões francesas acabaram de ser atingidas por chuvas torrenciais, outras estão esperando por chuva há meses, a seca preocupa muito em casos como de Provence e Alsácia.

André De Fraia
Publicado em 12/06/2022, às 10h00


Mais Mundovino