Harmonia entre a força e a elegância das carnes de caça
por Marcelo Copello
![]() |
Embora no Brasil seja incomum, em vários países o hábito de caçar permanece vivo e as carnes de caça são muito apreciadas. O diferencial destas iguarias reside em dois pontos principais. Primeiramente, estes animais de vida selvagem vivem livres e se movimentam mais do que os de criação e, portanto, sua carne é mais magra, leve e saudável. O segundo ponto é sua alimentação: mais rica, variada e natural do que a ração dada às espécies de cativeiro, enriquecendo o sabor de sua carne.
Assim, os pratos de caça agregam sabor intenso e complexo a certa delicadeza e elegância. Naturalmente, o que se oferece quase sempre em restaurantes em todo o Brasil não é caça genuína, daquelas em que se acha chumbo dentro, mas é possível encontrar boas carnes, das mesmas espécies, seguindo receitas tradicionais, que proporcionam grandes harmonizações. É isso o que provaremos no Enogourmet deste mês.
Local e convidados
Para o tema "caça", buscamos um lugar de cozinha do Velho Mundo, com respeito e apego às receitas originais. Foi assim que chegamos ao restaurante Domenico, inaugurado há poucos meses no coração gastronômico do Leblon, Rio de Janeiro (Rua Dias Ferreira, 147), que segue a culinária clássica italiana. O chef Túlio Colonese transpira tradição toscana em cada tempero e o serviço do vinho é dos melhores da cidade, sob o comando do experiente sommelier Augusto Sousa.
![]() |
À mesa, um grupo interessado e participativo: os anfitriões Leonardo Rego (proprietário do Domenico) e Gabriela Rego (médica); Yamê Reis (estilista de moda); Cecília Assef (empresária do ramo da moda); Mônica Sanches (repórter de televisão); Jefferson Svoboda (artista plástico); Eduardo Freire - arquiteto; e este editor de vinhos de ADEGA, que relata a experiência.
Escolha dos pratos
Harmonizações à base de carne de caça terão sempre como ponto de partida, ao menos, a tradição. Escolhemos os pratos de modo a explicitar e polarizar os aspectos fundamentais da caça: elegância e força. Para tratar de "elegância", optamos - como primeiro prato - por uma "coxa de coelho com feijões salteados". Para a "força", não foi difícil decidir por uma "paleta de javali confit com couscous de legumes". Nos vinhos, perfilamos as mais clássicas regiões européias. Para "elegância": Borgonha, Piemonte e Ribera del Duero. Para "força": Bordeaux, um Supertoscano e um indiscreto Petit Verdot, representando a potência dos modernos vinhos espanhóis.
#Q#
A prática
Coelho com feijões salteados
Como de hábito, provamos os vinhos antes da chegada do prato. Como era de se esperar, saiu ganhando o mais delicado Aloxe-Corton, que recebeu cinco das oito preferências.
O coelho chegou encantando a todos: leve e saborosíssimo. Os feijões elevaram o nível de sabor do prato e influíram decisivamente na escolha do vinho ideal. Nem foi preciso dizer que o casamento "Barolo-Lebre" é um grande clássico italiano, pois (com ajuda dos feijões) o Barolo recebeu cinco votos - Yamê, Gabriela, Mônica, Eduardo e eu. Os taninos austeros do vinho piemontês falaram alto e mereceram aplausos. Os outros três comensais: Cecília, Leonardo e Jefferson se renderam à sedução do Borgonha, que não ficou devendo bons taninos necessários ao casamento com o coelho e os feijões.
![]() |
![]() |
| Chef Tulio Colonese |
Paleta de javali
Os três tintos tinham estilo bastante diverso e as escolhas ficaram bastante divididas. Antes do prato, Yamê, Mônica, Eduardo e eu elegemos sua eminência, o Siepi. Já Cecília, Gabriela e Leonardo optaram pelo clássico Bordeaux e Jefferson se encantou com o impacto espanhol.
O javali estava menos potente que o esperado, a mão do chefe foi leve. Neste contexto, a força do espanhol destoou um pouco e foi a escolha apenas de Eduardo. A disputa maior ficou entre o estilo tradicional bordelês e a modernidade do Supertoscano, que acabou vencendo por um voto. Enquanto Cecília, Jefferson e eu, ficamos com o Château Poujeaux; Yamê, Gabriela, Mônica e Leonardo elegeram o Siepi como o melhor para o Javali.
Notem que nos dois pratos, o vinho mais votado foi o italiano. Nenhuma surpresa, já que, na velha bota, vinho e gastronomia formam um casal inseparável!
![]() |
+lidas

Boisset compra vinícola histórica de Napa e avança na Califórnia

Para beber e comentar

Christina Aguilera se torna sócia da Beau Joie Champagne

Setor vinícola europeu alerta para risco de tarifas dos EUA

Lista completa da classificação de Cru Bourgeois de 2003, que vale a partir da safra de 2003