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  • O cru de Rabajà

    A história de Bruno Rocca e seu singular Barbaresco

    Bruno Rocca encontrou nas parcelas de Rabajà uma uva singular, conheça a história de um dos mestres do Piemonte

    O "Grand Cru" de Rabajà, um dos grandes terroirs para Barbaresco no mundo
    O "Grand Cru" de Rabajà, um dos grandes terroirs para Barbaresco no mundo

    por Arnaldo Grizzo

    Quando se instituíram as Menções Geográficas Adicionais (MeGA) em Barbaresco, em 2007, a área do vinhedo Rabajà obviamente estava entre elas. Os MeGa são uma espécie de reconhecimento dos Crus do Piemonte. As parcelas de Rabajà sempre foram conhecidas pela produção de uvas de enorme qualidade, vendidas a um preço mais alto que a maioria dos outros vinhedos de Nebbiolo de Barbaresco. Prova disso é o fato de que a adega para a qual os Rocca cediam essas uvas já engarrafavam os rótulos com a indicação “Vinhas em Rabajà Sud-Ovest” desde 1967.

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    Pois bem, algumas figuras foram essenciais na história dessa família de notáveis produtores, cujas primeiras menções no município de Barbaresco datam de 1834, ano em que nasceu Francesco Rocca (1834-1894). Em 1864, ele fez uma hipoteca dotal em favor de sua futura esposa, Luigia Cheinasso. Nesse documento, Francesco é definido como um “agricultor nascido e residente em Barbaresco”, proprietário, juntamente com seu irmão Giuseppe, de “casas, sítios, vinhedos”. Na época, o negócio da família era uma fazenda com diversas culturas e criação de gado, apesar de a viticultura desempenhar um papel importante.

    Mas o Francesco (1907 - 1978) que faria mais diferença nessa história seria o seu neto. No final da década de 1950, ele mudou a empresa do centro de Barbaresco para a área de Rabajà, onde adquiriu parte do vinhedo em 1958. Esse seria um movimento crucial. E o ponto de inflexão seguinte seria dado por seu filho, Bruno. Nascido em 1951, ele se especializou em viticultura e, em 1978, engarrafou pela primeira vez rótulos com o nome da família. Mais que isso, modernizou a produção e focou-se no Cru que dá fama a seus vinhos, Rabajà.

    Grand Cru

    Rabajà é tido com um dos mais completos e equilibrados vinhedos de Barbaresco. A vinha situa-se na conjunção dos dois cumes principais que formam a vila de Barbaresco. Um deles começa em Rabajà e segue para oeste em direção ao rio Tanaro (com progressivamente menos cálcio e maior fertilidade no solo) e outro que vai de Rabajà a Ovello, de sul a norte (com maior teor de cálcio). O encontro desses dois solos diferentes dá a Rabajà sua complexidade.

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    Na vinícola cada barrica é meticulosamente selecionada. “Gostamos de conhecer a história de cada barril"

    “Paradoxalmente, o nosso objetivo não é ‘fazer’ vinho, mas guiá-lo ao longo da sua evolução para que se expresse da melhor forma. É a nossa terra que assina os vinhos, não o produtor”. É dessa forma que Bruno Rocca resume sua filosofia de trabalho. Os Rocca fazem questão de enfatizar que seu aprendizado foi por experiência e isso se reflete em tudo o que elaboram. “Na viticultura, não existem fórmulas mágicas, nem receitas. Há estudo, experiência, trabalho”, dizia, seu pai, Francesco Rocca.

    Sendo assim, os Rocca possuem um “arquivo” de suas vinhas, com anotações de suas fases fenológicas, os solos em que crescem e a capacidade produtiva de cada uma. Todas as operações de adubação, poda seca e verde, desbaste, capinação etc., não ocorrem de acordo com protocolos ou regras pré-estabelecidas, mas seguem a experiência dada pelo conhecimento de cada vinha.

    “Consideramos cada planta única, agindo para que possa expressar no fruto aquela singularidade que a distingue, respeitando sempre a sua capacidade de produção e evitando qualquer obrigatoriedade”, apontam.

    Base de dados

    A herança vitivinícola dos Rocca é preservada através da criação de uma “base de dados” composto por videiras selecionadas entre as melhores plantas de Nebbiolo –com pelo menos 60 anos – em produção. Através de um longo trabalho de triagem, enxertia e análise qualitativa, eles possuem, em Neive, uma vinha experimental em que cada fileira é a “memória viva” de uma planta da empresa. Graças a essa seleção clonal, eles preservam seu legado. “A vinha é tudo para mim. Origem do vinho, fruto do esforço diário, o verdadeiro objetivo do meu trabalho. A vinha é o vinho porque a vinícola, afinal, é apenas o berço da ‘conservação’”, dizia Francesco Rocca.

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    Na década de 1950 a vinícola se instalou na área de Rabajà e mudou a história do Barbaresco

    Desde os anos 1990, Francesco e Luisa, filhos de Bruno, ingressaram na vinícola. Assim como a nova geração foi introduzida, novos vinhedos também, dando aos Rocca a capacidade de produzir Nebbiolo, Barbera d’Alba e d’Asti, Dolcetto e Chardonnay.

    Além de Rabajà, eles também têm quatro hectares de vinhas na “terra prometida” de Currà, adquiridos em 2001. Currà leva o nome do pároco de Neive (o curà, no Piemonte), e acredita-se que, no passado, a terra era propriedade da igreja. Sua fonte de Chardonnay vem do vinhedo Fausoni. Os outros dois vinhedos dos Rocca são Marcorino e San Cristoforo.

    Seleção

    A vindima é feita manualmente e uma seleção rigorosa é realizada na entrada da vinícola. Apenas as melhores frutas chegam ao desengaçador que foi modificado manualmente de acordo com as diretivas dos Rocca e realiza uma separação suave, desintegrando os cachos sem quebrar o engaço e a uva. Cada vinhedo é vinificado separadamente. As parcelas maiores são divididas em duas ou três cubas. A fermentação começa de forma natural.

    Após a fermentação alcoólica, o vinho repousa em madeira onde se inicia o período de fermentação malolática, que ocorre de forma espontânea. Cada barrica é meticulosamente selecionada. “Gostamos de conhecer a história de cada barril, escolhemos cuidadosamente a floresta de onde vem a madeira e analisamos as características. Escolhemos apenas barricas com envelhecimento mínimo de 40 meses, secas ao ar livre sem recurso de meios mecânicos”, apontam os Rocca.

    O engarrafamento ocorre com o menor uso possível de dióxido de enxofre, sem filtração e clarificação. “A verdade é que a videira, como planta, não está interessada em fazer um bom vinho. Ela respeita os tempos da natureza visando dar o melhor para sobreviver e se reproduzir. Nossa tarefa é pensar como a videira, ‘identificar-se com a planta’. Só assim poderemos compreender o momento certo de intervir, o momento de colher os melhores frutos para obter vinhos extraordinários”, diz Bruno Rocca.

    Conheça os vinhos de Bruno Rocca já degustados por ADEGA.

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