Entenda o que a acidez realmente indica sobre a qualidade do azeite
por João Calderón

Muito se fala sobre a acidez dos azeites de oliva, mas nem sempre esse conceito é compreendido corretamente. Um azeite de qualidade pode ser definido, antes de tudo, como um verdadeiro suco da azeitona: obtido a partir de frutos frescos, em bom ponto de maturação e sem qualquer tipo de manipulação química que altere sua composição natural.
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Assim como outros sucos naturais, o azeite é extraído da polpa do fruto — no caso, da oliva prensada — e apresenta um rendimento que varia entre 15% e 25%. Esse “suco dourado” carrega uma complexa composição química, essencial para seu valor nutricional, gastronômico e sensorial.
O azeite de oliva é composto principalmente por ácidos graxos, além de vitaminas, compostos voláteis, substâncias hidrossolúveis e micropartículas do fruto. Esses elementos se dividem em dois grandes grupos:
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O principal ácido graxo presente no azeite de oliva é o ácido oleico, um ácido monoinsaturado que corresponde a mais de 80% da composição. Ele está diretamente associado à formação do HDL, o chamado “colesterol bom”, que auxilia na remoção do colesterol dos vasos sanguíneos.
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Além dele, o azeite contém ácidos graxos poli-insaturados, como o ácido linoleico (ômega-6) e o ácido linolênico (ômega-3), que somam entre 5% e 10% da composição e desempenham funções essenciais no organismo. O restante é formado por ácidos graxos saturados.
Vale lembrar: quanto maior o índice de insaturação, maior a instabilidade do óleo. Por isso, óleos extraídos de sementes — ricos em poli-insaturados — oxidam com mais facilidade do que o azeite de oliva.
Quando falamos em acidez do azeite de oliva, não estamos nos referindo ao sabor ácido. Em termos químicos, a acidez indica a quantidade de ácidos graxos livres, expressa em percentual de ácido oleico.
Esse índice está diretamente relacionado à qualidade da matéria-prima e do processo: frutos danificados, colheita tardia, má conservação ou falhas na extração aumentam a liberação de ácidos graxos livres. Ou seja, a acidez não mede sabor, mas sim condição do fruto e cuidado no processo.
Segundo normas internacionais, um azeite destinado ao consumo humano não pode ultrapassar 2% de acidez. Já o azeite extravirgem deve apresentar no máximo 0,8%. Importante destacar: um azeite com 0,1% de acidez não é necessariamente melhor, em termos sensoriais, do que um com 0,8%.
Além da acidez, outros critérios químicos ajudam a definir a qualidade do azeite de oliva extravirgem:
Nenhum desses parâmetros está diretamente ligado à intensidade de sabor. Um azeite de baixa acidez não é, obrigatoriamente, um azeite suave ou neutro.
A cor do azeite — mais verde ou mais amarelada — não é indicativo de qualidade. Ela varia conforme o grau de maturação das azeitonas e não representa defeito ou virtude. Por isso, nas degustações profissionais, os copos são opacos, evitando que o avaliador seja influenciado pela aparência visual.
Além das análises químicas, todo azeite de qualidade passa por avaliação sensorial. É na degustação que se identificam aromas, sabores, defeitos e atributos positivos, que nascem no campo, no terroir e no cuidado com a produção. Degustar azeite é compreender sua origem, sua identidade e seu potencial gastronômico.
Possui acidez inferior a 0,8% e apresenta atributos sensoriais positivos. É considerado de alta qualidade e ideal para finalização de pratos, saladas e consumo a cru.
Apresenta acidez entre 0,8% e 2%. Pode ser utilizado na culinária diária e também em misturas industriais.
Com acidez superior a 2%, não é destinado ao consumo direto. Seu uso é exclusivamente industrial.
Obtido a partir do refino de azeites com defeitos ou alta acidez. O processo elimina impurezas sensoriais e reduz a acidez para até 0,3%, mas também remove compostos aromáticos. Não é comercializado diretamente ao consumidor.
Resulta da mistura de azeite refinado com azeites virgens. A acidez final não pode ultrapassar 1%. Seu uso principal é culinário.
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