• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Curiosidades

    O papel do vinho nas peças de William Shakespeare

    Comédia, tragédia e drama. O papel do vinho nas peças de William Shakespeare

    William Shakespeare
    William Shakespeare

    por Arnaldo Grizzo

    “Rogo a ti, não se apaixone por mim, pois sou mais falso que os votos feitos sob o efeito do vinho”. Também pudera, ao dizer tal frase, Rosalinda, personagem da comédia “Como gostais” (“As you like it”, no original), estava disfarçada de homem. Essa é apenas uma das muitas passagens em que o vinho aparece na obra de William Shakespeare, o maior dramaturgo da língua inglesa.

    Seja na comédia ou no drama, a bebida está presente nas peças que, de uma maneira ou de outra, acabavam por retratar o rico período elisabetano em que “o Bardo” viveu. Há quem tenha contado a aparição da palavra “vinho” nos escritos de Shakespeare, seriam 86 vezes. O autor, contudo, não cita o vinho apenas genericamente, chegando a mencionar exatamente a “marca” da bebida em algumas ocasiões. Entre seus preferidos estão os vinhos das Ilhas Canárias, o Malmsey e o Sack.

    Falstaff e Otelo

    Há mais de 30 citações somente sobre o Sack, termo elisabetano para os vinhos de Jerez. A mais célebre passagem sobre o Sack ocorre, como não podia deixar de ser, com o personagem Sir John Falstaff. O boêmio e bonachão amigo do príncipe Harry fala sobre a audácia do futuro rei durante a peça “Henrique IV”:

    • Douro, será a capital do vinho europeu em 2023

    “Um bom copo de Jerez é de duplo efeito; sobe-me ao cérebro, seca-me ali todos os vapores tontos, obtusos e ásperos que o envolvem, deixando-o sagaz, vivo, imaginoso, cheio de formas leves, petulantes e deleitosas, que, entregues à voz, recebem vida da língua e se convertem em excelente espírito. A segunda propriedade do vosso excelente Jerez é a de aquecer o sangue, que, por ser naturalmente frio e pesado, deixa o fígado branco e pálido, sinal certo de pusilanimidade e covardia; mas o Jerez o aquece e o faz correr do interior para as partes extremas, ilumina o rosto, que, como farol que é, chama às armas a esse pequenino reino denominado homem. E então todos os moradores e os pequenos espíritos da província se congregam em torno do seu chefe, o coração, que, aumentado e envaidecido com o cortejo, torna-se capaz de qualquer empreendimento de valor. Todo esse valor vem do Jerez, a tal ponto que a habilidade no manejo das armas de nada vale sem o Jerez, que é o que a põe em movimento. O saber não é mais que uma mina de ouro guardada por um demônio, que só vale depois que o Jerez a explora e a põe em obra e uso. É daí que vem a valentia do príncipe Harry, porque o sangue frio que ele herdou naturalmente do pai, tal como terreno mesquinho, desnudo e estéril, foi por ele lavrado, adubado e cultivado com o excelente esforço de beber grandes e grandes quantidades do fértil Jerez, que deixou o príncipe ardente e valoroso. Se eu tivesse mil filhos, o primeiro princípio humano que lhes inculcava, seria absterem-se de bebidas fracas e entregarem-se ao Jerez”.

    Pouco antes dessa exaltação ao Jerez, o mesmo Falstaff reclama de outro personagem ao justificar por que nenhum homem é capaz de fazê-lo sorrir. “Pudera, ele não bebe vinho”, diz.

    O vinho, por sinal, é o veículo para a vingança de Iago contra Otelo, em uma das obras mais conhecidas de Shakespeare. Nela, Iago embebeda Cássio, que havia sido promovido ao posto de tenente (almejado pelo primeiro), e fazendo com que ele brigue em uma festa e perca, assim, sua promoção. “Ó espírito invisível do vinho! Se não és ainda conhecido por nenhum nome, recebe o de demônio”, proclama Cássio, sem lembrar do que havia feito.

    Shakespeare

    Canárias e Madeira

    O vinho mais popular na época de Shakespeare definitivamente era o Jerez, mas o dramaturgo cita ainda o vinho das Ilhas Canárias em duas obras: “Noite de Reis” e “As Alegres Comadres de Windsor”. Nesta última, novamente é Falstaff o personagem que irá apreciar o vinho do arquipélago espanhol na costa na África. Acredita-se que o vinho produzido no local era um branco doce, muito similar ao Malmsey. O dramaturgo chega a exaltar o vinho das Canárias: “Um vinho maravilhoso e penetrante, perfuma o sangue, fazendo com que se pergunte: ‘O que é isso?’”.

    • Dieta Mediterrânea baseada em proteínas magras, azeite e vinho é eleita a melhor do ano

    Por volta de 1640, mercadores de vinho ingleses chegavam a classificar a bebida das ilhas como “o vinho luxuoso de Tenerife” (uma de suas capitais, juntamente com Las Palmas). Ele era mais doce do que o Jerez e feito com Malmsey (Malvasia), no entanto, um vinho conhecido como Vidonia (outro nome para a variedade Verdelho) era relativamente seco, tivesse acidez elevada e envelhecesse bem.

    Da mesma forma, o Malmsey também está presente nas obras de Shakespeare, como “Trabalhos de Amores Perdidos”, “Ricardo III” e “Henrique IV”. Uma passagem curiosa ocorre em Ricardo III, quando os homens contratados para assassinar o Duque de Clarence propõem ocultar seu cadáver em um barril de Malmsey. Pouco antes de morrer, porém, o inadvertido personagem solicita uma taça de vinho, ouvindo dos assassinos a pronta resposta: “Você terá vinho suficiente, Sir”.

    Na Ilha da Madeira, não muito distante das Canárias, as pipas de Malmsey geralmente ficavam ao ar livre e o vinho oxidava, tomando uma cor marrom, mas a temperatura elevada acabava por lhe dar um bom sabor. Acredita-se, porém, que os primeiros vinhos ditos Malmsey que chegaram à Inglaterra, na verdade, tenham vindo da Grécia ainda na época medieval.

    • Quais são as variedades de uva mais cultivadas no mundo?

    E, por mais falso que o traidor Iago tenha sido ao dizer sua célebre frase, Shakespeare resume aqui um pouco da relação da humanidade com o vinho: “Vamos, vamos; o bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria; não continueis a falar mal dele”.

    *Texto originalmente publicado na edição 138 da Revista ADEGA, de abril de 2017, e republicado após atualização.

    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    VinhoJerezShakespearecomédiatragédiadramavinho das Canárias

    Notícias relacionadas

    Dão, em Portugal

    Dão: tradição e grandes vinhos portugueses

    Chablis, o vinho branco mais reconhecido do mundo

    Chablis: estilos, terroir e as variações do branco francês

    estetoscópio e vinho

    Por que tantos médicos apreciam vinho? Entenda o vínculo entre medicina e enologia

    Antes de cada campanha militar, Napoleão visitava a casa Moët & Chandon para estocar garrafas

    Napoleão Bonaparte e Moët & Chandon: a história do Champagne Impérial

    Plantada na Emilia-Romagna e na Toscana, Sangiovese tem uma raiz comum

    Como a Emilia-Romagna constrói a reputação dos seus vinhos

    Barca Velha: o precursor dos vinhos de mesa portugueses

    Os vinhos Barca Velha e Pêra-Manca são os orgulhos líquidos de Portugal

    Imagem Spätburgunder: a joia alemã do Pinot Noir e sua surpreendente história

    Spätburgunder: a joia alemã do Pinot Noir e sua surpreendente história

    Imagem Conheça terroir, a história e os melhores vinhos de Navarra

    Conheça terroir, a história e os melhores vinhos de Navarra

    A expressão "La Mancha" tem origem árabe (Mantxa), cujo significado é terra seca

    Vinhos de La Mancha: Riqueza e sabor do coração da Espanha

    Embora feito de uva, o vinho não é exatamente um produto vegano

    Vinho é vegano ou não?

    Tour pela França

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    Criador do Rock in Rio produz vinho no Rio de Janeiro
    1

    Criador do Rock in Rio produz vinho no Rio de Janeiro

    Snoop Dogg lança vinho em homenagem a Tupac
    2

    Snoop Dogg lança vinho em homenagem a Tupac

    Borgonha, um guia rápido sobre a região
    3

    Borgonha, um guia rápido sobre a região

    Simpósio em São Paulo debate vinho, saúde e consumo moderado
    4

    Simpósio em São Paulo debate vinho, saúde e consumo moderado

    Vendas do leilão do Hospices de Beaune batem recorde histórico
    5

    Vendas do leilão do Hospices de Beaune batem recorde histórico

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group