No Name, o clássico vinho piemontês cujo nome, ou falta dele, surgiu como um protesto

por Dado Lancellotti

O vinho No Name é produzido no Langhe pela tradicional vinícola piemontesa Borgogno e nasceu como um protesto.
Explico: para escrever em um rótulo “denominação de origem controlada” (DOC) e “garantida” (DOCG), um produtor tem que respeitar alguns critérios como vinha em área geográfica prevista pela lei que regulamenta a denominação; e, quando o vinho estiver pronto, enviar amostras à comissão de provadores que o avaliam de acordo com as referências.
É um processo rígido e, às vezes, acontecem casos inusitados: por exemplo, alguns produtores indiscutíveis são rejeitados. Já ocorreu com Gaja, Soldera e Zidarich. Isso também estimulou rebeldes, que criaram “foras da lei”, como os supertoscanos Sassicaia e Tignanello nos anos 1970.
No caso do Barolo, as exigências estão entre as mais rigorosas do mundo: tem que ser 100% Nebbiolo e de uma área restrita, nas comunas de Barolo, Castiglione Falletto, La Morra, Serralunga d’Alba e alguns territórios vizinhos.
O vinho deve envelhecer no mínimo 38 meses, 18 em madeira – para o Riserva, mínimo de 5 anos na cantina – e ter graduação alcoólica a partir de 12,5%. Produtores tradicionalistas (Conterno e Mascarello) e modernistas (Voerzio, Giacosa e Clerico) divergem sobre conceitos distintos.
Essa complexidade mobilizou a histórica Giacomo Borgogno, fundada há 260 anos e símbolo de Barolos longevos – que estão eternizados na história pelo seu vinho ter sido escolhido para a cerimônia de unificação da Itália em 1861.
“No Name” então nasceu desafiando: “Escolhemos um dos nossos melhores vinhos e o chamamos assim como um protesto silencioso contra a burocracia que aflige a agricultura italiana e o mundo do vinho”.
A provocação virou estratégia de marketing. “Haters” não faltam, mas ideologias de lado, o tiro não saiu pela culatra.
O “teimoso” No Name deriva de vinhas de prestígio, em Cannubi, Fossati e San Pietro delle Viole. Envelheceu 3 anos em “barricas menores” – zero tradicional portanto – e ganhou seu DOC. Vale lembrar que a Borgogno foi vendida em 2008 para Oscar Farinetti, fundador do Eataly e dono da Fontanafredda.
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