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Pesquisadores buscam como manter a identidade bordalesa frente à mudanças climáticas

O aquecimento global pode levar ao fim o vinho bordalês como conhecemos hoje


 

Pesquisadores estudam como os vinhedos de Bordeaux estão reagindo ao aquecimento global. Foto de Eugénie Baccot para o Washington Post

O terroir e o vinho bordalês são únicos. A região possui diversos fatores que se juntam para a criação de grandes vinhos de sobremesa, brancos e, claro, tintos. Porém, nos últimos 70 anos a região teve aumento na temperatura média em 2° Celsius e, segundo pesquisadores, esta mudança está apenas no início. Como exemplo, o ano de 2019 trouxe um recorde de temperatura na região, batendo a casa dos 41°C. A produção de vinho caiu 10% e os produtores já estão se preparando para maiores dificuldades com as uvas e produção de bons vinhos.

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Segundo os pesquisadores, há duas opções. A primeira é o estudo aprofundado dos microclimas existentes na região de Bordeaux, para assim determinar quais locais não sofrerão com o aumento de temperatura e os vinhos continuarão com o estilo bordalês. “É importante mostrar aos produtores que no mesmo local há soluções” destaca Nathalie Ollat, agrônoma do Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Comida e Meio-ambiente, órgão responsável pela pesquisa.

A segunda opção é mais drástica para os produtores locais e puristas, a alteração do corte bordalês, que hoje é formado por Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot, Malbec e Carménère, para castas mais adaptadas ao calor. Mais de cinquenta variedades provenientes do sul da França, Portugal e Grécia estão sendo testadas e a busca é por uma, ou mais, que possam produzir vinhos com o estilo de Bordeaux.

Vinhedos bordaleses podem sofrer nos próximos anos com o aumento da temperatura global

A pesquisa busca ainda novas forma de vinificação, uma vez que com temperaturas mais elevadas as uvas terão maior concentração de açúcar e o vinho poderá perder suas características que fazem de um Bordeaux ser um Bordeaux. A pesquisadora Nathalie Ollat completa “Produtores podem estar interessados na mudança, mas eles precisam saber se serão capazes de vender esses vinhos diferentes, esta é a razão do porquê nós sugerimos essa adaptação, é a maneira de manter o estilo dos vinhos intacto”.

A ideia dos pesquisadores é trazer para os produtores também uma forma de zerar o uso de combustíveis fósseis e assim ajudar o planeta, e eles mesmos, a não perder um dos terroirs sagrados do mundo do vinho.

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André De Fraia

Publicado em 29 de Dezembro de 2020 às 14:00


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