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Pesquisadores estudam sommeliers para entender sobre a saúde do cérebro

Estudo desenvolvido pela Universidade de Quebec visa entender a relação do olfato com a saúde do cérebro


Pesquisa indica que jovens sommeliers  são ótimos exemplos para compreender a saúde do cérebro em relação ao desempenho olfativo

Uma pesquisa recente, dirigida por Johannes Frasnelli, da Universidade de Quebec e publicada na revista Chemosensory Perception, analisou como jovens sommeliers desenvolvem suas habilidades sensoriais. O estudo tenta entender as possíveis ligações entre um olfato aguçado e a saúde do cérebro.

A análise verificou que 25 estudantes de sommelier superaram um “grupo de controle” (formado por 29 indivíduos não treinados) na identificação de uma variedade de aromas comuns de vinho. Frasnelli testou sommeliers entre três e nove semanas de educação. Foi pedido a eles que identificassem 16 aromas frequentemente encontrados no vinho. Os resultados confirmaram a teoria de que os estudantes são excelentes modelos para estudar a saúde do cérebro em relação ao desempenho olfativo. “Estamos atualmente trabalhando em um estudo de ressonância magnética com sommeliers que estudam há 18 meses. Esperamos ver mudanças no cérebro ao longo do tempo, como fizemos no estudo de Banks (veja abaixo)”, afirma Frasnelli.

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“Sabemos, de pesquisas anteriores feitas em outros campos, que o cérebro se beneficia do estudo ativo e a área de processamento de cheiros também é responsável pela memória, emoção, aprendizado e recompensa. O treinamento olfativo melhora a capacidade cerebral”, avaliou.

Córtex

Especialistas já sabem que o centro de memória do cérebro, o córtex entorrinal, é a primeira área a ser comprometida por doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, por exemplo. Em 2016, um estudo com 13 Master Sommeliers na Cleveland Clinic Lou Ruvo Center for Brain Health, em Las Vegas, descobriu que o córtex entorrinal era fisicamente mais espesso nos cérebros dos profissionais de vinho em comparação com um grupo de controle.

“Usamos os Master Sommeliers porque eles são especialistas em vinho, portanto também no olfato”, disse a neurologista Sarah Banks. Ela e sua equipe avaliaram as diferenças estruturais nos cérebros dos Master Sommeliers, assim como a resposta funcional às tarefas motoras, visuais e olfativas. Os resultados mostraram que os sommeliers com carreiras mais longas exibiam tecido melhorado e mais saudável no córtex entorrinal, sugerindo que o treinamento especializado poderia resultar em aprimoramentos no cérebro até a idade adulta. “Isso é importante, considerando que as regiões envolvidas são as primeiras a serem afetadas por muitas doenças neurodegenerativas”, disse Sara.

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Da redação

Publicado em 17 de Julho de 2019 às 19:00


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