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Viticultores contam como é produzir vinho no deserto e nos arredores de Las Vegas

Cidade que receberá uma etapa noturna da Fórmula 1 é famosa pelos cassinos e agora vinho


Vinícolas desbravam o Deserto de Mojave, o mais seco da América do Norte
Vinícolas desbravam o Deserto de Mojave, o mais seco da América do Norte

Quando se fala em Las Vegas dificilmente pensará em vinho, ao menos que esteja se imaginando com uma taça na mão nos inúmeros cassinos e casas de show da cidade ou apreciando as mais incríveis adegas. Ainda mais quando lembramos que a “Cidade do Pecado” está fincada no meio do Deserto de Mojave, o mais seco da América do Norte.

Porém, a Universidade de Nevada tem um projeto que há mais de 25 anos estuda como os vinhedos e as uvas se comportam no solo do local e até já desenvolveu tecnologias para lidar com a falta d’água, criando o que eles chamam de rede de umidade e levando essa ideia para as vinícolas que se aventuram por lá.

“Sempre penso quando as pessoas perguntam sobre água e uvas, o ditado de que ‘para ter um bom vinho, você precisa fazer as uvas sofrerem’, e elas sofrem um pouco aqui, mas você pode fazer um ótimo vinho”, diz o professor M.L. Robinson da Universidade de Nevada.

Para os viticultores da região isso não é nenhuma novidade, “O que diabos uma vinícola está fazendo aqui no meio do deserto?”, é a pergunta que Jack Sanders, proprietário da vinícola Sanders Family Winery, mais ouve desde 1988 quando se instalou na região.

Viticultores contam como é produzir vinho no deserto e nos arredores de Las Vegas
Imagem traz detalhe do solo de Nevada

“A uva chardonnay adora ter dias quentes, mas noites frescas. Pinot Noir é semelhante a isso. O restante das uvas passa por todo o processo de vinificação, praticamente suporta dias quentes e noites quentes. E então o fato é que tem a ver com a secura do clima”, diz o produtor.

Quando perguntado o que levou a desbravar o deserto ele explica que a região "atraiu meu senso de ganância e meu senso de preguiça", brinca. "Me disseram que a pessoa da indústria do vinho média trabalhava cerca de 90 dias por ano. Eu vou te dizer isso, eu não tive um dia de folga este ano até agora".

O resultado desses desbravadores e a parceria com a Universidade de Nevada já deu frutos, além de atrair novos empreendimentos para a região, os vinhos do Deserto de Mojave estão se destacando nas competições e entre os críticos.

A universidade destaca ainda a importância do estudo para outras regiões do mundo que podem passar a sofrer com maior calor com as mudanças climáticas. Por lá, as técnicas estão funcionando e o vinho está ganhando cada vez mais fãs.

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André De Fraia
Publicado em 31/03/2022, às 10h00


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