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Vinhos tintos australianos

Conheça o melhor dos vinhos produzidos na Austrália, com variados estilos e faixas de preço


Canguru em Vinhedo Australiano

A motivação para esta degustação de tintos australianos veio pelos bons resultados de importação obtidos pela Austrália, mesmo diante de todo esse período de turbulência e de recessão pelo qual o Brasil está passando. Entre 2014 e 2015 houve um crescimento de 25,07% em valor, conforme artigo publicado em edições anteriores de ADEGA.

Mesmo com esse grande crescimento, os números de importação e de consumo da Austrália são muito pequenos quando comparamos aos números de países como Chile, Argentina, Portugal, Itália e França. Certamente, isso não tem relação com a qualidade dos vinhos ou o gosto do brasileiro, mas talvez ocorra pela distância, afinal, o país está do outro lado do mundo, ou pelo foco mais intenso dos próprios produtores australianos em mercados mais relevantes para eles atualmente, como os da Inglaterra e dos Estados Unidos, por exemplo. 

Na verdade, qualidade e diversidade eles têm de sobra, como pudemos atestar nessa surpreendente e agradável degustação, que resultou na seleção de 21 rótulos de várias regiões, sendo nove Shiraz, cinco cortes de Shiraz com outras variedades, dois cortes de Cabernet Sauvignon e Merlot, dois Grenache, um Cabernet Sauvignon, um Pinot Noir e um Durif (Petite Syrah).

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Todos esses vinhos mostraram fruta de ótima qualidade (umas de estilo mais maduro e opulento que outros) e taninos bem resolvidos. Mais importante, mostraram consistência em diversas faixas de preço, desde as mais acessíveis até as de preço mais elevado. Um outro ponto relevante foi a acidez e o frescor de parte dos vinhos, que surpreendeu os degustadores, e que ficaram mais evidentes nos rótulos de safras mais recentes, já que os exemplares das safras 2008, 2009 e 2010, coincidentemente, foram os que mostraram aquele conhecido estilo mais untuoso, potente e cheio, que fez a fama dos vinhos australianos nas décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000. Tal constatação mostrada em nossas taças nos leva a crer que a onda de fruta mais fresca, de vinhos menos extraídos, de mais tensão e acidez também chegou por lá, o que é um ótimo sinal.

Esperamos que se divirtam explorando e experimentando nossa seleção, tanto quanto nós nos divertimos degustando e selecionando esses rótulos. Desfrutem. 

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AD 92 pontos

BEAR CROSSING CABERNET MERLOT 2013

Angove, South Australia, Austrália (La Pastina R$ 64,43). 65% Cabernet e 35% Merlot, sem passagem por madeira. O Bear Crossing é um vinho que já começa a atingir um patamar de “mustdrink” australiano, tudo por oferecer excelente relação preço-qualidade e pela tradição da vinícola Angove, que produz vinhos desde 1886. Tanto no nariz como na boca abre com agradável doçura combinada a frutas vermelhas frescas. Já no paladar, essa nota doce é acompanhada de balanceada acidez, o que faz com que seu sabor perdure na boca em um longo final. Álcool 14%. MSL  

AD 91 pontos

BLOODSTONE SHIRAZ 2010

Gemtree Vineyards, Mclaren Vale, Austrália (Vinci US$ 59,90). 100% Shiraz, com estágio de 14 meses em barricas de carvalho francês. Quando se fala em vinhos australianos muitas vezes pensamos em vinhos especiados e bastante densos. O Bloodstone é exatamente esse tipo de vinho. Sua coloração densa e profunda chega a ser quase negra, no nariz diversas especiarias aparecem – noz moscada, canela, alcaçuz – que se combinam de maneira muito agradável. Na boca, é bastante concentrado e seus taninos são vívidos, mas muito bem trabalhados e elegantes. MSL  

AD 90 pontos

BROKENWOOD PINOT NOIR 2008

Brokenwood Wines, Victoria, Austrália (KMM R$ 198). 100% Pinot Noir, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês. Mostra cerejas e framboesas maduras envoltas por notas florais, minerais, de ervas frescas e de especiarias, que se confirmam na boca. Estruturado e carnudo, tem ótima acidez e taninos de boa textura que equilibram e sustentam essa fruta mais madura e de perfil mais adocicado. Tem boa tipicidade e final persistente, com toques minerais. Álcool 14%. EM 

AD 90 pontos

CLARENDON HILLS BAKERS GULLY SYRAH 2009

Clarendon Hills, McLaren Valley, Austrália (Viníssimo R$ 382,56). 100% Syrah, com estágio de 18 meses em barricas de carvalho, sendo 60% novas. Esse belo “Cru” possui visual violáceo fechado, aroma complexo e intenso com notas evoluídas, fruta negra quase passada, cânfora e traços de pimenta verde. Muito equilíbrio e frescor no paladar, tem taninos de qualidade, que garantem textura muito agradável, além de acidez viva e longa persistência. Um grande tinto, para momentos especiais. Álcool 14,5%. JPG  

AD 92 pontos

CLARENDON HILLS CLARENDON GRENACHE 2009

Clarendon Hills, McLaren Valley, Austrália (Viníssimo R$ 382,56). 100% Grenache advinda do vinhedo Clarendon, com estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas. Apresenta exuberantes aromas de cerejas e groselhas, bem como notas florais, de especiarias picantes e de ervas secas, além de toques tostados, de tabaco e de chocolate. Frutado, tem acidez vibrante, taninos de ótima textura e pelo equilíbrio do conjunto. Álcool 14,5%. EM  

AD 89 pontos

HARDY’S STAMP OF AUSTRALIA SHIRAZ CABERNET 2014

Hardy’s, South Australia, Austrália (Inovini R$ 75,90). 75% de Shiraz e 25% de Cabernet Sauvignon, este tinto tem estágio parcial em madeira antes de ser engarrafado. Frutado e estruturado, tem taninos macios e acidez na medida, tudo envolto por amoras e cerejas maduras, além de toques tostados, especiados, florais e de tabaco. Álcool 13%. EM  

AD 91 pontos

HEARTLAND SHIRAZ 2010

Heartland Wines, Langhorne Creek, Austrália (Grand Cru R$ 144). 100% Shiraz, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. Mostra ameixas e cassis seguidas de notas florais, terrosas, de ervas secas, de especiarias picantes e de chocolate amargo. No palato, impressiona pelo equilíbrio do conjunto, é estruturado e carnudo, tem ótima textura de taninos, acidez refrescante e final longo e cheio, com toques minerais. Álcool 14,8%. EM 

AD 88 pontos

JACOB’S CREEK SHIRAZ CABERNET 2011

Jacob’s Creek, South Eastern, Austrália (Casa Flora R$ 52,78). 60% Shiraz e 40% Cabernet Sauvignon, com breve passagem por madeira. Possui visual rubi atijolado, seu aroma apresenta bom volume de fruta preta, com toques herbáceos e nota tostada. Vinho cheio e muito redondo em seu paladar, tem frutas maduras, taninos doces e macios, tudo no seu devido lugar. Direto e bem resolvido. Álcool 13,1%. JPG 

AD 93 pontos

JOHN DUVAL PLEXUS 2010

John Duval, Barossa Valley, Austrália (Cantu R$ 829). 51% Shiraz, 30% Grenache e 19% Mourvèdre, com estágio de 15 meses em barricas de carvalho francês. Complexo no nariz, traz aromas de frutas negras maduras seguidas de notas florais e de especiarias doces, além de toques de chocolate e de baunilha. No palato, tem um estilo mais maduro, potente e estruturado, mas bem sustentado por sua ótima textura taninos, acidez refrescante e final persistente, com toques de grafite. Álcool 13,1%. EM 

AD 91 pontos

KILIKANOON PRODIGAL GRENACHE 2012

Kililkanoon, Clare Valley, Austrália (Decanter R$ 226,20). 100% Grenache, com estágio de 16 meses em barricas de carvalho francês. Um ótimo exemplar de Grenache australiano. Nariz de boa densidade, onde se combinam notas de blueberry e chocolate amargo. Seu paladar é bastante complexo e pleno, com acidez e taninos muito bem trabalhados e um excelente corpo médio alto. Seu final de boca é longo e marcante. Álcool 14,5%. MSL 

AD 89 pontos

OXFORD LANDING SHIRAZ 2011

Oxford Landing Estates, South Australia, Austrália (KMM R$ 108). 100% Shiraz, com estágio de nove meses em barricas de carvalho francês. A palavra cereja certamente é a mais incidente neste agradável Shiraz, ela surge desde de sua coloração bela e vívida, passando por seu nariz bastante cheio, onde essa fruta aparece em sua forma compotada e finaliza reaparecendo como ginja. Aliás, em boca, demonstra boa concentração de frutas vermelhas acompanhadas por sutil nota tostada do carvalho e por taninos leves e bem trabalhados. 

AD 90 pontos

RICHLAND CABERNET SAUVIGNON 2012

Westend Estate, Riverina, Austrália (KMM R$ 96). 100% Cabernet Sauvignon, com estágio em barricas de carvalho. As notas florais, herbáceas e de especiarias envolvem os aromas de cerejas e amoras, que se confirmam na boca. Suculento e estruturado, tem ótima acidez, taninos de boa textura e final persistente, com toques terrosos e de ervas secas. Álcool 14%. EM 

AD 90 pontos

TATACHILLA PARTNERS CABERNET SHIRAZ 2010

Tatachilla Wines, Mclaren Vale, Austrália (KMM R$ 112). 70% Cabernet Sauvignon e 30% Shiraz, sem passagem por madeira, duas uvas que se adaptaram muito bem ao terroir australiano. Seu nariz já demonstra certa elegância combinando cerejas e groselhas frescas. Na boca, a característica elegante se repete mostrando seus sabores em camadas e, aos poucos, terminando com excelente persistência. Álcool 14%. MSL 

AD 90 pontos

TATTY ROAD SHIRAZ 2010

Gemtree Vineyards, South Australia, Austrália (Vinci US$ 39,90). 100% Shiraz, com passagem por barricas de carvalho. Amoras e framboesas envolvem as notas florais, minerais, especiadas e de ervas frescas. No palato, é frutado e estruturado, tem gostosa acidez, taninos de boa textura e final persistente. Álcool 14%. EM 

AD 92 pontos

THREE BRIDGES DURIF 2010

Westend Estate, Riverina, Austrália (KMM R$ 219). 100% Durif (Petite Syrah), com estágio de 18 meses em barricas de carvalho americano. Nariz mais austero, mostra aromas de frutas negras e vermelhas mais frescas envoltos por notas florais, de especiarias picantes e de ervas secas. Mostra uma fruta mais madura, mas impressiona pela estrutura e textura de seus taninos que, juntamente com sua acidez, traz tensão e sustentação ao conjunto. Álcool 14%. EM 

AD 92 pontos

TOURNON MATHILDA CHAPOUTIER SHIRAZ 2012

Chapoutier, Victoria, Austrália (Mistral US$ 42,25). 100% Shiraz, sem passagem por madeira. De ótima tipicidade, é exuberante em aromas, rico em textura. Este tinto mostra acidez vibrante e fruta de ótima qualidade. Tem final persistente, com toques salinos e de frutas mais frescas. Álcool 14%. EM  

Eduardo Milan

Publicado em 26 de Janeiro de 2019 às 11:00


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Artigo publicado nesta revista