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  • De olho no Oregon

    A busca pelo seus terroirs fazem preços explodirem e cada vez mais vinícolas francesas buscam um local sob o sol do Oregon

    Maison Louis Jadot, Joseph Drouhin e Bollinger são alguns dos nomes franceses que agora estão no Oregon

    A região de Willamette é a maior e, por enquanto, a mais famosado estado
    A região de Willamette é a maior e, por enquanto, a mais famosado estado

    por Silvia Mascella Rosa

    Você conhece os nomes: Maison Louis Jadot, Joseph Drouhin, Bollinger, certo? Franceses de raízes históricas. O que você, talvez, não saiba é que essas empresas têm os pés fincados em terroirs do outro lado do oceano Atlântico, mais precisamente, bem ao lado do Pacífico. Todas possuem propriedades no estado americano do Oregon, que tem percebido, nos últimos anos, a contínua chegada de produtores franceses.

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    Os motivos dessa busca são vários, quer sejam recentes, como os incêndios florestais que tem atingido a Califórnia (vizinha do estado abaixo) colocando terroirs em perigo e elevando o custo dos seguros aos céus, quer seja a qualidade potencial das uvas (especialmente a Pinot Noir) que são produzidas nesse estado frio e a possibilidade de cultivar vinhedos que seguem os princípios da agricultura orgânica e em alguns casos da biodinâmica e fazer grandes vinhos, vendendo-os para os próprios americanos, ávidos consumidores.

    O estado do Oregon, penúltimo estado americano da costa oeste antes da fronteira com o Canadá, só perde em número de vinícolas para a Califórnia.

    São três as zonas de cultivo: bem ao norte, em direção da divisa com o estado de Washington está a AVA de Willamette Valley, ao centro está a AVA de Umpqua Valley e ao sul as AVAs de Rogue Valley e Applegate Valley. A região de Willamette é a maior e, por enquanto, a mais famosa, com seus Pinot Noir recebendo críticas animadas de degustadores de todo o mundo (ADEGA já degustou alguns e se saíram muito bem, veja as resenhas em “O melhor vinho”). A busca de bons terroirs para a delicada uva Pinot Noir faz com que a especulação de terras esteja aumentando no estado: "Os grandes players do mercado de vinhos estão dizendo que está faltando algo no portfólio deles se não tiverem um Pinot Noir do Oregon", diz Jesse Lyon, um advogado da indústria vitivinífera que trabalha para o escritório Davis Wright Tremaine, no estado.

    A busca pelo seus terroirs fazem preços explodirem e cada vez mais vinícolas francesas buscam um local sob o sol do Oregon
    O estado do Oregon é o penúltimo estado americano da costa oeste antes da fronteira com o Canadá

    Na imobiliária Oregon Vineyard Property, o agente Matt Tackett conta que os vinhedos e vinícolas ainda tem um preço bom em relação aos da Califórnia e que fusões e compras, como a do Champagne Bollinger (que adquiriu a Sherwood's Ponzi Vineyards, fundada em 1970) no ano passado, atraem ainda mais a atenção; "Quando você tem grandes nomes chegando, você ganha mais credibilidade com os grandes players", explica Tackett, contando também que isso ajuda os pioneiros da região (que começaram nos anos 1960 até 1980) a venderem e se aposentarem.

    Um dos primeiros grupos franceses na região, a Maison Joseph Drouhin (fundada na Borgonha em 1880) chegou ao Oregon em 1987, nas colinas de Dundee, onde hoje possuem 124 hectares, quase todos de Pinot Noir, com algumas fileiras de Chardonnay entre as de Pinot, da mesma forma que a empresa faz na Borgonha. O sucesso do cultivo fez com que a empresa adquirisse vinhedos também em outra parte do vale de Willamette, o vinhedo Rose Rock em Eola-Amity Hill."Creio que por conta de nosso desejo histórico de obter o melhor de cada terroir, eu passei a dar muita atenção às filosofias de cultivo sustentável", afirma Philippe Drouhin, viticultor da Maison na França e também do Domaine Drouhin Oregon: "Eu analisei nossas práticas e me convenci de que o cultivo orgânico e a biodinâmica são importantes. E é bem mais fácil fazer isso no Oregon do que na Borgonha", completa

    Trabalhando com diferenças em mundos que a princípio pareciam iguais, alguns viticultores tiram lições importantes: "Eu trouxe técnicas do velho mundo comigo para o Oregon. Algumas funcionaram, outras não. Daí você se adapta. E achei aqui soluções para problemas que tinha na França, pois passei a pensar fora do sistema", conta Dominique Lafon, sócio da Língua Franca, em Eola-Amity Hill, que tem obtido enorme sucesso com seu Chardonnay, além do Pinor Noir. Ele é a quinta geração do Domaine de Comtes Lafon, da Côte de Beaune em Mersault. Língua Franca, aliás, significa para os proprietários, uma língua em comum, o ponto de encontro de diversas culturas. Perfeito para o Oregon vitivinícola.

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