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  • Grandes Degustações

    Dez safras do ícone Château Latour

    Provamos e analisamos 10 safras do Château Latour, incluindo as míticas 1959, 1961 e 1982

    por Eduardo Milan

    Sentar-se à mesa para jantar provando dez das melhores safras de todos os tempos produzidas pelo ChâteauLatour. Tarefa fácil? Prazerosa, com certeza, porém, nada simples. Muito mais do que degustar e desfrutar de cada uma dessas joias, nosso desafio é o de analisá-las com imparcialidade, sem se deixar levar pela fascinação (parte mais “complicada”, dada a grandeza da degustação), mas sem desprezar a história e a tradição inserida em vinhos desse calibre.

    Regendo a orquestra de modo impecável esteve o mestre Manoel Beato, acompanhado de Marcelo Batista, sommelier da Clarets. Com o ritmo dado ao serviço, cada flight pôde ser degustado antes da chegada do prato, e as taças permaneceram na mesa até o final do jantar, para que cada um pudesse voltar, reavaliar e perceber novas nuances e evolução de cada um dos vinhos, o que é fundamental em tintos complexos e cheios de sutilezas como os provados.

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    A recepção foi feita com a champanhe Cristal Rosé Brut 1995, servida para acompanhar vieiras com caviar, grão de bico e presunto cru, prenúncio e ótima preparação do que viria pela frente. A equipe de salão do Fasano esteve perfeita no cuidado com a organização e com o serviço fluido e discreto, e a equipe de cozinha brilhou com a qualidade impecável de cada um dos cinco pratos servidos, harmonizados por Beato.

    Cinco flights

    A degustação vertical foi dividida em cinco flights de dois vinhos cada, seguindo uma ordem cronológica do mais novo para o mais antigo. A decisão foi muito acertada, pois separou os vinhos dos mais frutados e jovens para os mais complexos e sofisticados, assim como os pratos que os acompanharam. Tal escolha de serviço, de dois em dois, com bons intervalos entre cada flight, instigou entre os comensais uma agradável e didática troca de experiências, além de uma análise mais detalhada de cada safra.

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    A degustação foi dividida em cinco flights de dois vinhos cada, seguindo uma ordem cronológica do mais novo para o mais antigo

    Na primeira bateria foram degustados o 2003 e o 2000 na companhia de ravióli de stracchino e ricota com ragu de codorna e porcini. Na segunda bateria, os vinhos 1995 e 1990 foram escoltados por calamarata com ragu de linguiça e abobrinha. Continuando, na terceira bateria, com as safras 1989 e 1982, foi servido risoto com morilles e pera. Já na quarta bateria, o 1975 e 1970 foram acompanhados de confit de pato com polenta cremosa. E, por fim, uma deliciosa costela de cordeiro ao forno com molho de Armagnac e torta de cebola roxa casou perfeitamente com os icônicos 1961 e 1959.

    Como despedida, uma tábua de queijos franceses selecionados por Guilherme Lemes, proprietário da Clarets, em sua última viagem à França, acompanhou com maestria o não menos especial Château d’Yquem 1986, fechando a noite com maestria.

    BLEND DE SAFRAS IGUAIS?

    Um cuidado extra durante a degustação: duas garrafas de cada safra de Latour foram abertas e mescladas (com exceção da 1959 e 1961 que foram servidas em magnum), para garantir que todos os convivas tomassem exatamente o mesmo vinho, já que não é incomum que haja diferença entre duas garrafas da mesma safra, ainda mais quando tratamos de colheitas mais antigas.

    O TERROIR LATOUR

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    Latour possui 78 hectares de vinhas em Pauillac, sendo 47 que rodeiam o Château, chamados de L’Enclos. Só uvas desse local são usadas para o Grand Vin. O solo é formado por pedras de seixo na parte superior. Abaixo do cascalho – que permite a passagem da água e absorve o calor – vem a argila. Em L’Enclos, 80% das uvas plantadas são Cabernet Sauvignon, e as vinhas possuem raízes de cerca de 5 metros. A Merlot, plantada em regiões mais baixas, representa 18% do total. Os outros 2% são de Cabernet Franc e Petit Verdot. As vinhas têm, em média, 40 anos.

    A VERTICAL DE LATOUR SAFRAS

    1959, 1961, 1970, 1975, 1982, 1989, 1990, 1995, 2000 E 2003

    AD 98 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 1959

    (EM MAGNUM) Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Muito complexo como era de se esperar e ainda supervivo demorou para se mostrar, porém, com tempo na taça, aparecem notas medicinais, de ervas e de couro, além de toques de cânfora. No palato, os taninos de grãos finos e a vibrante acidez complementam tudo. Classudo e delicado, tem final longo e persistente, com toques terrosos. EM

    AD 100 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 1961

    (EM MAGNUM) Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Mostra ameixa, cânfora, notas terrosas e de ervas maceradas. Mais frutado e concentrado, confirma o nariz, tem ótima acidez, taninos finíssimos e longa persistência (mais de um minuto), com toques minerais e de sous bois. Intenso, denso e incrivelmente equilibrado, ainda tem potencial para evoluir confirmando a fama desta safra. EM

    AD 98 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 1970

    Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Nariz incrivelmente jovem, com essa percepção se confirmando no palato. Concentrado, vivo, rico, tem acidez vibrante e finíssimos taninos. Complexo, mostra eucalipto, cedro, pimentão vermelho assado, além de toques especiados e de grafite. Tenso e vibrante, tem final persistente (mais de 50 segundos), com deliciosas notas de cerejas ácidas. EM

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    AD 94 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 1975

    Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Aqui já se sente um pouco das notas de evolução, com toques terrosos, de cânfora, de camurça, além de traços de esparadrapo. Boca redonda, sedutora e elegante, com menos persistência quando comparado ao 1959, 1961 e 1970, mas muito gostoso de beber. Tem deliciosa acidez e taninos de ótima textura. EM

    AD 100 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 1982

    Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Faz jus à fama dessa icônica safra em Bordeaux. Muito jovem, é exuberante tanto nos aromas quanto nos sabores. Mostra ameixas envoltas por notas de ervas e de alcaçuz, tudo envolto por acidez vibrante e taninos de grãos finíssimos. Muito longo (mais de um minuto e meio), tem final com toques florais, de cânfora e de mel. Ainda com longa vida pela frente. EM

    AD 94 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 1989

    Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Aqui se percebe um Latour que foge do estilo comum ao vinho. Tem menor concentração e mostra perfil menos exuberante, mantendo os taninos de excelente textura e a vibrante acidez. Mais austero, tem final de boa persistência, com toques cítricos e terrosos. Mais austero e elegante, é discreto para os padrões do Latour. Definitivamente, um Bordeaux para os amantes da Borgonha. EM

    AD 97 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 1990

    Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Já apresenta toques de evolução tanto no nariz quanto na boca. Tem taninos sedosos, refrescante acidez e final persistente, com traços de tinta guache e de cânfora. Depois apareceram notas florais, de favo de mel e de cereja ao licor, que conferiram um ar sedutor ao vinho. Denso, sedoso e estruturado. EM

    AD 95 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 1995

    Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Ainda um pouco acanhado no nariz, mas já incrivelmente sedoso e elegante, mostrando taninos aveludados, deliciosa acidez e longo final, com toques terrosos e de sangue, além de notas de ervas secas e de cogumelos no final de boca. Muito jovem, mantém o estilo puro e concentrado da casa. EM

    AD 98 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 2000

    Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Muito jovem ainda, mostra o estilo concentrado, profundo e equilibrado da casa de modo evidente. Menos exuberante, mais austero e vertical quando comparado ao 2003. Tem taninos finos lembrando giz e final muito longo (quase um minuto de persistência), com toques de grafite. Classudo, preciso e compacto, seu futuro promete. EM

    AD 96 pontos

    CHÂTEAU LATOUR 2003

    Château Latour, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Ainda um bebê, impressiona pelo volume de boca, pela concentração e pela potência, tudo em meio a muita fruta. Estruturado, tem final longo e persistente, com toques terrosos, de camurça, de cogumelos e de ameixas bem maduras. Sem dúvida, um grande vinho, mas com estilo mais exuberante e generoso quando se pensa em Latour. EM

    OUTROS VINHOS DEGUSTADOS DURANTE O JANTAR

    AD 97 pontos

    CHÂTEAU D’YQUEM 1986

    Château d’Yquem, Bordeaux, França (Clarets - sob encomenda). Branco doce composto de uvas 80% Sauvignon Blanc e 20% Sémillon atingidas pela podridão nobre, com fermentação e estágio de 42 meses em barricas novas de carvalho francês. Impressiona tanto pela juventude quanto pela exuberância e complexidade aromática. Incrivelmente concentrado, mas com equilíbrio entre acidez e doçura na mesma proporção. Untuoso e de excelente persistência, mostra cítricos e damasco em compota acompanhados de notas minerais, de cogumelos, de especiarias doces e de cera de abelha, além dos clássicos toques de botrytis. Memorável, justifica a fama de ser considerado por muitos a melhor safra produzida desde a lendária 1937. Álcool 12,5%. EM

    AD 96 pontos

    LOUIS ROEDERER CRISTAL ROSÉ BRUT 1995

    Louis Roederer, Champagne, França (Clarets - sob encomenda). Espumante rosé brut elaborado a partir de 55% Pinot Noir, 45% Chardonnay, mantido, no mínimo, 72 meses em contato com as borras e com estágio de 20% do vinho base em barris de carvalho. Muito complexo tanto no nariz quanto na boca, mostra cogumelos, trufas e notas terrosas, tudo num contexto de vibrante acidez, grande mineralidade, muita cremosidade e longa persistência (retrogosto de mais de 40 segundos). Ainda com longa vida pela frente, aqui se sente toda a força da Pinot Noir de modo elegante e preciso. Álcool 12%. EM

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    Château Latour

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