Almaviva

En Primeur Almaviva

Raixo-X do ícone na safra 2017


União de culturas Almaviva une França e Chile, Château Mouton Rothschild e Viña Concha y Toro

Quando escrevemos esta matéria, Almaviva 2017 estava a alguns dias de ser lançado na Place de Bordeaux. E seu diretor e enólogo, Michel Friou, nos apresentou a safra em um jantar exclusivo. Um dos enólogos mais técnicos que conheço, Michel tem uma personalidade multidimensional como seus vinhos. Ao mesmo tempo tímido e brincalhão, ele conjuga um profundo conhecimento com o genuíno interesse pela opinião dos outros.

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Michel Friou, apresenta sua nova criação Almaviva 2017

Michel faz apenas 2 vinhos: Almaviva e seu "second vin", Epu (que por hora só é vendido no Chile e Brasil). Por isso, seu trabalho está definido pela profunda sintonia com seu vinho e seu vinhedo, e menos às experimentações e excentricidades. Apesar disso, sua mente curiosa estuda e analisa tudo que acontece no mundo do vinho, sobretudo no Chile. Para ele todos tem seu papel, e cada um deve realizar bem o seu. Nesse contexto, Michel enxerga os pequenos projetos como oxigenadores e catalisadores de mudanças importantes na indústria.

 

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Comparo a relação de Michel e seu Almaviva à de um piloto de Fórmula 1 pilotando uma máquina de ponta. O desafio está em manejar os milisegundos. Um trabalho que somente gente com este apego ao estudo, conhecimento e detalhe consegue executar com maestria. Isto não quer dizer ausência de riscos (até porque a natureza os provê com abundância), mas quer dizer enfrentar situações de risco de forma determinada, decisiva e amparado pelo conhecimento e experiência. E, num contínuo, incorporar o aprendizado no arcabouço de conhecimento e ferramentas.

Foi assim nas últimas 3 safras de Almaviva. 2015 foi o vinho Miss Universo, com tudo no lugar, equilibrado, beirando a perfeição de frutas cristalinas e taninos precisos. Um vinho polido e sem arestas, do tipo que nos faz suspirar. O 2016 foi um pouco mais rebelde, e com a beleza da rebeldia, muito fresco, vibrante e com taninos graniticos e profundos, a perfeição da imperfeição.

Vinhedos lindos plantados sobre um antigo campo de pólo deu origem ao ícone chileno

Chegamos para degustar o 2017 pensando para qual dos dois lados iria. E ele não foi para nenhum dos dois... A explicação é simples: respeito ao terroir.

Almaviva é sempre Almaviva, mas lembre-se de que estamos falando de milissegundos, e que cada uma das três safras foi esculpida pelo clima de seu ano. 2015 um ano equilibrado como seu vinho, 2016 um ano frio e 2017 um ano quente. Assim, cada vinho foi pintado com as matizes que o clima entregou.

Segundo Michel, algumas pessoas dizem que 2017, além de mais quente, foi muito seco, mas ele argumenta que "se tomamos os dados de junho de 2016 a maio 2017 temos apenas 178 ml de chuva”. Mas, acrescenta, “se agregamos a chuva que caiu em abril e maio de 2016, chegamos a 300 ml, e isto formou uma reserva hídrica." Gostamos de datas de corte, mas a sabedoria de Michel nos lembra que a natureza vive um ciclo infinito.  Quanto à temperatura, ele concorda que foram altas, e como sempre tem dados para corroborar sua análise: "a temperatura do ano foi 2 graus mais elevada que o promédio, o que é muito!"

Nesta safra, era aí que estavam os milisegundos a tirar. Um ano quente e muito precoce. "Colhemos o Merlot em 9 de março, três semanas antes do normal. E o primeiro Cabernet Sauvignon em 10 de abril. Terminamos a vindima em 27 de abril ao invés de fim de maio." Além de precoce, a safra teve o rendimento muito mais baixo "quase 40% menos nas vinhas antigas". Mas fique tranquilo que a média de 15 mil caixas de Almaviva está garantida. "Em um ano normal, Almaviva usa em torno de 55% das uvas, Epu 15% e vendemos 30% a granel. Esse ano, Almaviva usou quase 60% da produção" diz Michel.

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Almaviva 2017, Almaviva, Chile VCT, Clarets e Devinum AD 95pts

Este ano o blend foi 65% Cabernet Sauvignon , 23% Carmenére, 5% Cabernet Franc, 5% Petit Verdot e 2% Merlot, com 14,5% de álcool.

O nariz é exuberante, com muita fruta que em boca se revela mais madura que no nariz, graças ao frescor de mentol, cassis e um moccha da madeira, típico de um vinho ainda jovem em garrafa. A boca é uma festa com muita fruta. Ameixa madura, opulenta e vibrante. O Merlot volta ao corte após anos, mas é o Petit Verdot que sela este vinho com sua maior participação histórica, contribuindo para a carnosidade, característica que marcam o meio e fim de boca. Além da explosão de frutas, a textura de taninos musculosos e ao mesmo tempo doces encantam neste vinho, juntamente com um perfil profundamente salino, que contribui para fazer de um vinho com esta força um grande parceiro da boa mesa. CB

Lições de Michel Friou para esta noite:

- o cliclo da natureza não começa e nem se encerra em uma data do calendário. A chuva de um ano forma uma reserva hídrica que ajuda a colheita seguinte;

- em anos muito quentes, fazer menos remontagens é fundamental para controlar a extração e garantir elegância;

- a salinidade nos anos quentes é explicada fisicamente. Podemos ver que nos desertos o sal aflora. O mesmo acontece nos anos onde as chuvas (por insuficiência) não diluem e aprofundam o sal no solo.

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Christian Burgos

Publicado em 2 de Setembro de 2019 às 17:13


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