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Estudo mostra que quem bebe moderadamente na meia - idade tem menor probabilidade de desenvolver demência

Pesquisa do Whitehall II acompanha saúde de funcionários públicos britânicos


Uma pesquisa publicada em agosto apontou a ligação entre o consumo moderado de bebidas alcoólicas durante a meia-idade e uma menor chance de desenvolver demência. As descobertas são baseadas em dados do estudo Whitehall II, um projeto que acompanha a saúde de funcionários públicos britânicos que estavam entre as idades de 35 e 55 anos em 1985 (quando o projeto começou). Para a nova pesquisa, a equipe de cientistas franceses e britânicos reuniu 23 anos de dados de 9.087 participantes de Whitehall II, incluindo registros hospitalares e níveis de consumo de álcool.

Os participantes classificados como “abstêmios” foram os que se abstiveram totalmente do álcool, os que pararam de beber no início do estudo e os que bebiam com pouca frequência durante o período. Aqueles que bebiam regularmente foram divididos em dois grupos adicionais: os que bebiam entre 1 e 14 unidades de álcool (uma unidade equivale a 10 mililitros de álcool puro, ou um pouco mais da metade de uma taça de vinho comum) por semana e os que bebiam acima dessa taxa.

Com base em 397 casos de demência registrados em hospitais, os pesquisadores descobriram que o grupo que se absteve de álcool e o grupo que bebeu mais de 14 unidades por semana mostraram estar em maior risco de desenvolver demência do que os bebedores moderados. Além disso, entre os que bebiam mais de 14 unidades por semana, cada sete doses adicionais aumentava o risco de demência em 17%.

O estudo aponta que as causas subjacentes para o aumento do risco são provavelmente diferentes para cada um dos dois grupos de maior risco. Os abstinentes, por exemplo, mostraram ter uma maior prevalência de doença cardiometabólica (acidente vascular cerebral, doença coronariana, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca e diabetes), o que poderia contribuir para o desenvolvimento da demência. Os pesquisadores também descobriram que o histórico de internação hospitalar por doenças relacionadas ao álcool estava associado a um risco quatro vezes maior de demência.

DIFERENTES BEBIDAS

O estudo foi focado principalmente no consumo de álcool de forma genérica, mas os autores notaram um padrão entre os diferentes tipos de bebidas. Os participantes do grupo de 1 a 14 unidades por semana eram mais propensos a beber vinho, enquanto aqueles que consumiam mais de 14 unidades por semana bebiam mais cerveja.

Os pesquisadores também reconheceram algumas das deficiências do estudo. “Uma limitação fundamental, como em outros estudos observacionais, é a medição do consumo de álcool usando apenas o que o paciente fornece de dados”, diz. Outra grande limitação é a forma como bebedores e abstêmios foram categorizados. Como os participantes só começaram a registrar seus hábitos de consumo durante a meia-idade, faltam informações sobre o quanto eles beberam nos primeiros anos; e esses padrões poderiam ter tido um efeito. Além disso, o amplo uso do termo “abstêmios” para incluir aqueles que ocasionalmente bebiam pode ter resultados distorcidos.

Arnaldo Grizzo

Publicado em 20 de Novembro de 2018 às 17:00


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Artigo publicado nesta revista

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