Grandes degustações

O melhor do vinho argentino

Colocamos em prova alguns dos principais vinhos argentinos para comprovar a qualidade do que é feito na Argentina


Desde o início da década de 1990, pôde-se observar um salto significativo na qualidade dos vinhos argentinos e seus vinhos passaram a receber atenção mundial. Recentemente, os vinhos argentinos se revelaram uma das descobertas mais relevantes do mercado americano com seu emblemático Malbec. Como resultado de todo este trabalho, domínio de seu terroir e qualidade crescente, alguns ícones surgem em suas terras.

Para comprovar essa qualidade e o ecletismo argentino, a ADEGA promoveu uma degustação especial no restaurante Aguzzo, em São Paulo. Os convidados Marcello Jallas, Luiz Carlos Cabral, Paulo Valério, Gabriel Zipman, Flavia Vilan, além de Christian Burgos - publisher da revista - e Eduardo Milan - editor de vinhos - tiveram oportunidade de provar sete rótulos selecionados num painel muito representativo e desafiador. Fomos além dos tintos feitos a partir da emblemática Malbec, e nos aventuramos também em cortes com Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Bonarda, além de um varietal de Cabernet Franc.

A prova

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Além do nível qualitativo altíssimo às cegas, estrutura dos vinhos argentinos se provou excelente para acompanhar a refeição

Devido ao fato de alguns desses vinhos serem mais conhecidos do público em geral do que os outros, embora estejam no mesmo patamar de qualidade, a escolha de ADEGA foi conduzir os trabalhos às cegas para que todos os convidados encarassem a degustação com "a mente aberta", sem que houvesse qualquer tipo de sugestionamento ou influência na avaliação.

Os vinhos servidos, nessa ordem, foram: Pulenta XI Gran Cabernet Franc 2007, Vistalba Corte A 2008, Nicolas Catena Estiba Reservada 2006, Cheval des Andes 2007, Trapiche Iscay 2007, Alfa Crux Malbec 2007 e Trivento Eolo 2008.

Todas as garrafas foram desarrolhadas com cuidado e servidas nas taças com trinta minutos de antecedência, para que cada um dos vinhos pudesse "abrir" e mostrar todas as suas facetas, bem como seu potencial e sua complexidade.

Os eleitos

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Em uma disputa acirrada, os campeões foram, empatados, Alfa Crux Malbec 2007 e Nicolas Catena Estiba Reservada 2006. Trivento Eolo 2008 foi eleito o melhor para acompanhar a refeição

Os campeões da noite foram, empatados, Alfa Crux Malbec 2007 e Nicolas Catena Estiba Reservada 2006. Marcelo Jallas - que concordou com a eleição dos primeiros colocados - avaliou o Alfa Crux como um vinho distinto e que "cresceu" durante a noite, e viu o Catena como um vinho redondo e com suavidade, enquanto Paulo Valério assinalou sua boa fruta.

Além de se destacar entre os prediletos dos presentes, o Trivento Eolo foi eleito em votação unânime como o melhor para acompanhar a refeição, devido à sua potência, estrutura e exuberância, como bem definiu Valério. O chef Resende preparou uma massa caseira com molho e carne de rabada desfiada - típica da região de Abruzzo - e um medalhão de filé mignon recheado com queijo gorgonzola, servido com batata rösti e molho de alecrim.

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Eleito em terceiro lugar ficou o Cheval des Andes que, na opinião de Luiz Cabral, é um vinho elegante e de taninos avaludados. Gabriel Zipman surpreendeu-se com a degustação, pois, apesar de fã declarado do Cheval, às cegas foi seduzido pelos taninos doces do Trapiche Iscay, quarto colocado, que para Valério apresentou toques florais e aroma de café.

Em seguida, veio o Pulenta XI Gran Cabernet Franc, que, de acordo com Christian Burgos é um tinto austero, mais direto e bem moldado, que surpreendeu pela tipicidade. Para Marcelo Jallas, o vinho se desenvolveu bem com o tempo de copo, ficando melhor no final da refeição.

Por fim, Vistalba Corte A apresentou bom volume de boca e boa fruta madura, como assinalaram Zipman e Burgos. Ademais, harmonizou muito bem com o medalhão de filé servido.

Ao final da degustação, o grupo concluiu que, independente do pódio formado naquela ocasião, todos os vinhos apresentaram qualidade acima da média e, se tomados separadamente, todos certamente teriam capacidade para ser destacar. Assim, ficou a certeza de que a Argentina segue no caminho para se firmar como um dos pólos da vitivinicultura mundial de qualidade.

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Avaliação dos vinhos argentinos

AD 92 pontos
ALFA CRUX MALBEC 2007

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O. Fournier Group, Mendoza, Argentina. O visionário e entusiasmado José Manuel Ortega Fournier, em conjunto com o enólogo-chefe José Mario Spisso, elabora este tinto exclusivamente a partir de uvas Malbec, com estágio de 18 meses em barricas novas de carvalho 80% francês e 20% americano. Apresenta cor vermelho-rubi de reflexos púrpura e aromas de frutas, lembrando framboesas, cassis e amoras, bem como notas florais, especiadas e de eucalipto, além de toques tostados e de alcaçuz. Em boca, é frutado, estruturado, equilibrado, cheio, elegante, tem madeira bem integrada, boa acidez e final longo, lembrando chocolate. Deve ir bem na companhia de queijos curados e carnes vermelhas grelhadas. Álcool 15%. EM

AD 93 pontos
CHEVAL DES ANDES 2007

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Terrazas de Los Andes e Cheval Blanc, Mendoza, Argentina. Nicolas Audebert e Pierre Lurton são os responsáveis por elaborar este tinto de Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot. Cor vermelho-rubi de reflexos violáceos e aromas de frutas vermelhas e negras maduras, lembrando cerejas, framboesas e amoras, bem como notas florais, especiadas e de eucalipto, além de toques tostados e de alcaçuz. Em boca, é redondo, frutado, estruturado, equilibrado, tem taninos maduros, boa acidez e final longo e persistente. A madeira está bem integrada aportando complexidade e elegância. Está muito bom agora, mas deve mostrar todo seu potencial em cinco anos. Carnes vermelhas ou de caça devem escoltá-lo com maestria. EM

AD 93 pontos
NICOLAS CATENA ESTIBA RESERVADA 2006

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Bodega Catena Zapata, Mendoza, Argentina. Tinto preferido da família Catena, é comercializado somente no Brasil e Argentina e elaborado com uvas Cabernet Sauvignon, além de pequenas proporções de Malbec, Cabernet Franc e Petit Verdot, fermentado e com estágio de 24 meses. Intensa cor vermelho-rubi e tem aromas de frutas negras maduras e em compota, bem como notas florais, tostadas e de especiarias, além de toques de chocolate, de grafite e de mentol. No palato, é frutado, estruturado, equilibrado, austero, tem taninos macios, boa acidez, ótima persistência e final longo. Jovem ainda, já está muito bom agora, mas 3/4 de garrafa lhe farão muito bem. Carnes de cordeiro e de caça são sugestões para escoltá-lo. EM

AD 91 pontos
PULENTA XI GRAN CABERNET FRANC 2007

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Pulenta Estate, Mendoza, Argentina. Sob a supervisão dos irmãos Eduardo e Hugo Pulenta, a vinícola Pulenta Estate, fundada em 2002, elabora este tinto exclusivamente a partir de uvas Cabernet Franc. Apresenta cor vermelho-rubi de reflexos violáceos e aromas de frutas vermelhas lembrando cerejas e framboesas, bem como notas herbáceas e florais agradáveis, além de toques tostados, de mentol, de grafite e de eucalipto. No palato, exibe uma fruta mais fresca, é equilibrado, estruturado, tem madeira bem integrada, boa acidez, taninos finos e final longo e elegante. Fino e elegante agora, vai melhorar em 3/4 anos. Carnes de caça escoltadas por molho a base de ervas são sugestões para escoltá-lo. Álcool 14,5%. EM

AD 92 pontos

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TRAPICHE ISCAY 2007
Bodegas Trapiche, Mendoza, Argentina. Iscay significa dois em Quechua, língua original dos incas, e é uma menção às únicas duas variedades, Malbec e Merlot, que compõem este tinto. O vinho estagia 18 meses em barricas novas de carvalho e apresenta cor vermelho-rubi de reflexos violáceos e aromas de frutas vermelhas e negras maduras, bem como notas florais e de especiarias doces, além de toques tostados, herbáceos e de alcaçuz. Em boca, é frutado, elegante, sedoso, equilibrado, tem boa acidez, taninos finos e final longo e persistente. Apesar de jovem, está acessível e gostoso de beber. Carnes vermelhas ou de caça são sugestões para acompanhá-lo. Álcool 14,5%. EM

AD 93 pontos
TRIVENTO EOLO 2008

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Trivento, Mendoza, Argentina. Ícone da Bodegas trivento, este tinto de pequena produção (apenas 6.200 garrafas) é elaborado a partir de 93% Malbec, 5% Cabernet Sauvignon e 2% Petit Verdot, advindas de vinhedos de mais de 80 anos em Luján de Cuyo. Intensa e fechada cor vermelho-rubi de reflexos violáceos e aromas complexos de frutas negras maduras e em compota, lembrando cassis, bem como notas florais, minerais e de especiarias doces, além de toques de figo seco, chocolate e baunilha. No palato, é frutado, cheio, potente, estruturado, têm boa acidez, taninos macios e final longo e persistente. Vinho distinto, muito equilibrado, em que o álcool e madeira estão muito bem integrados à fruta de ótima qualidade. Ideal para carnes vermelhas mais elaboradas. EM

AD 91 pontos
VISTALBA CORTE A 2008

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Bodega Vistalba, Mendoza, Argentina. Carlos Pulenta, enólogo e fundador da Vistalba, é o responsável por este tinto composto de 87% Malbec, 8% Bonarda e 5% Cabernet Sauvignon. Apresenta profunda cor vermelho-rubi de reflexos púrpura e aromas de frutas vermelhas e negras maduras, lembrando cerejas e cassis, bem como notas florais, tostadas e de chocolate, além de toques de baunilha e de eucalipto. Em boca, é frutado, encorpado, estruturado, cheio, potente, tem boa acidez, taninos finos e final intenso e persistente, confirmando o nariz. A madeira e o álcool estão em equilíbrio com a fruta de ótima qualidade, tornando-o gostoso de beber e ótima companhia para carnes vermelhas mais gordurosas ou queijos curados. Álcool 14,8%. EM

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Eduardo Milan

Publicado em 17 de Março de 2019 às 13:00


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Artigo publicado nesta revista