Na América Latina

Tannat: a queridinha do Uruguai

A uva Tannat, de origem francesa, tornou-se tão popular no Uruguai que o país já produz mais do que a própria França.


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A época não foi das melhores, mas a permanência por cinco dias no Uruguai foi o suficiente para entender o espírito das bodegas do país. Minha viagem para Montevidéu aconteceu durante o mês de setembro, época em que os vinhedos estão começando a criar suas primeiras flores. Não vi nada de uvas e nem produções em massa. Mas tive a oportunidade de conversar com os produtores e enólogos da Bodega Castel Pujol, uma das maiores da região. Além deles, conversei com o sommelier Julio Ludueña, que me deu um panorama geral do vinho no país.

O Uruguai tem apenas 3,2 milhões de habitantes e uma superfície de 177 mil km2. Está localizado entre os paralelos 30 e 35 sul, latitude considerada ideal para o plantio de vinhas, a mesma dos vinhedos argentinos, chilenos, sul-africanos e neozelandeses. Mas o que chama mais atenção em sua produção é o sucesso das vinhas de Tannat, provenientes do continente europeu, mais especificamente da região de Madiran, no sudoeste francês.

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Foi por volta de 1870 que o imigrante francês Don Pascual Harriage plantou as primeiras parreiras de Tannat. Só 200 anos mais tarde, porém, a produção comercial ganhou impulso, fase em que os imigrantes bascos iniciaram o cultivo dessa uva. O sucesso foi tanto que a Tannat tornou-se símbolo das vinícolas do país e hoje ocupa um terço de toda a área plantada do país. No total são cerca de 400 vinícolas no país, sendo que cerca de trinta delas têm expressão internacional. Muitas são as variedades cultivadas no Uruguai. As tintas representam 72% da área cultivada. Dentre as brancas, predominam a Sauvignon e Chardonnay, com presença de Sauvignon Gris, Viognier e Riesling. Nas tintas, pode-se escolher entre diversas cepas além da Tannat, como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Pinot Noir, Tempranillo, Shiraz e Petit Verdot.

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Tannat uruguaia, também conhecida no país como Harriague, referência a Don Pascual, apresenta um estilo diverso do francês, devido às diferenças clonais e de terroir. Com um clima marítimo temperado, o país é cercado por três grandes volumes de água: Oceano Atlântico, rio da Prata e rio Uruguai, o que torna as temperaturas noturnas suficientemente baixas para propiciar vinhos finos e com frescor.

A pluviosidade média anual é de 900 mm e o Sol é constante. No geral, o vinho de Tannat de nossos vizinhos é menos agressivo e mais frutado que o gaulês, mantendo as características de cor escura, com taninos marcados, teor alcoólico médio e afinidade com carvalho. Para moderar sua adstringência, ela costuma ser cortada no Uruguai com a Merlot ou com a Cabernet Sauvignon para dar maior estrutura ao líquido.

Tradição familiar

A administração da Bodega Castel Pujol já está na nona geração. Isso significa mais de 250 anos na arte de produzir vinhos. Tudo começou em 1752 com Don Francisco Carrau Vehils, na região de Cataluña, Espanha, e até hoje a tradição é mantida pelos familiares que vieram para o Uruguai, no final do século XIX, e cada vez mais investem no potencial familiar.

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A Bodega conta com suas instalações antigas e tradicionais em Lãs Violetas, Canelones, e com uma sede super moderna em Riviera, divisa com o território brasileiro. Os vinhos são os mais variados possíveis: desde os tintos clássicos, passando pelos espumantes e rosés, até brancos especiais para serem servidos com queijos, como o Vivént 2000.

Gabriela Pasqualin

Publicado em 4 de Março de 2019 às 20:00


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