Escola do vinho

Tradicional, Charmat ou Asti: você conhece as diferenças entre os espumantes?

O tipo de vinificação define a bebida – e até as características gustativas dela


Os primeiros espumantes foram criados por pura sorte, ou a falta dela

Os vinhos espumantes começaram a ser produzidos de forma sistemática por volta do século 16.

Não se sabe ao certo qual era o método, supõe-se que os “pioneiros” tenham sido fruto de uma fermentação que estagnou no inverno devido à queda das temperaturas, que fez com que as leveduras parassem de trabalhar, e que foi retomada na primavera com o calor.

Assim, o dióxido de carbono produzido por esta segunda fermentação dentro da garrafa dissolveu-se no vinho e se transformou em bolhas quando o vinho foi aberto. 

Ou seja, os primeiros espumantes foram criados por pura sorte, ou a falta dela, afinal até o famoso Dom Pérignon – “inventor” do Champagne – teria passado anos brigando contra as bolhas que surgiam no vinho da abadia.

Mas se hoje já aprendemos a domar a fermentação e apreciar as borbulhas, também inventamos diferentes métodos de fazê-las aparecer.

Ancestral 

É, possivelmente, o método dos primeiros espumantes feitos no mundo. Aqui, o vinho base é fermentado até chegar a um nível de açúcar e aí é engarrafado, terminando a fermentação posteriormente na garrafa. Esse método resulta nos vinhos ditos pétillant naturel (efervescente ou espumante natural), ou Pét-Nat. 

Clique aqui e veja dicas desse estilo.

Tradicional 

Também ficou conhecido como Champenoise por ter sido aprimorado em Champagne. Ele consiste em fermentar o vinho base por completo e, no momento de engarrafar, acrescentar uma mistura de açúcares e leveduras (o dito licor de tiragem) para que uma nova fermentação ocorra dentro da garrafa e o vinho se torne efervescente. 

Clique aqui e conheça os melhores espumantes feitos pelo método tradicional já degustados por ADEGA.

Charmat 

É o mais recente de todos. Ele teria sido patenteado em 1895 pelo italiano Federico Martinotti (e, por isso, na Itália alguns chamam de método Martinotti), mas foi desenvolvido e patenteado novamente em 1907 pelo francês Eugène Charmat. A diferença para o método tradicional é apenas o local onde a segunda fermentação ocorre, que, neste caso, é em um tanque de aço inoxidável, chamado de autoclave. 

Clique aqui e veja ótimas opções para conhecer melhor o método Charmat.

Asti

É uma espécie de variação do Charmat. Leva esse nome, pois teria sido desenvolvido por italianos da comuna de Asti, no Piemonte. Aqui as uvas fermentadas são somente Moscatel e o mosto passa por apenas uma fermentação já dentro das autoclaves. O processo fermentativo geralmente é interrompido antes do final, garantindo as borbulhas e açúcar residual. Esse método é usado em várias regiões, inclusive no sul do Brasil, para a produção de Moscatéis espumantes. 

Para conhecer boas dicas de espumantes feitos a partir do método Asti, clique aqui.

» 10 vinhos ótimos para um casamento e tanto com a variada tábua de frios

» Baronesa com nome de rainha tem história fascinante e, hoje, grande vinho feito no... Chile!

» Vinícola com olhar modernista muda a história do Barolo

» Receba as notícias da ADEGA diretamente no Telegram clicando aqui  

Da redação

Publicado em 5 de Junho de 2021 às 16:00


Escola do vinho Espumante Vinho Champagne Prosecco Cava Charmat Método tradicional Champenoise Asti Pét-Nat Método ancestral Vinificação