• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Escola do vinho

    Botrytis cinerea, conheça a podridão do bem

    Fungo Botrytis cinerea é parte fundamental em grandes vinhos do mundo, tanto que ficou conhecida como a podridão do bem, ou podridão nobre

    Uva afetada pelo fungo Botrytis cinerea
    Uva afetada pelo fungo Botrytis cinerea

    por André De Fraia

    Uma uva como a da foto acima? É só jogar fora, correto? Pois bem, saiba que essa uva aí é responsável por um dos maiores vinhos do mundo, afinal ela está afetada pelo Botrytis cinerea, conheça a podridão do bem!

    • Vinho mais caro, vale a pena? Qual a diferença entre um vinho de R$ 100 para um de R$ 1.000?

    • Quais são os diferentes tipos de rolha?

    O fungo conhecido como Botrytis cinerea ataca vegetais e causa a chamada “podridão cinzenta”. Ele age criando micro furos na parede externa de frutas e legumes, com o calor, a água ali presente evapora deixando espaço para o fungo crescer. A Botrytis acontece apenas em situações bem específicas, é necessária elevada precipitação pluviométrica e alta humidade do ar. Só assim o fungo pode aparecer e acabar com a sua colheita.

    Porém, temos a exceção. É possível produzir vinho a partir dos bagos atacados pela Botrytis!

    A história dos vinhos botritizados não começa em Sauternes, berço de um dos grandes vinhos desse tipo no mundo como o Château d’Yquem. Mas sim na Hungria. Mais precisamente na região de Tokaj-Hegyalja.

    Conta a história que em meados do século XVII a região estava prestes a ser invadida pelo império Otomano, assim, decidiram atrasar a colheita das uvas, uma vez que os muçulmanos condenavam o consumo de álcool. Com a demora a tragédia aconteceu e um fungo de aspecto horrível atacou as uvas. Como a Botrytis não ataca a parreira e sim bago a bago, os produtores da época separaram as uvas boas das ruins e fizeram vinho. Não ficou registrado o motivo – se por ter tido pouco vinho ou se por alguma outra ideia incomum – mas no final do processo de fermentação e maceração os produtores adicionaram ao mosto as uvas afetadas pelo fungo.

    No ano seguinte quando o vinho foi degustado a história estava feita, o vinho era um néctar divino.

    Botrytis cinerea
    Pinot Gris botritizada, o fungo ataca bago a bago e não o parreiral como um todo

    Em Bordeaux a história é dois séculos mais recente. Reza a lenda que o Czar russo Alexandre III em 1890, teria feito uma encomenda de vinho branco bordalês da região de Sauternes. Porém, a safra teria sido comprometida pois parte das uvas foram afetadas pela podridão cinzenta. Possivelmente para não perder um grande cliente os produtores decidiram enviar o vinho feito a partir das uvas botritizadas. O Czar amou! Ofereceu mais dinheiro para aquele vinho específico e a podridão cinzenta virou a podridão nobre.

    Mas o que faz o vinho botritizado ser tão diferente?

    A resposta está na forma que o fungo ataca as uvas. Os micro furos que eles fazem permitem que a água presente na polpa da uva evapore, assim, os ácidos, açucares e demais substâncias que conferem aroma e sabor ao vinho se concentram. Com a colheita tardia e selecionada bago a bago o vinho produzido a partir dessas uvas fica com um caráter harmônico sem igual com acidez e dulçor em equilíbrio.

    O fungo também tem sua vez, deixando um aroma muito ligado a Botrytis e à ação dela na uva.

    O preço de um vinho botritizado

    O valor do vinho sobe consideravelmente, mas há uma explicação. Além da colheita ser manual e selecionada são necessárias muito mais uvas para produzir uma garrafa de vinho. Afinal, grande parte da água evaporou. Enquanto para a produção de um vinho seco “normal” são necessárias em torno de 300 uvas para produzir uma garrafa de 750 ml, para a produção de um vinho botritizado são necessárias 5.000 uvas para uma garrafa de 375 ml!

    Onde posso encontrar esse vinho?

    São poucas regiões do mundo que tem as condições climáticas ideais para que o fungo se desenvolva. França, Hungria e Alemanha são os principais, mas novos terroirs são descobertos ano após ano. Califórnia, Nova Zelândia e Austrália já produzem a décadas seus vinhos botritizados. A África do Sul também desponta como um excelente local, produzindo blends baseados principalmente em Chenin Blanc.

    ADEGA já degustou vários, você pode conferir clicando aqui os melhores e suas notas.

    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    VinhoBotrytisBotrytis cinereaFungoBotritizado

    Notícias relacionadas

    Vinho branco em paisagem vinícola

    Grosses Gewächs: o que torna esses vinhos tão especiais?

    Vale do Loire

    Vale do Loire, um guia rápido sobre a região

    Vale do Uco

    O terroir nasce da natureza ou é construído pelo homem?

    Mapa Ilustrado dos Vinhos da Provença

    Provence além do rosé: nove regiões que você precisa conhecer

    Imagem VÍDEO! O que saber antes de abrir uma garrafa de vinho

    VÍDEO! O que saber antes de abrir uma garrafa de vinho

    Elegância Rosé

    Rosé nasceu antes do que você imagina — e quase por acaso

    Taça Dourada na Adega Rústica

    En rama: o Jerez que busca o sabor direto do barril

    Tratado de Panos e Vinhos

    O tratado que ajudou a mudar para sempre o Vinho do Porto

    segurando a taça de vinho

    Existe um jeito certo de segurar a taça de vinho?

    sensações que o vinho proporciona

    Por que o vinho provoca tantas sensações na boca e no nariz?

    11 imperiais de Bordeaux

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    Vinhos de luxo voltam a subir, puxados pela Itália
    1

    Vinhos de luxo voltam a subir, puxados pela Itália

    Cristal 2018 marca os 250 anos da Louis Roederer
    2

    Cristal 2018 marca os 250 anos da Louis Roederer

    Los Vascos e a nova geração de grandes vinhos chilenos
    3

    Los Vascos e a nova geração de grandes vinhos chilenos

    Rafael Nadal troca as quadras pelo mundo do vinho
    4

    Rafael Nadal troca as quadras pelo mundo do vinho

    Grosses Gewächs: o que torna esses vinhos tão especiais?
    5

    Grosses Gewächs: o que torna esses vinhos tão especiais?

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group