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Château de Chambord volta a produzir vinhos

Castelo do Vale do Loire, Château de Chambord, retoma produção vinho depois de dois séculos


O Château de Chambord é um dos mais famosos do Vale do Loire. Sua arquitetura renascentista é impressionante, sendo construído por ordem de Francisco I, da França. Ele compreende 5.400 hectares cercados por 32 km de muralhas que fazem dele o maior parque fechado da Europa – servia de pavilhão de caça para o rei.

O que poucos sabem, porém, é que nesse espaço todo já houve vinhas plantadas, em um local chamado Ormetrou. Cerca de 200 anos depois de as últimas plantas terem sido arrancadas durante a Revolução Francesa, hoje há 13 hectares de vinha. Aproximadamente 4 hectares deles são da variedade Romorantin, uma uva que foi favorecida por Francisco I, mas que hoje tem apenas 71 hectares plantados em todo o país. Outra cepa é a L’Ourboué (também conhecida como Menu Pineau, outra uva que Francisco I teria apreciado), além de Auvernat Rouge (o nome local da Pinot Noir), Sauvignon Blanc e Gamay.

A partir de 2019, ano que celebra o 500º aniversário da propriedade, um vinho será oficialmente vendido ao público. O arquiteto Jean-Michel Wilmotte está projetando uma vinícola que deve abrir em 2020. Para a primeira colheita, em 2018, os vinhos serão rotulados IGP Val de Loire para o tinto, e Vin de France para o branco.

“Este projeto é sobre a recuperação de parte do patrimônio cultural de Chambord, mas também se trata de fornecer renda para a propriedade. E estamos nos concentrando na qualidade. Estaremos usando alguns barris de carvalho de nossa própria floresta, e a agricultura é totalmente orgânica. Temos mais um hectare de videiras plantadas no próximo ano e esperamos produzir 50 mil garrafas, todas elas vendidas diretamente na propriedade. Os visitantes também podem adotar uma videira e receber compras prioritárias em troca do apoio ao projeto”, afirmou Pascal Thévard, diretor do castelo.

Chambord está na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1981 e pertence ao governo francês desde 1932. Antes da Revolução Francesa, havia 50 pequenas fazendas, cada uma com sua própria parcela de vinhas para uso pessoal, juntamente com outras culturas. Durante a Revolução Francesa, o castelo foi saqueado e seu vinhedo deixou de ser prioridade, minguando nos anos seguintes.

Arnaldo Grizzo

Publicado em 19 de Fevereiro de 2019 às 20:00


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