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A música melhora o vinho?

A Master of Wine Susan Lin fez uma pesquisa que aponta que sim!


A música melhora o vinho?

Estudo mostra que a música melhora muito a experiência de degustação

Já é conhecido dos apreciadores de vinhos o fato de que algumas vinícolas utilizam música ambiente bem específca em suas salas de barricas. É o caso dos cantos gregorianos que ressoam quando visitamos a sala de barricas da vinícola chilena Montes.

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A explicação científica para essa utilização é que a vibração do som nas barricas auxilia o amadurecimento do vinho. Mas será que ouvir música durante uma degustação altera a percepção do vinho na taça? Susan Lin, que se tornou Master of Wine em 2021 e é pianista clássica e musicóloga, afirma que sim. Ela explica que enquanto a ciência tenta isolar os elementos de uma experiência sensorial, para entendê-los, nós seguimos sendo seres com experiências sensoriais completas e não em separado. "O que escutamos ou não quando comemos e bebemos tem implicações na percepção. Uma folha de alface americano crocante está fresca, é a nossa intuição auditiva que nos dá a dica", diz Susan.

Ela realizou uma pesquisa para saber se a música clássica influenciava a percepção dos degustadores do mesmo Champagne não safrado. O nome oficial desse campo de estudo é 'percepção cruzada', que tenta apontar como as pessoas fazem conexões entre estímulos aparentemente não relacionados. Foram 71 pessoas, entre sommeliers, profissionais do mundo das bebidas, estudantes do curso de Master of Wine e pessoas comuns que apreciam vinho. Cada um deles recebeu cinco taças com o mesmo Champagne dentro e quatro peças de música clássica, que foram tocadas em ordem aleatória e um dos momentos foi de silêncio.

Aos participantes foi pedido que avaliassem cada taça por sua complexidade, frutado, efervescência e frescor, e também apontassem qual lhes pareceu a melhor combinação entre música e Champagne.

A música melhora o vinho?

Segundo a Master of Wine, Susan Lin, a música pode melhorar a degustação de vinhos

O resultado foi muito claro. Em comparação ao momento de silêncio, a música melhorou muito a experiência para os participantes: "Quando degustado em silêncio, o Champagne foi menos apreciado, anotado como menos fresco, menos frutado e menos complexo entre todos os outros", contou Susan. 70 participantes afirmaram que estavam bebendo Champagnes diferentes e mesmo a única pessoa que afirmou que todas as taças eram do mesmo produto, admitiu que as suas percepções foram alteradas com cada música que foi tocada.

A teoria da Master of Wine é de que os parâmetros de cada composição musical (timbre, tom, etc) podem ser extraídos de quase qualquer gênero musical para causar efeitos semelhantes, e não necessariamente com a música clássica, que alguns dos participantes do estudo dela afirmaram nem apreciar. Isso pode ter ramificações interessantes, que vão além do prazer proporcionado por uma taça de vinho, pois pode ser utilizado na promoção e venda de rótulos, em degustações e festas e até mesmo para criar uma 'assinatura' musical para um determinado vinho, que o identifique imediatamente, como fazem tantas empresas na publicidade.

Para quem ficou curioso e quer fazer o teste em casa, as músicas utilizadas foram:

  1. Johannes Brahms: Violin Concerto: Movement 3, Allegro giocoso, ma non troppo
  2. Claude Debussy: Danses Sacrée et Profane: Danse Profane
  3. Modest Mussorgsky: Pictures at an Exhibition: Promenade
  4. Camille Saint-Saëns: Carnival of the Animals: XIV – Finale
  5. Silêncio

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Silvia Mascella Rosa
Publicado em 08/03/2022, às 16h00


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