• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Escola do Vinho

    O papel do Dióxido de Enxofre (SO2) nos vinhos

    O uso de Dióxido de Enxofre tem papel fundamental na produção dos vinhos

    por Cláudia A. Stefenon*

    As diferentes regiões produtoras de uva no mundo são responsáveis por matérias-primas de perfil qualitativo, aptidão enológica diferenciada e, consequentemente, produtos próprios para as mais diferentes ocasiões e paladares.

    Mas nem só o terroir e as características genéticas varietais definem a qualidade do produto final. Os vinhos podem ter seu perfil sensorial modificado em função das diversas práticas enológicas utilizadas no mundo, além da filosofia adotada por cada vinícola.

    Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube

    Nesta direção, a tecnologia enológica exerce um papel fundamental no sentido de reduzir deficiências e/ou potencializar as qualidades da uva. O uso do dióxido de enxofre (SO2) para a elaboração de vinhos se iniciou ao final do século XVIII. Suas numerosas propriedades, a facilidade de emprego e o baixo custo o colocam como um indispensável auxiliar na produção vinícola.

    A ação eficaz do dióxido de enxofre depende do meio e das condições de conservação de cada produto. Aos sais liberados em solução aquosa (como o vinho) denominamos SO2 Livre, e ao íon bissulfito HSO3– associado com outras substâncias (aldeídos, dextrinas, pectinas, proteínas, cetonas e certos açúcares) –, SO2 Combinado. A proporção Livre/Combinado forma o chamado SO2 Total, e todo este conjunto depende de diversos fatores, tais como teor de açúcares, nível de acetaldeído, pH e temperatura.

    Inicialmente, o SO2 exerce uma ação seletiva que varia em função do microrganismo, ou seja, bactérias são mais sensíveis do que leveduras autóctones, e estas sofrem mais a ação deste conservador do que as leveduras selecionadas (comerciais). Posteriormente, sua atividade antioxidásica bloqueia a ação de enzimas oxidantes, principalmente no início do processo de elaboração (obtenção do mosto), evitando reações de oxidação e o consequente escurecimento do vinho.

    LEIA TAMBÉM: O uso de enxofre no vinho tem sido cada vez mais questionado

    As lipoxigenases são responsáveis por reações de oxidação dos ácidos graxos insaturados e lipídios de membrana. Este efeito prejudicial nos alimentos pode ser percebido sensorialmente através dos odores da degradação oxidativa dos lipídios (rancificação), tornando-se importante na enologia em etapas como, por exemplo, obtenção do mosto, maceração, fermentação malolática e estágios de amadurecimento.

    Além desta classe de enzimas, as fenolases atuam oxidando os compostos fenólicos, dando lugar a compostos pigmentados – tanto em vinhos brancos como em tintos –, que, posteriormente, são substituídos pelas moléculas inestáveis (quinonas), capazes de causar turvações e/ou precipitações prejudiciais à qualidade.

    O dióxido de enxofre ainda reage fortemente com o oxigênio devido à alta afinidade do dióxido de enxofre por este substrato. Ao impedir a reação do oxigênio com os compostos orgânicos do vinho, ele protege polifenóis e ésteres de processos de oxidação, preservando a qualidade geral e a longevidade dos vinhos.

    LEIA TAMBÉM: Pasteurização à frio pode ser alternativa ao uso de dióxido de enxofre no vinho

    Enfim, sua ação conservadora (papel principal) se deve à inibição de bactérias (láticas, se não desejarmos proceder à fermentação malolática, e, principalmente, as acéticas, para evitar a formação de quantidades expressivas de ácido acético – avinagramento dos vinhos), atuando de forma preponderante sobre o perfil sensorial final dos vinhos. Portanto, conforme comentado anteriormente, a quantidade aplicada depende da sanidade da uva e do tipo de vinho a ser elaborado.

    Seu uso, entretanto, deve ser racional, pois em doses elevadas pode retardar ou provocar paradas de fermentação, diminuir a intensidade de cor dos vinhos tintos e rosados, promover o surgimento de aromas desagradáveis e, o mais importante, oferecer riscos à saúde – em especial para pessoas com alergia a este produto.

    Em virtude disto, sua presença na composição é informação obrigatória nos rótulos – expressão “contém sulfitos” – de qualquer produto que contenha mais de 10 mg/L (F.D.A./EUA).

    LEIA TAMBÉM: Histórico, o enxofre pode estar com os dias contados

    enxofre
    A Dose Diária Admissível de 0,7 mg/kg/dia determinada pela Organização Mundial da Saúde

    Considerando a Dose Diária Admissível (D.D.A.) de 0,7 mg/kg/dia determinada pela Organização Mundial da Saúde, as doses aceitáveis para o consumo humano encontram-se entre 42 a 56 mg/dia para um peso corpóreo entre 60 e 80 kg. Na Comunidade Europeia, o limite autorizado para vinhos é de 160 mg/L para vinhos tintos e 210 mg/L para vinhos brancos.

    Estes dados, entretanto, não devem causar preocupação, pois as técnicas enológicas disponíveis e a consciência de enólogos e empresários do vinho fazem com que os valores médios usuais girem em torno de 100 mg/L, sendo que o setor vitivinícola brasileiro vem utilizando doses cada vez menores, favorecendo a relação de confiança que deve existir entre o produtor e o consumidor.

    Portanto, em doses moderadas, o vinho continuará sendo, cada vez mais, amigo da saúde, da cultura e do bem-viver. Saúde!

    *Cláudia A. Stefenon é enóloga e Mestre em Biotecnologia

    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    EnologiaVinhosConservação de vinhosDióxido de enxofreprodução de vinhosoxidação no vinhoSO2 nos vinhossulfito nos vinhosregulamentação de vinhos

    Notícias relacionadas

    Imagem VÍDEO! Por que vinhos em garrafa Magnum envelhecem diferente?

    VÍDEO! Por que vinhos em garrafa Magnum envelhecem diferente?

    Imagem VÍDEO! Cinco animais que ameaçam os vinhedos

    VÍDEO! Cinco animais que ameaçam os vinhedos

    Imagem O que você deve saber antes de abrir a garrafa de vinho?

    O que você deve saber antes de abrir a garrafa de vinho?

    Freepik

    Por que e como usar um decanter?

    Saiba como a fermentação malolática suaviza a acidez do vinho, transformando ácido málico em ácido lático

    Como a mágica da fermentação transforma uvas em vinho

    Imagem Como harmonizar vinhos com peru de natal?

    Como harmonizar vinhos com peru de natal?

    Tender é uma carne de porco defumada, normalmente feita com um molho adocicado - Freepik

    Qual vinho combina com tender?

    A temperatura correta do vinho é essencial em degustações - Divulgação

    Qual a temperatura ideal para o vinho?

    Imagem VÍDEO! 5 Estilos de vinho para o Natal

    VÍDEO! 5 Estilos de vinho para o Natal

    Divulgação

    Quando e por que você deve decantar o vinho

    Top 100 Os Melhores Vinhos do Ano

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    Guia queijos e vinhos
    1

    Guia queijos e vinhos

    A briga entre o vinho roxo e o legado de Prince
    2

    A briga entre o vinho roxo e o legado de Prince

    Vinho mais antigo do mundo é descoberto na Espanha
    3

    Vinho mais antigo do mundo é descoberto na Espanha

    Entrevista com Christopher Cannan e o Mundo do Vinho
    4

    Entrevista com Christopher Cannan e o Mundo do Vinho

    Sanções impulsionam produção de vinhos russos
    5

    Sanções impulsionam produção de vinhos russos

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group