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Salvatore Ferragamo une vinhos à moda italiana no alto luxo da vila medieval Il Borro


 

A propriedade sofreu suas primeiras alterações no século XVI, sob o comando de um líder político chamado Alessandro dal Borro, o verdadeiro “pai” do atual Borro 

Salvatore, de 48 anos, carrega consigo o mesmo nome do avô, o designer de sapatos que, nos anos 1930, revolucionou essa indústria, tornando-se uma lenda: Salvatore Ferragamo. Hoje, é Ferruccio, seu pai, quem preside do grupo de moda, no qual Salvatore – seu filho – trabalhou nos departamentos de marketing e produção nos anos 1990. Em 1993, Ferruccio adquiriu uma propriedade chamada Il Borro, uma vila medieval na Toscana, que remonta ao século XIII. 

Salvatore e o pai se empenharam em recuperar o local, perto de Arezzo, que não era muito distante de outra propriedade, chamada Viesca, que pertenceu à família de sua avó. “Nasci e cresci na Toscana. Vinho foi parte da minha cultura, cultura a qual estive exposto desde muito jovem. A maioria dos meus amigos está ligada ao vinho. Minha família produzia vinho. Minha avó produzia vinho na propriedade Viesca, que também gerenciamos”, conta o CEO de Il Borro, acrescentando um detalhe importante: “O vinho de minha vó não era muito... fantástico, então quando meu pai quando comprou Il Borro, disse: ‘Uma coisa que nunca farei será vinho’”. 

 

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No entanto, Salvatore, aos poucos, convenceu o pai. “Plantamos as primeiras vinhas, começamos a produzir com 4 hectares, hoje são 85 hectares de vinhedos. Converti-o”, brinca Salvatore. “Plantamos do zero. Fizemos um estudo cuidadoso do solo. Aqui na propriedade, próximo de onde o vale do Arno encontra a montanha, encontram-se solos de seixos com areia, locais ideais para plantar Cabernet Sauvignon. Onde há mais seixos, é ideal para Syrah. Quanto mais baixo o local, melhor para o Merlot. Então, plantamos de acordo com os diferentes tipo de solo”, explica. 

 

A vinícola é 100% sustentável, contando com a agricultura, com tudo o que é produzido e também o hotel. A propriedade é completamente restaurada e transformada em um hotel cinco estrelas

Hospitalidade, arte e história 

ADEGA teve a oportunidade de ouvir Salvatore em maio em uma live para o “Conversa com vinho”, um bate-papo exclusivo para associados do Clube ADEGA. Nela, o italiano não escondeu sua paixão pela propriedade, que, em 2012, juntou-se ao grupo Relais & Châteaux, que oferece algumas das experiências de hospitalidade mais exclusivas do mundo. 

“É um conceito único. São 1.100 hectares e o centro medieval. É uma experiência histórica ficar nessa vila. O local onde está a vinícola tem 300 anos. Há dois restaurantes de alto padrão. Temos também uma coleção de arte que meu pai acumulou ao longo dos anos. Todas as peças têm a ver com o vinho. Temos obras-primas de Mantegna, Picasso, Warhol, Manet, Monet, DürerGoya. Tudo isso leva a uma grande experiência”, entusiasma-se. A “Galeria de Arte e Vinho” é um espaço que abriga uma seleção de gravuras de mais de 500 obras que datam do século XV até o presente pertencentes à coleção particular de Ferruccio Ferragamo. 

nome Borro, que na língua toscana provavelmente denominava um abismo aberto no chão, originalmente indicava uma fortaleza construída para defender um território estratégico atravessado por trechos importantes das ruas romanas Clodia e Cássia. O primeiro registro do castelo remonta a 1254, quando um nobre milanês, o marquês Borro Borri, comprou a propriedade da família Mascagni. No século XVI, as primeiras transformações da fortaleza começaram com o líder político Alessandro dal Borro, o verdadeiro “pai” do atual Borro. 

A rica história da propriedade começa com ele, mas ela passou por algumas das famílias europeias mais nobres: os Médici Tornaquinci de Florença, os Torriani de Milão, os Hohenlohe Waldemburg e, finalmente, a partir de 1904, os Savoia. Em meados da década de 1950, Il Borro passou para o duque Amedeo de Savoia-Aosta e, em 1993, o duque vendeu a propriedade para Ferruccio Ferragamo. 

 

“O vinho de minha vó não era muito... fantástico, então quando meu pai comprou Il Borro, disse: ‘Uma coisa que nunca farei será vinho’”, disse Salvatore Ferragamo

Sustentabilidade e terroir 

 

Salvatore Ferragamo conta com orgulho que, desde 2015, a propriedade foi certificada orgânica. “Desde então, somos 100% sustentáveis, desde a agricultura, com tudo o que é produzido, mas também o hotel. Estamos numa vila medieval de mil anos, completamente restaurada e transformada em um hotel cinco estrelas que tem pegada negativa de carbono. Produzimos três vezes mais energia do que usamos. Quando nossos clientes voam até nós, quando chegam, estão zerando suas emissões”, diz, lembrando que sua irmã Vittoria, foca-se especialmente nessa área. 

Vittoria é responsável por “L'Orto del Borro”, projeto especial que recebeu certificação orgânica em 2014 e possui um sistema de produção baseado no respeito às estações do ano e na gestão do equilíbrio das características naturais. 

Ele revela que, para determinar onde plantar cada variedade de uva, foi feito um estudo muito amplo dos solos, com escavações de até 4 metros de profundidade. Após selecionados os locais e castas, investiu-se muito também na vinícola. “Introduzimos novas formas de vinificação, coletamos tudo em cestas de 15 quilos, passamos para um contêiner refrigerado, de lá para uma mesa de seleção de fibra ótica (com ela selecionamos cada grão de uva), adquirimos barricas T5 da Taransaud (considerada uma das melhores do mundo)...”, conta, entusiasmado, Ferragamo. 

Ele diz que, além de Il Borro, também trabalha no grupo familiar, que tem o pai como presidente e o irmão gêmeo, James, como vice. Mas percebe-se o quanto Salvatore está ligado à terra. “Produzir vinhos tem um elemento que você não pode controlar, que é natureza, a safra, a cada ano você tem um resultado diferente. É incrivelmente interessante como homem e natureza trabalham juntos para criar algo. Com o tempo, fizemos vinhos diferentes, temos 11 rótulos, produzimos em ânfora, fazemos espumantes tradicionais, há um novo projeto biodinâmico de 2 hectares. Ou seja, há um elemento de criatividade ao produzir vinhos como há no mundo da moda”, aponta. “Fazer vinhos é uma questão de evolução, meu trabalho é incrivelmente dinâmico, como na moda, há uma nova coleção a cada ano...”, finaliza rindo. 

 

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Arnaldo Grizzo e Christian Burgos

Publicado em 16 de Julho de 2020 às 17:00


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