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Os vinhos de Mendoza

Quando se fala em vinho na Argentina, logo se pensa em Mendoza. porém, esta região não é uma coisa só. Então, entenda suas subdivisões e saiba o que de melhor se faz em cada uma delas


 

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Afirmar que Mendoza é a principal região vitivinícola da Argentina é redundante. Afinal, mais de 80% do vinho argentino é produzido nesta província, cuja capital é a cidade de Mendoza. Para lá foram direcionados os maiores investimentos estrangeiros e, sem dúvida, é em Mendoza que estão estabelecidas as vinícolas mais tecnológicas do país.

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As regiões vinícolas de Mendoza se estendem pelos departamentos da província mendocina e algumas áreas prdutoras englobam mais de um departament

Situada a oeste da Argentina e no sopé dos Andes, as vinhas estão plantadas em altitudes elevadas, que variam, em média, entre 600 e 1.100 metros acima do nível do mar. Estima-se que na região existam mais de 160.000 hectares de vinhedos e, ao redor da cidade de Mendoza, aproximadamente 1500 vinícolas.

A geografia da vitivinicultura mendocina se divide em cinco grandes sub-regiões, cada qual com características próprias de altitude e composição de solo, resultando em terroirs diferenciados, cujos reflexos influenciam diretamente os vinhos de cada uma. São elas: Região Norte, Leste, Rio Mendoza (ou Região Central), Vale de Uco e Sul.

Essa constatação é comprovada no foco de trabalho de diversas vinícolas, entre elas algumas das mais maiores e mais celebradas, como Catena Zapata, Zuccardi e Trivento - projeto da gigante Concha y Toro na Argentina - que têm vários tipos de uvas plantadas nessas sub-regiões. Com estudos e pesquisas, elas estão definindo quais cepas são as mais indicadas nas mais diversas localidades, a fim de produzir uvas capazes de gerar vinhos diferenciados e de ótima qualidade em cada uma delas. Todo esse processo, além de otimizar a produção, contribui significativamente para a melhora do vinho argentino como um todo.

Região Norte

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A dita Região Norte engloba o departamento de Lavalle e parte dos departamentos de Maipú, Guaymallén, Las Heras e San Martín, abrangendo ainda áreas de menor altitude, irrigadas pelo Rio Mendoza. A altitude varia entre 600 e 700 metros acima do nível do mar, com pequeno declive, e predominam solos de areia fina.

Destacam-se a produção de vinhos brancos a partir de Chardonnay, Sauvignon, Chenin Blanc, Ugni Blanc e Torrontés, e de tintos feitos com Syrah, Cabernet Sauvignon, Bonarda e Malbec. Aqui e na região Leste o foco está na produção de vinhos mais acessíveis e de maior produção.

Leste

Considerando a superfície de vinhedos e a quantidade de vinícolas estabelecidas na região, o Leste da província de Mendoza constitui verdadeira potência vitivinícola. Com altitudes que descendem de 750 a 640 metros, apresenta diferenças substanciais no clima, solo e amplitude térmica, de acordo com diferentes áreas. Compreende os departamentos de Junín, Rivadavia, San Martín, La Paz e Santa Rosa.

Nos setores localizados nos arredores da cidade de Mendoza, os solos apresentam pouca capacidade de drenagem. Já no extremo leste, especialmente nos departamentos de Santa Rosa e Rivadavia, a terra em geral é arenosa e bem permeável; a paisagem é desértica e verifica-se grande amplitude térmica. Todos esses fatores contribuem para que vinhos do Leste - e também do Norte - sejam mais maduros e frutados, próprios para consumo rápido e agradem a maioria dos paladares.

Cultivam-se praticamente todas as cepas existentes na Argentina, destacando-se, entretanto, as produções das brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Torrontés e Viognier e das tintas Sangiovese, Syrah, Bonarda e Tempranillo. Nessa região merecem destaque as vinícolas Santa Rosa e Zuccardi.

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Rio Mendoza ou Região Central

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A cepa mais característica da Região Central é a Malbec, a partir da qual se obtém vinhos emblemáticos

Localizada nos departamentos de Luján de Cuyo e Maipú. O primeiro abrange, entre outros, os conhecidos e reputados distritos de Las Compuertas, Vistalba, Perdriel, Agrelo e Ugarteche. Já o segundo inclui Lunlunta, Las Barrancas, Cruz de Piedra, Beltrán e Coquimbito.

Rio Mendoza é uma região tradicional, também
conhecida como a "primeira zona" dos vinhos argentinos

Rio Mendoza é uma região vitivinícola antiga e tradicional, também conhecida como a "primeira zona" dos vinhos argentinos. Estando ao sul da cidade de Mendoza, conta com altitude ideal - variando entre 650 e 1.060 metros - e com os melhores solos da província - pedregosos, pobres e ricos em calcário -, fatores excepcionais para o cultivo da videira, que contribuem significativamente para que os vinhos produzidos na região estejam entre os melhores do país. Há uma diversidade de microclimas e a maioria das vinícolas se utiliza de uvas dessa área na produção de seus vinhos.

A cepa mais característica da região é a Malbec, a partir da qual se obtêm vinhos emblemáticos, representativos da região, da província e do próprio país. Aliás, em Luján de Cuyo está a DOC - Denominação de Origem Controlada - para elaboração de Malbec. Lá, a fruta atinge aromas complexos, cor e ótima concentração. Entretanto, a Malbec obviamente não é a única casta cultivada na Região Central, onde se produzem bons vinhos também a partir de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Entre as vinícolas de destaque estão Alta Vista, Catena Zapata, Finca Flichman, Finca La Anita, Luigi Bosca, Mendel, Norton, Pulenta Estate, Ruca Malen, Santa Julia, Séptima, Terrazas de Los Andes, Trapiche, Trivento, Viña Alicia e Zuccardi.

Vale de Uco

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Catena Zapata (à esquerda) e O. Fournier são dois entre os diversos produtores de destaque no Vale de Uco

 

Vale de Uco é a zona que apresenta as maiores altitudes, que chegam a 1.700 metros acima do nível do mar. Compreende os departamentos de Tupungato, Tunuyán e San Carlos, que incluem, entre outras, as reputadas localidades de Vista Flores, La Consulta, Altamira e Gualtallary, conhecidas pela alta qualidade dos vinhos produzidos. Com clima ameno, grande amplitude térmica e solo pobre, pedregoso e bem drenado, caracterizam-se por sua capacidade de produzir uvas de qualidade superior, com bom tanino, cor e ótimo equilíbrio entre acidez e açúcar; qualidades que permitem a vinificação de brancos e tintos capazes envelhecer por longo período.

Tradicionalmente, cultiva-se na região Sémillon e Malbec. Mais recentemente, foram introduzidas Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Merlot, que mostram grande adaptabilidade ao terroir local, assim como Syrah e Tempranillo. Hoje o vale vive seu auge, recebendo investimentos internacionais e produzindo grandes vinhos.

Aqui merecem destaque diversas vinícolas, entre elas, Andeluna Cellars, Atamisque, Catena Zapata, Clos de Los Siete, Doña Paula, Finca Sophenia, Flecha de Los Andes, François Lurton, Monteviejo, O. Fournier, Rutini, Salentein, Terrazas de Los Andes, Trivento e Vistalba.

Terroir do Vale de Uco produz uvas de qualidade superior e, por isso, tem atraído investidores de todo o mundo

Sul

Compreendendo os departamentos de San Rafael e General Alvear, a região Sul está localizada entre os paralelos 34,5° e 35° de latitude sul. Suas altitudes descendem de 800 m a 450 m acima do nível do mar. O clima é ameno e os solos calcários. Destaca-se como a principal área de cultivo de Chenin Blanc na Argentina, além de produzir também bons vinhos a partir de Chardonnay, Malbec, Sauvignon Blanc, Merlot e Cabernet Sauvignon. Nessa região, merecem destaque as vinícolas Casa Bianchi e Alfredo Roca.

Avaliação dos vinhos

Ruca Malen Chardonnay 2007 - AD 88 pts

Trivento Amado Sur Torrontés 2010 - AD 90 pts

Famiglia Bianchi Malbec 2007 - AD 88 pts

Ruca Malen Kinién de Don Raúl 2007 - AD 92 pts

Trivento Colección Fincas Syrah 2009 - AD 90 pts

Trivento Eolo 2008 - AD 93 pts

Trivento Golden Reserve Malbec 2008 - AD 91 pts

Zuccardi Serie A Bonarda 2008 - AD 87 pts

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Eduardo Milan

Publicado em 24 de Março de 2019 às 19:00


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Artigo publicado nesta revista