Novos estudos apontam o papel das abelhas na viticultura sustentável
por Redação

Um inseto pode tanto causar devastação em um vinhedo, como a filoxera, por exemplo, mas também pode significar vida. E, segundo viticultores franceses, as abelha podem ser grandes aliadas do vinho.
Nicole e Xavier Rolet, da vinícola ChêneBleu, de Ventoux, na França, estão financiando pesquisas sobre o papel das abelhas na viticultura sustentável. Uma iniciativa de crowdfunding que a vinícola lançou em dezembro arrecadou 31 mil euros de 79 apoiadores, para descobrir mais sobre os benefícios que as abelhas podem trazer para a vinha.
“Há muitas pesquisas existentes mostrando como as abelhas ajudam a cobrir as culturas (e vice-versa). O plano é ver se conseguimos costurar toda essa lógica. Recrutamos uma equipe para nos aconselhar sobre como a pesquisa teria que ser conduzida para descobrir de forma conclusiva se ter abelhas ajuda a produzir um vinho melhor”, explica Nicole Rolet.
Já existem colmeias em ChêneBleu, e seus vinhedos desfrutam de perfeitas condições para o teste, pois são localizados em altitude, em um ambiente livre de poluição, no coração da reserva de MontVentoux, isolada e livre de contaminantes. “Embora as videiras sejam autopolinizadas, as pesquisas mostram que os melhores vinhos são feitos em solos repletos de vida. A biodiversidade polinizada cruzada e um microbioma rico em nutrientes são os principais contribuintes para a saúde da vinha a longo prazo e para a complexidade dos sabores do vinho, eliminando a necessidade de pesticidas e fertilizantes na vinha”, afirma Rolet.
Segundo análise, as abelhas precisam de um ambiente livre de produtos químicos para prosperar e assim ajudam a polinizar cruzadamente certos tipos de culturas de cobertura, muitas das quais endêmicas da região. Esses mesmos tipos de culturas de cobertura são recomendados para a viticultura sustentável. Uma cultura de cobertura diversificada leva a um microbioma diverso nos sistemas radiculares da videira –e o microbioma é o que as videiras precisam para processar a terra, “transformando” o terroir em nutrientes.
“Quando as culturas de cobertura estão prosperando, as abelhas têm um habitat melhor, o microbioma é diverso e próspero, as videiras são mais saudáveis e as vinhas mais atraentes para os turistas, e o vinho tem um senso maior de lugar”, diz Rolet.
A mudança climática fornece outro motivo para estudar o assunto com mais profundidade. O aquecimento global leva ao estresse hídrico, e o estresse hídrico leva à menor fertilidade nas videiras. “Estudos já mostram que as abelhas aumentam a fecundidade da videira”, aponta Rolet.
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