Os vinhos Piemontenses brigam para serem os mais importantes da Itália
por Aguinaldo Záckia Albert

Piemonte disputa com Toscana a primazia de produzir os melhores vinhos de seu país. Situado na porção mais ocidental da Itália, fazendo fronteira com a França, também foram os gregos que deram início à produção de vinhos. Absorvido mais tarde pelo Império Romano, a zona teve um grande desenvolvimento nas atividades vitivinícolas, que só foram prejudicadas mais tarde, já na Era Cristã, durante a invasão de povos bárbaros oriundos do norte da Europa.
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A nobreza medieval se encarregou de retomar o plantio das uvas e a elaboração do vinho, já nessa época surgem menções a uva emblemática da região, a Nebbiolo. Devido a forte influência francesa (a região foi, por séculos, dominada pela Casa de Savóia), por muito tempo seu vinho se assemelhou ao clarete, que era a moda na Europa de então. Foi somente a partir do século XVIII, quando ocorreu um grande processo de renovação vinícola, que surgiu o Barolo, vinho de grande caráter e símbolo da região, para fazer sua fama.
O Piemonte produz atualmente cerca de 300 milhões de litros de vinho por ano em sua área de 58 000 ha. plantada de vinhedos.
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Como o próprio nome indica, a região está situada ao pé da montanha - no caso, os Alpes - sendo, portanto, uma região muito acidentada. A maior parte de Piemonte está constituída por colinas e montanhas, mas sobram cerca de 26% de terras planas. Além dos Alpes, outra cordilheira, o Apenino Ligúrio, invade também seu território. Os rios Pó e Tanaro cruzam suas terras, onde se encontram as cidades de Torino (capital), Alba, Alessandria, Asti e Novara, dentre outras.
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Seu solo é muito variado, com faixas de calcário e areia, outras de giz e manchas de granito e argila. Ao longo dos rios há presença de solos aluviais. O clima é Continental, com estações bem marcadas, invernos rigorosos e verões quentes. O índice de chuvas é de cerca de 1.000 mm/ano.
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Conhecida também como Chiavenasca e Spanna, a Nebbiolo é a uva emblemática da região e dá origem aos seus grandes vinhos como o Barolo e o Barbaresco. Seu nome deriva da palavra Nebbia (névoa), lembrando a névoa que costuma encobrir seus vinhedos nas primeiras horas do dia.
Bastante delicada e difícil de ser cultivada, raramente se adapta a outras zonas de produção fora do Piemonte. Sua casca grossa empresta o aspecto marcadamente tânico dos vinhos derivados dela. A alta acidez é outra de suas características. O amadurecimento desta uva é tardio e o rendimento baixo, fator que contribui para que os fermentados com ela produzidos tenham altos preços.
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As uvas tintas representam dois terços da produção da zona. Além da Nebbiolo, vamos também encontrar as Barbera (a variedade mais plantada em toda a Itália), Brachetto, Dolcetto, Grignolino, Freisa e, em menor escala, algumas cepas francesas, como a Cabernet Sauvignon. As principais castas brancas são a Arneis, Cortese, Moscato Bianco, Malvasia, Erbaluce a Chardonnay.
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O Piemonte produz cinco vinhos DOCG (Vinhos de Denominazione di Origine Controllata e Garantita), a elite dos vinhos italianos, são eles: Barolo, Barbaresco, Gattinara, Asti, Brachetto D' Acqui. Além desses, também saem da região 42 vinhos DOC (Denominazione di Origine Controllata) e vários Vini da Tavola de boa qualidade.
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Localiza-se na província de Cuneo, a margem direita do Tanaro. É a região piemontesa de maior prestígio pela alta qualidade de seus vinhos. Tem solo calcário branco, arenoso e de baixa acidez, ideal para o plantio da videira. A culinária regional é famosa. Uvas tintas: Nebbiolo, Barbera, Dolcetto, Freisa, Grignolino. Uvas brancas: Arneis, Favorita, Moscato, Chardonnay.
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A sub-região engloba Barolo e Barbaresco, onde se produzem os vinhos com a mesma denominação, além da cidade de Alba. A zona de Barolo é dividida em três porções, de acordo com a formação de seus solos:
Vale de Serralunga: Aqui os vinhos são encorpados e potentes, com taninos bem marcados e vocacionados para a longa guarda. Serralunga d'Alba e Monferrato d'Alba são seus mais prestigiosos vinhedos.
Vale do Barolo: Abarca os vinhedos de Barolo e La Morra. Os vinhos são mais delicados que os de Serralunga. Elegantes e macios sem prejuízo de sua grande estrutura.
Castiglione Faletto: Situado entre os Vales de Serralunga e Barolo. Solo semelhante ao de Serralunga. Seus vinhos mesclam a elegância de Barolo e a potência de Serralunga.
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Tido como o grande vinho da Itália, ao lado do Brunello di Montalcino, é denominado "O Rei dos vinhos, o vinho dos Reis".
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Personalíssimo, é elaborado 100% com a uva Nebbiolo e precisa de boa guarda para poder expressar todo seu caráter.
Deve ter ao menos 13% de álcool e pode ser um Riserva (mínimo de quatro anos de envelhecimento na cantina) ou um Riserva Speciale (mínimo de cinco anos). De cor granada, potente e tânico, quando jovem, mostra delicados aromas frutados com o tempo (framboesas), notas florais, também alcatrão, tabaco, borracha e alcaçuz. Austero e majestoso, não é um vinho para principiantes.
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Este vinho é produzido em zona próxima de Barolo, também com 100% de uva Nebbiolo, plantada em uma zona de clima mais quente e seco. O terroir faz com que o vinho seja mais delicado e menos longevo do que o primeiro.
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Colline Novaresi
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Aqui a uva Nebbiolo é denominada Spanna. Também são cultivadas a Vespaiola, a Barbera, a Erbaluce e a Bonarda. Situada bem ao norte do Piemonte, suas colinas têm solos com alta acidez, sendo ricos em ferro e pobres em calcário. O famoso vinho Gatinara DOCG, bastante semelhante ao Barolo, é originário da região.
Monferrato
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Rumando para leste, a partir de Colline Torinese até chegarmos à fronteira da Lombardia, encontramos Monferrato. São três sub-regiões: Monferrato Astigiano, território da província de Asti; Monferrato Casalese; e Alto Monferrato. A primeira é a mais importante, onde se produzem o Moscato D' Asti e Asti Espumante, Monferrato Casaless e Alto Monferrato.
O Asti DOCG é o segundo vinho mais exportado da Itália, perdendo apenas para o Chianti. Existem dois vinhos dessa denominação: Moscato D' Asti (frizzanti) e Asti Spumanti, adocicados e delicados, ideais para acompanhar sobremesas.
As seguintes regiões também merecem menção: Canavesi, Colline Torinese, Colline Tortonesi e Roero.
Dolcetto DOC
Seu nome tem causado muita confusão, levando as pessoas a pensarem que se trata de um vinho doce. Na verdade, a uva é muito doce quando madura, mas o vinho é seco, leve e frutado. Divide-se em cinco categorias, dependendo da origem do vinhedo: Dolcetto D' Alba, Dolcetto D' Asti, Dolcetto Di Ovada, Dolcetto Di Dogliani, Dolcetto Delle Langhe Moregalesi.
Barbera DOC
Uma das castas mais plantadas na Itália e muito popular. Recentemente seus vinhos ganharam nova dimensão com a inovação francesa de deixá-los estagiar em barricas também da França. Três tipos: Barbera D' Alba, Barbera D'Asti, Barbera Del Monferrato.
Devem ser ainda lembrados o Grignolino DOC, um tinto leve e frutado de cor pálida; o Ghemme DOC, mescla das uvas Nebbiolo, Bonarda e Vespolina e o Cortese DOC, um branco de cítrico e de boa acidez feito com a uva do mesmo nome.
A seguir, confira os melhores vinhos italianos com a uva Nebbiolo degustados por ADEGA até R$ 1.600,00:
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