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  • Escola do vinho

    Como comprar um vinho que você nunca provou?

    Dicas para você escolher com segurança sem nunca ter provado um rótulo antes

    por Arnaldo Grizzo

    Use as pontuações como referência, mas esteja atento às descrições nas resenhas

    Quais referências você usa quando quer comprar um vinho que nunca provou? Pergunta para o vendedor da loja? Pergunta para os amigos? Ou apenas vai em frente e “arrisca” o seu dinheiro naquele rótulo que você nunca tinha visto antes?

    A quantidade de vinhos no mundo é gigantesca. E a quantidade de vinhos presentes no mercado brasileiro também é imensa. Ele é considerado um dos maiores mercados do planeta em quantidade de rótulos disponíveis. Você encontra desde chilenos até neozelandeses, passando por argentinos, australianos, franceses, italianos, portugueses, espanhóis, sul-africanos, israelenses, húngaros, búlgaros, gregos etc. A lista é tamanha que invariavelmente você vai se defrontar com algum rótulo que nunca provou antes. E, quando isso acontece, o que você faz?

    Leia mais:

    + Como escolher um bom vinho?

    + Há vinhos bons no supermercado?

    + Como comprar vinhos en primeur no Brasil?

    A maioria das pessoas, antes de se arriscar, costuma se apegar a algo familiar. Não à toa muitos enófilos compram caixas e caixas de um rótulo quando acreditam ter encontrado alguma coisa preciosa por um valor compatível com o seu orçamento. É também por isso que as cartas dos restaurantes tendem a ter alguns nomes conhecidos.

    Mas e quando não reconhecemos nada? Ou então, quando não queremos optar pelas mesmas coisas sempre? Como fazer? É possível ter alguma “segurança” ao comprar uma garrafa sem nunca ter provado antes? Posso acreditar no vendedor da loja ou no sommelier do restaurante? Em quem me fiar? Ou devo simplesmente arriscar?

    Você não precisa necessariamente “apostar em um vinho” que não conhece. Há algumas formas de tentar “minimizar os riscos”, ainda mais se você estiver diante de rótulos mais caros. Então, seguem algumas dicas.

    Indicações independentes

    Não há problema algum em ouvir os conselhos do vendedor da loja ou do sommelier no restaurante, pelo contrário. Eles são profissionais que estão lá para lhe ajudar a ter a melhor experiência possível com seu vinho – afinal eles querem que você fique feliz e volte. Também é válido buscar outras referências, até mesmo apelar para um amigo que tenha gosto parecido com o seu.

    Que tal sites ou aplicativos de avaliação por usuários? É, sem dúvida, um ambiente democrático onde cada um pode dar a sua nota e fazer a sua crítica, mas dificilmente um parâmetro seguro para se basear. Você não encontrará em nossas páginas uma avaliação de automóveis, embora aqui todos saibamos dirigir.

    A melhor alternativa, portanto, são avaliadores independentes. Nesse caso, fique atento, pois nem todo crítico de vinhos é independente como propaga. Muitos recebem mimos e agrados para postarem comentários sobre determinados vinhos ou produtores. Pior ainda, alguns são consultores contratados por importadores. Sempre que possível, prefira, portanto, quem “deixa tudo às claras”, fazendo avaliações sérias. Nós temos grande respeito por revistas como a inglesa Decanter e guias como Descorchados e Gambero Rosso, entre tantos. Modestamente, ADEGA, há mais de 160 edições definiu que nossos avaliadores não podem trabalhar nem prestar consultoria de vinho em produtores ou importadoras. Além disso, indicamos até mesmo quando degustamos um vinho às cegas ou sabendo o que estamos degustando. Também preferimos, sempre que possível, degustar em conjunto e não sozinhos, e em caso de divergência de mais de dois pontos na nota, optar por não publicar a avaliação.

    Forneça dados a quem se propõe a lhe ajudar

    [Colocar Alt]

    Diante de um mar de rótulos, é mais fácil escolher quando se tem alguma indicação, mas também é preciso avaliar quem está dando a indicação

    Mas se você está com pressa e não tem acesso a nenhuma outra fonte de informação sobre o vinho que pretende comprar, não confie apenas no instinto. Dê crédito ao vendedor. Mas, antes de simplesmente deixar que ele discorra sobre as qualidades de um rótulo, dê a ele algumas informações sobre o que espera encontrar.

    Sim, tente explicar o seu gosto, se prefere vinhos mais amadeirados, ou mais frutados, ou mais minerais etc. Diga de que tipos de vinhos você gosta, essa informação pode ser crucial. Com ela, um bom vendedor poderá fazer comparações e apontar se aquele rótulo que você pretende comprar tem algo de semelhante ou não com o que você gosta de beber costumeiramente, ou com o que quer experimentar de novo. Mais que isso, ele poderá explicar, em termos comparativos, se aquele rótulo, por exemplo, é mais ou menos tânico, mais ou menos frutado que o vinho que você deu de referência.

    Com base nessas informações e comparativos, você conseguirá ter uma ideia melhor do que lhe aguarda dentro da garrafa.

    Valorize tanto a resenha quanto a pontuação

    Comparando com uma avaliação de hotel na internet, confiar apenas na pontuação nem sempre é uma boa alternativa. Um hotel, por exemplo, pode ter uma nota média alta, mas não ter academia de ginástica ou ser pet friendly, o que para sua família pode ser crucial. Ou seja, quem está procurando um hotel para atender algumas necessidades específicas (quase sempre o caso), vai precisar olhar, além das notas, as resenhas dos clientes.

    Veja também:

    + Qual taça de vinho escolher?

    + Onde comprar um bom vinho?

    + Como escolher sua primeira adega para vinhos?

    O mesmo vale para os vinhos. As notas podem ser, sim, a primeira referência – para avaliar o nível de qualidade –, mas você deve analisar a resenha para saber se o rótulo que pretende comprar tem as características que você deseja. Procedência e afins Às vezes, estamos diante de algo que parece uma oportunidade única, alguma oferta aparentemente irresistível. Nessas horas, por mais coceira na mão que você tenha para comprar, é preciso ficar atento a alguns detalhes. Confira, primeiramente, o estado da garrafa. Veja se não há nada estranho. Se o rótulo parece bem conservado. Veja ainda o ambiente. É um lugar muito quente? Se for, talvez esse vinho esteja “cozido”. Verifique a safra. É recente ou antiga? Se for muito antiga, isso pode indicar um vinho que ficou esquecido e malconservado, daí a oferta. Desconfie. Questione o vendedor. Dê preferência a estabelecimentos reconhecidos e cheque a existência de contrarrótulo. Peça nota fscal, e se o vinho apresentar algum problema, um lojista sério não se importará em trocar a garrafa, exceção é claro a garrafas antigas ou colecionáveis, tema que trataremos em outra ocasião.

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