• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Escola do Vinho

    Saiba as diferenças entre guardar garrafas de vinho na horizontal e na vertical

    Estudos revelam que garrafas de vinho não precisam ser armazenadas na horizontal

    por Por Arnaldo Grizzo

    Um dos dogmas do mundo do vinho – que de tão decantado está enraizado no subconsciente até dos enófilos mais inexperientes – é o fato de guardar as garrafas de vinho sempre (sempre!) deitadas. Isso é importante, pois mantém a rolha umedecida, impedindo que ela resseque, conservando suas qualidades, especialmente no que diz respeito à mínima entrada de oxigênio que favorece o bom envelhecimento do líquido.

    No entanto, chegou a hora de rever esse conceito, pois dois longos estudos – um da Facultè d’Oenologie de Bordeaux e outro do The Australian Wine Research Institute (AWRI) –, demonstram que a posição da garrafa simplesmente não tem qualquer relevância durante a guarda do vinho! E isso derruba tudo o que aprendemos e pregamos por aí durante anos e anos.

    LEIA TAMBÉM: Curiosos nomes de garrafas de vinho

    Essas duas pesquisas estudaram o ingresso de oxigênio na garrafa de acordo com diferentes tipos de vedantes (rolhas naturais, sintéticas e rosca) e a posição de armazenagem (vertical ou horizontal) com o tempo. O estudo australiano foi além e mediu ainda impactos na composição, cor e sabor dos vinhos testados (um Riesling e um Chardonnay barricado), além de ter feito essa avaliação por mais tempo (cinco anos contra três dos franceses).

    Ambas as investigações chegaram a conclusões interessantes quanto aos efeitos causados pelas diferentes rolhas usadas, no entanto, um aspecto se sobressaiu: “a orientação da garrafa durante o armazenamento teve pouco efeito na composição dos vinhos examinados”, reportou o relatório australiano, e “as taxas de ingresso de oxigênio foram independentes da posição de armazenagem da garrafa”, atestaram os franceses.

    Então quer dizer que posso guardar meus vinhos em pé? “Sem qualquer problema!”, garante Paulo Lopes, enólogo PhD que gerencia o departamento de pesquisa e desenvolvimento da Amorim, o maior fabricante de rolhas do mundo, e que liderou a equipe do estudo bordalês.

    LEIA TAMBÉM: Como foi definido o volume de 750 ml para a garrafa de vinho?

    Para ele, os resultados das duas pesquisas citadas mostram muito claramente que as diferenças entre a armazenagem horizontal e vertical são mínimas, independentemente do tipo de rolha, ou seja, mesmo nas de cortiça natural. “Em termos de capacidade de vedação e transferência de oxigênio, a conservação pode ser realizada com a garrafa em pé ou deitada, pois os resultados serão idênticos”, confirma.

    Guardar o vinho na horizontal ou vertical?

    A pesquisa de Lopes e seus colegas bate de frente com outra feita em 2002 por um grupo de cientistas espanhóis. Na época, eles afirmaram que as análises químicas e sensoriais mostraram que o vinho era melhor preservado quando mantido na horizontal. No entanto, os testes atuais usam sistemas mais eficazes de avaliação, como um método colorimétrico (que usa a cor para medir a absorção de determinados elementos em uma solução), por exemplo.

    garrafas de vinho
    De acordo com os resultados das duas pesquisas, as diferenças entre a armazenagem horizontal e vertical são mínimas, independentemente do tipo de rolha 


    Aliás, as primeiras análises feitas sobre o ingresso de oxigênio na garrafas de vinho datam dos anos 1930. O francês Jean Ribéreau-Gayon foi pioneiro e apontou que de 0,1 a 0,38 ml de oxigênio entrava na garrafa (vedada com rolha de cortiça) nas três primeiras semanas depois do engarrafamento e de 0 a 0,07 ml nos quatro meses seguintes.

    LEIA TAMBÉM: Qual a relação entre o fundo da garrafa e a qualidade do vinho?

    Cerca de 80 anos depois, a pesquisa bordalesa mostra que as rolhas de cortiça, na verdade, deixaram passar 1,7 e 2,3 ml de oxigênio durante os 36 meses (três anos) de estudo quando as garrafas são mantidas deitadas. Essa variação depende da qualidade da rolha (veja matéria sobre rolhas na página 42) e a de categoria Flor (melhor qualidade) permitiu menos ingresso do que a considerada de 1º grau.

    Além disso, a pesquisa mostrou que a dinâmica do ingresso de oxigênio é maior no primeiro mês após o engarrafamento, com 0,7 para a Flor e 1,3 ml para a de 1º grau, o que chega a representar mais de 50% do total de oxigênio observado ao final dos três anos. Depois do primeiro mês até o final de um ano, a quantidade de oxigênio foi de 0,03 e 0,17 ml por mês. Finalmente, depois de 12 meses, a entrada foi de 0,002 e 0,07 ml por mês até o término do período de estudo.

    No entanto, o que interessa é a comparação com os números obtidos com as mesmas rolhas, porém, em garrafas mantidas em pé. Aí podemos dizer que há uma surpresa, pois a entrada foi de 1,5 e 2,4 ml de oxigênio, respectivamente, ao final de três anos. Ou seja, uma rolha de alta qualidade, como a Flor, deixou passar até menos oxigênio quando armazenada na vertical do que na horizontal (1,5 contra 1,7 ml) – apesar de a diferença ser desprezível.

    LEIA TAMBÉM: Vinho laranja é mais antigo do que muitos imaginam

    Continuando a comparação, quando em pé, as rolhas permitiram o ingresso de 0,8 e 1,3 ml de oxigênio no primeiro mês. De dois meses a um ano, os níveis caem para 0,05 e 0,1 ml por mês. Depois disso, ficam entre 0,02 e 0,04 ml por mês até o fim do segundo ano (veja o gráfico com as curvas de ingresso de oxigênio dependendo do tipo de rolha e da posição de armazenamento nas páginas a seguir).

    Mas, afinal, o que é importante, permitir a entrada de mais ou de menos oxigênio?

    Taxa de ingresso de oxigênio em ml por dia

    Armazenagem
    Tipo de vedantePrimeiro mêsHorizontalVertical
    Screw cap<500a0,2-0,7-
    Rolhas técnicas15-400,1-0,40,1-0,9
    Rolhas naturais25-451,7-6,1b0,5-4,4b
    0,1-2,3c0,1-2,7c
    Rolha sintética 130-4068–9
    Rolha sintética 235-4511–1511–12
    a- no momento do engarrafamento            
    b- de 2 a 12 meses de armazenagem            
    c- de 12 a 36 meses (horizontal) e de 12 a 28 meses (vertical) de armazenagem   

    Oxigênio

    “Oxigênio é o pior inimigo do vinho”, já dizia Louis Pasteur, apenas para complementar em seguida: “o oxigênio é quem faz o vinho, é por sua influência que ele envelhece”. Isso mostra o quão dicotômica é a relação desse gás com a bebida. Ao mesmo tempo que uma pequena quantidade garante uma boa evolução do vinho, quando em excesso, o líquido oxida e estraga.

    LEIA TAMBÉM: Clima quente pode causar a deterioração do vinho

    É por isso que esse elemento é o alvo de muitas das pesquisas, incluindo essas duas. Sobre esse fenômeno do envelhecimento, o estudo australiano aponta: “Pareceu que uma taxa de ingresso de oxigênio muito alta – como vista nas rolhas sintéticas – levaram a sabores oxidados, assim como taxas muito baixas – como as observadas nas tampas de rosca e de vidro – levaram ao desenvolvimento de aromas reduzidos, de borracha e similares, no vinho”.

    Nesse caso, ponto para as rolhas de cortiça, as que melhor se comportaram no estudo patrocinado pela associação de produtores da Austrália. Lembrando que foi devido à insatisfação da indústria vitivinícola australiana quanto à qualidade das rolhas naturais que as sintéticas e de rosca se propagaram mundo afora.

    A pesquisa francesa chega a conclusões semelhantes: “Está claro que as taxas de ingresso de oxigênio são baixas com screw caps e rolhas técnicas, intermediárias com rolhas naturais, e altas com rolhas sintéticas”. As rolhas técnicas usadas no teste foram a 1+1 (que tem um disco de cortiça natural em cada extremidade de um corpo granulado) e a microgranulada.

    LEIA TAMBÉM: As uvas Pinot além da Pinot Noir

    Curiosamente, elas chegaram a permitir a entrada de menos oxigênio do que as tampas de rosca, que variaram de 0,9 a 1,3 ml (quatro tipos foram testados) ao fim de um ano de guarda, enquanto que as rolhas técnicas apresentaram 0,7 (microgranulada) e 0,8 ml (1+1), quando na horizontal, e 0,8 e 1,2 ml respectivamente quando mantidas em pé. Sendo que, assim como os screw caps, o primeiro mês concentrou cerca de 90% da entrada de oxigênio na garrafa.

    Na tampa de rosca, contudo, 90% do ingresso ocorreu nos primeiros dois dias e depois mostrou-se totalmente hermética. Com isso, os cientistas estimam que boa parte do oxigênio que entra nas garrafas com screw cap está relacionada à exposição ao ar na hora do engarrafamento e, uma porção mínima, ao oxigênio de dentro da tampa.

    curvas de ingresso de O2
    Curvas de ingresso de oxigênio ao longo dos meses na garrafa
    dependendo do tipo de rolha (natural e sintética)
    e da posição de armazenamento

    screw cap
    Curvas de ingresso de oxigênio ao longo dos meses
    na garrafa nos diferentes tipos de screw cap

    Entrada de oxigênio?

    Aliás, a discussão sobre como se dá o ingresso de oxigênio na garrafa, especialmente quando se trata das rolhas de cortiça, é extensa e inconclusiva. “O mecanismo [de entrada] permanece desconhecido e serão necessárias pesquisas mais aprofundadas para elucidar esse fenômeno, que pode ocorrer por difusão ou infiltração, ou ambos”, aponta o estudo francês.

    LEIA TAMBÉM: Lafite compra terras de William Fèvre em Chablis

    De acordo com Paulo Lopes, contudo, boa parte (ou até mesmo a totalidade) do oxigênio que ingressa na garrafa com o tempo já está dentro da própria rolha. “Há bons indícios que levam à essa conclusão”, diz.

    Isso estaria explicado pelo fato de a difusão de oxigênio observada no primeiro mês (fase crítica) ser alta, para então decair até o final de 12 meses e seguir mínima e estável até o fim do estudo.

    Nos gráficos, vê-se que as rolhas de 1o grau permitiram mais oxigênio na garrafa do que as Flor e, segundo os cientistas, “é possível que elas contenham mais ar dentro de suas estruturas (pois têm um coeficiente de porosidade maior), que se propaga da rolha para a garrafa durante o primeiro mês”. Ou seja, a vedação pela rolha, ao contrário do que se pensa, impediria as trocas gasosas, na verdade.

    LEIA TAMBÉM: Tailândia vai baixar o imposto dos vinhos para alavancar o turismo

    Como guardar o vinho então?

    Depois de tudo isso, estaria aqui então os porquês de alguns produtores de Champagne e também de Vinho do Porto afirmarem que seus vinhos devem ser guardados em pé? Sim, pois ainda há estudos feitos pelas casas de Champagne que dizem não haver grandes diferenças entre espumantes envelhecidos na vertical ou na horizontal, apesar de as avaliações ligeiramente favorecerem as garrafas mantidas em pé.

    Mesmo reafirmando que simplesmente não importa a posição de armazenagem, Lopes recomenda guardar deitados – como manda o figurino – os vinhos feitos para envelhecer. Isso não por qualquer receio de sua pesquisa estar errada, mas devido a outro estudo que avalia a migração de compostos fenólicos da rolha para o vinho.

    “O vinho pode, sim, ser armazenado em pé, no entanto, face aos novos resultados que mostram que existe um ‘aporte’ de compostos da rolha para o líquido, a conservação deitada poderá ser benéfica, pois facilitará a migração desses compostos para a bebida e estou certo de que eles irão contribuir para o envelhecimento equilibrado do vinho em garrafa”, aponta.

    LEIA TAMBÉM: Maison & Domaines Les Alexandrins compra vinhedos orgânicos no Rhône

    garrafas de vinho horizontal
    Com temperatura e umidade controladas, cientistas dizem que garrafas podem ser mantidas em pé sem qualquer prejuízo ao vinho


    Segundo algumas pesquisas, compostos fenólicos como os ácidos gálico, protocatecuico e caféico, vanilina, além de taninos, podem passar da rolha para o vinho e, de certa maneira (ainda não evidenciada completamente), também contribuir para o envelhecimento.

    Por outro lado, se pensarmos que, além desses citados, outros compostos, como o TCA, também podem migrar para o vinho quando o líquido está em contato com a rolha, talvez seja melhor manter as garrafas em pé.

    Matt Holdstock, enólogo da AWRI, lembra, contudo, que os experimentos foram conduzidos em ambiente controlado com as garrafas mantidas em temperatura constante, próxima de 20oC, e umidade relativa de 65%.

    LEIA TAMBÉM: Os melhores vinhos dos EUA e sua breve história

    Ele aponta que, na pesquisa australiana, os mesmos vinhos em condições não controladas mostraram uma maior taxa de escurecimento nas garrafas guardadas em pé. “Isso indica que, se você não tiver esses fatores sob controle, manter vinhos em pé pode acelerar o envelhecimento”, diz o pesquisador.

    Lembrando que, diante de alterações de temperatura, o volume do líquido pode variar (contraindo com o frio e expandindo com o calor – o que pode expelir a rolha) e, sem umidade, o vedante pode secar (perdendo suas propriedades elásticas – permitindo a entrada de ar ou saída do líquido). Ou seja, se quiser guardar suas garrafas em pé, não há problema, só tenha cuidado com a umidade e a temperatura.

    *Atualizado em 26 de fevereiro de 2024

    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    EstudosEscola do vinhoMitoarmazenamentogarrafas de vinhohorizontalguardarvertical

    Notícias relacionadas

    Ilustração

    Simpósio em São Paulo debate vinho, saúde e consumo moderado

    Ilustração

    O novo jeito de beber vinho

    Imagem Jornalista e escritor Dias Lopes recebe titulo de Cidadão Paulistano

    Jornalista e escritor Dias Lopes recebe titulo de Cidadão Paulistano

    Vinhedos no Dão

    Vinhos brancos do Dão: elegância, frescor e os melhores rótulos

    Ilustração

    Cava amplia elite Paraje Calificado para 15 rótulos

    Ilustração

    Crus Bourgeois do Médoc ganham novo selo digital

    Ilustração

    Buraco em campo revela adega centenária esquecida

    Messe Düsseldorf / ctillmann

    ProWein: o vinho olha para novos consumidores e mercados em expansão

    Imagem Os melhores Vinhos Madeira produzidos e engarrafados pela vinícola Henriques & Henriques

    Os melhores Vinhos Madeira produzidos e engarrafados pela vinícola Henriques & Henriques

    Acredita-se que foi o próprio deus Baco quem criou a bebida, mas o vinho era tão venerado que sua origem tornou-se uma lenda

    A história do vinho Falerno e seu renascimento na Itália

    Tour pela França

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    O novo jeito de beber vinho
    1

    O novo jeito de beber vinho

    Vinhos brancos do Dão: elegância, frescor e os melhores rótulos
    2

    Vinhos brancos do Dão: elegância, frescor e os melhores rótulos

    Simpósio em São Paulo debate vinho, saúde e consumo moderado
    3

    Simpósio em São Paulo debate vinho, saúde e consumo moderado

    VÍDEO! Entenda como o vinhedo determina a qualidade do vinho
    4

    VÍDEO! Entenda como o vinhedo determina a qualidade do vinho

    Vinho do Porto: qual é a diferença entre Ruby e Tawny?
    5

    Vinho do Porto: qual é a diferença entre Ruby e Tawny?

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group