Degustação

Diferentes tipos de degustação

A diferença entre degustação vertical e horizontal


Degustações verticais e horizontais permitem que você compreenda nuances de evolução e de estilo dos vinhos

Uma das melhores coisas do mundo do vinho são as degustações. Além da oportunidade de provar vinhos dos mais diversos estilos, produtores, safras e regiões, também temos a chance de analisar a bebida a fundo. Nesse sentido, há dois tipos de degustações capazes de oferecer um panorama do que estamos bebendo: a vertical e a horizontal. A primeira é feita com diversas safras de um mesmo produtor, enquanto a segunda leva em conta vinhos de diferentes produtores (algumas vezes, a partir da safra, e outras, a partir da uva). E o que se compara em cada uma delas?

Evolução

Uma vez que nas degustações verticais são analisadas safras diferentes de um mesmo vinho, o intuito é perceber sua evolução ao longo dos anos. Se for um blend, pode-se perceber mudanças no corte. Se for um varietal ou um corte que pouco muda, também pode-se notar a evolução dos taninos (se amaciaram, deixando o vinho mais aveludado). Enfim, vemos como ele se comportou no envelhecimento na garrafa... Assim, é possível entender os detalhes que fazem de cada vinho – de um mesmo produtor – único e acompanhar a relação dele com o tempo.

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Em uma vertical, há outro fator interessante, pois, mesmo que não tenha havido alguma mudança técnica na produção do vinho, as características gerais como a incidência solar, a quantidade de chuva e de sol, o frio e o próprio amadurecimento das vinhas influenciam na uva e, consequentemente, no vinho. Beber um vinho bastante alcoólico e lembrar que, no ano da safra, o calor naquela região foi enorme, é uma delícia. É perceber que aquela garrafa carrega uma história de dezenas de anos e que não é apenas das mãos humanas que se fazem bons vinhos.

Participar de uma degustação vertical é mais ou menos como olhar um álbum de fotos de família. Percebemos o amadurecimento das pessoas, as características que permaneceram e as que se perderam, comparandoas com seus antepassados.

Degustação horizontal

Já nas degustações horizontais, o panorama é um pouco mais amplo. Geralmente, leva-se em conta o ano da safra, que deve ser igual para todos os vinhos de uma mesma região. Nesse sentido, podemos optar por degustar vinhos de uma mesma casta de diferentes produtores de uma só região da safra 2007, por exemplo. Porém, há aqueles que usam a variedade e o ano como referência e reúnem vinhos de todas as partes do mundo. Em cada uma dessas degustações, a avaliação tem um objetivo.

Degustando vinhos de uma mesma safra de produtores de uma região determinada, como, por exemplo, os bordaleses de 2005, será mais fácil avaliar o produtor em si, o que o difere dos demais e algumas de suas particularidades. Já a degustação de vinhos da mesma uva e safra, de lugares distintos, como a Syrah 2007 da França, Austrália, Estados Unidos, Chile e assim por diante, dirá menos sobre o produtor (uma vez que cada vinho virá de uma região) e mais sobre o comportamento da casta nesses locais. Nesse caso, ficará mais fácil perceber quais as regiões lhe agradam mais, se prefere um Syrah da Austrália ou se lhe agradam os franceses, por exemplo.

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Sequência de vinhos

Nas degustações verticais, a sequência a ser seguida é bastante importante. Como estamos analisando a evolução do vinho, não teria sentido degusta-los sem respeitar a ordem de produção. Ela pode ser feita nos dois sentidos, tanto na sequência cronológica quanto da safra recente para a mais antiga. O mais comum é do mais antigo (mais evoluídos e geralmente menos tânicos) ao mais jovem.

Carolina Almeida

Publicado em 28 de Julho de 2019 às 10:30


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