Erwan Faiveley

Vinhos da Borgonha por Erwan Faiveley

O enólogo Erwan Faiveley analisou algumas safras de vinhos da Borgonha


*Relembre entrevista com o enólogo Erwan Faiveley de 2014.

A pedido de ADEGA, Erwan Faiveley analisou as safras na Borgonha desde 2005, quando passou a ser responsável pela vinícola. Ressalvou apenas que os comentários valem para os tintos. No caso dos brancos, segundo ele, as tendências são as mesmas, mas as diferenças entre as safras são menores.

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2005 – Talvez a melhor safra de todos os tempos na Borgonha. Vinhos potentes, tânicos, quentes. Uma safra extraordinária. Não para serem bebidos agora, porque ainda estão fechados, mas soberbos.

2006 – Um bom equilíbrio entre uma safra séria (2005) e uma sexy (2007). Não terá vida tão longa como 2005.

2007 – Vinhos muito elegantes e macios. Para beber agora é, de longe, minha safra preferida. Vinhos vivos, com um perfume extraordinário. Muito “sexies”.

2008 – Vinhos muito sérios. É uma safra marcada pela acidez. São vinhos muito bons para a comida, mas que, sozinhos, não brilham tanto quanto em outras.

2009 – Como 2005, vinhos potentes, com mais “carne” e menos taninos. Uma grande safra. Uma das melhores junto com 2005.

2010 – É a número 3. Vinhos opulentos e concentrados, com bom nível de acidez. Outra safra espetacular.

2011 – Muito generosa, no sentido de tratar bem o palato. São vinhos quase doces, que enchem a boca. Uma bela safra, que não terá o mesmo potencial de envelhecimento das duas anteriores. Fazendo um paralelo, 2011 e 2007 são muito parecidas. Tem tudo a ver com perfume e maciez, e não muito com taninos e estrutura.

2012 – Está sendo engarrafada agora. Será interessante ver o que vai ser. Definitivamente, é uma grande safra. Talvez um 2005 em ponto menor.

2013 (ano em que as uvas foram muito afetadas pela chuva) – Sempre me preocupa dar uma ideia definitiva de uma safra até que ela esteja na garrafa. Em 2013, o nível de acidez foi muito alto, então a (fermentação) malolática atrasou. Então, é difícil definir. Dito isso, acho que 2013 será exatamente como 1993, que não foi uma grande safra, mas produziu vinhos incríveis. Ou seja, se você ficar nos Grand e Premier Crus de Gevrey, Morey, Chambolle e Vosne-Romanée, vai encontrar vinhos muito bons, com grande profundidade. Mas a maioria dos 1993 foi muito ruim. 2013 será o mesmo. Não procure os vinhos de entrada, a nível de Village. Esqueça a maioria dos vinhos da Côte de Beaune, exceto Corton. Os da Côte Chalonnaise serão bons, mas nada espetacular. Os Gevrey serão extraordinários.

Da redação

Publicado em 18 de Junho de 2019 às 15:00


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