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Espumante é tudo igual?

Todo Champagne é espumante, mas nem tudo que borbulha é Champagne

Quais são as diferenças entre Champagne, Espumante, Prosecco e Lambrusco?


As diferentes borbulhas são muito apreciadas mundo afora
As diferentes borbulhas são muito apreciadas mundo afora

Pouca gente resiste a uma taça brilhante e borbulhante de espumante. É o aperitivo perfeito, acompanha na balada, na refeição e até sem motivo.

Mas muita gente ainda se atrapalha na hora de escolher e pedir um espumante. Então, vamos dar uma explicação rápida sobre os vinhos que borbulham!

Espumantes são vinhos que passaram por uma segunda fermentação e por isso mantêm as borbulhas produzidas pelo gás carbônico desse processo. Os dois métodos principais para essa produção são o Tradicional (criado na França e lá chamado de Champenoise) ou Charmat, criado na Itália.

No método tradicional, a segunda fermentação ocorre dentro da própria garrafa, aquela mesmo que você vai comprar. No método Charmat a segunda fermentação ocorre em tanques de aço inoxidável, com a pressão controlada.

Champagne

Aqui tudo é MAIS!

Todo Champagne é espumante. Mas só os espumantes produzidos nessa região no norte da França (Champagne) e feitos pelo método criado lá (o Champenoise), seguindo normas e regras antigas podem ser chamados de Champagne.

São três as principais uvas permitidas: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier, mas há quatro (quaaase) esquecidas, temos uma matéria completa sobre elas aqui. Champagnes, só saem das adegas para os mercados depois de um mínimo de 18 meses da produção e um processo complexo que pode ser conferido na íntegra aqui.

Degustar um espumante também pode ser uma grande viagem ao passado, presente e futuro e ADEGA já realizou algumas, a mais recente uma degustação vertical de oito safras do Louis Roederer Cristal. Um evento único!

Espumante

É todo vinho com borbulhas, seja feito pelo mesmo método de Champagne (Champenoise ou Tradicional) ou pelo método Charmat, mas que não é produzido em Champagne.

Alguns países dão nomes específicos para seus espumantes, na Alemanha eles se chamam Sekt, na Espanha ele recebem o nome de Cava e Cap Classique na África do Sul. Na maioria dos casos, os que recebem nomes diferentes são feitos pelo método tradicional. Na Itália, por exemplo, eles costumam ser de Franciacorta, ou seja, se você vir numa carta de vinhos um Franciacorta, já pode saber que é um espumante italiano feito pelo mesmo método tradicional de Champagne.

Prosecco

Fazer espumante pelo método tradicional é caro e demorado, assim dois engenheiros conseguiram desenvolver uma maneira de fazer espumantes mais rápida, utilizando tanques de aço inox. Esse método é conhecido como Charmat e foi desenvolvido no século 19 na Itália.

Quais são as diferenças entre Champagne, Espumante, Prosecco e Lambrusco
Uva Glera é a casta do Prosecco

Alguns dos primeiros espumantes produzidos assim foram feitos com a uva Glera, uma uva antiga do norte da Itália, região do Veneto. Essa uva também recebe o nome de Prosecco. Com a evolução da qualidade dos produtos, a região de Prosecco resolveu determinar áreas de produção e delimitou uma DOCG. Eles gostariam que, assim como Champagne, só os espumantes de dentro dessa DOCG fossem conhecidos como Prosecco. Mas o nome ainda é muito forte e vários paises produtores o adotam nos rótulos.

Lambrusco

Muita gente vai achar isso estranho, mas Lambrusco é o nome da uva que, ainda por cima é tinta. É um espumante produzido na região da Emilia-Romagna, no noroeste da Itália. Pode ser de seco até doce, branco, tinto ou rosé e normalmente é frisante (que tem menos pressão e, portanto, é mais leve).

Quais são as diferenças entre Champagne, Espumante, Prosecco e Lambrusco
Uva Lambrusco que produz vinho na região de Emilia-Romagna na Itália

Para a lei brasileira há algumas diferenças entre espumantes e frisantes. Já montamos uma matéria completa sobre o assunto.

Espumante no Brasil

Nosso país manda muito bem em espumantes!

Tanto no método usado em Champagne, quanto no método Charmat. As uvas utilizadas no Brasil variam muito, desde as tradicionais como Chardonnay e Pinot Noir (a grande maioria é feito com elas) como também a Riesling e a Trebbiano são frequentes nas misturas. No nordeste do país é comum utilizar a Syrah e existem até rosés com as uvas Merlot e Cabernet Franc.

ADEGA já degustou centenas de espumantes brasileiros (até em lata) e pode conferir as nossas degustações e notas aqui.

Agora que já sabe um pouco mais sobre as borbulhas, confira uma seleção dos mais bem pontuados espumantes das maiores importadoras do Brasil.

Silvia Mascella Rosa
Publicado em 22/04/2022, às 08h10 - Atualizado às 08h30


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