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    Uvas menos conhecidas que dão origem a grandes vinhos

    De Teroldego a Assyrtiko, castas fora do circuito mais famoso revelam estilos e terroirs surpreendentes

    por LGB

    UVAS

    Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah, Malbec, Nebbiolo e Chardonnay estão entre as variedades mais reconhecidas pelos consumidores. Mas o universo do vinho é muito mais amplo. Em regiões da Itália, Espanha, Portugal, França e Grécia, uvas menos conhecidas internacionalmente dão origem a vinhos de forte identidade, muitas vezes profundamente ligados aos seus territórios.

    Explorar essas castas é também uma maneira de escapar dos nomes mais consagrados e conhecer estilos diferentes. A diversidade aparece especialmente na Itália, onde variedades autóctones estão espalhadas por praticamente todo o território e frequentemente representam uma região ou denominação específica.

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    Itália concentra uma grande diversidade de castas

    No norte italiano, a Moscato Rosa, encontrada principalmente no Alto Adige, produz desde vinhos secos e espumantes até versões doces, normalmente muito aromáticas e marcadas por notas florais. No Friuli, a Ribolla Gialla se destaca pela elevada acidez, mineralidade e notas cítricas, enquanto a tinta Refosco dal Peduncolo Rosso origina vinhos escuros, tânicos e de caráter herbáceo.

    LEIA TAMBÉM: Curiosidades sobre a Teroldego, a casta que vive um renascimento no Brasil

    No Trentino, a Teroldego é capaz de produzir tanto vinhos jovens quanto exemplares destinados à guarda. Nos estilos mais estruturados, aparecem notas de ameixa, amora, defumados, terra e ervas. A variedade também encontrou espaço no Brasil, com experiências de cultivo em Encruzilhada do Sul, no Rio Grande do Sul.

    Mais ao sul, a diversidade aumenta. Na Sicília, a Nerello Mascalese, cultivada especialmente nos arredores do Etna, pode gerar tintos de perfil elegante, enquanto a branca Inzolia é associada a vinhos frescos e com notas picantes. Na Campânia, a Fiano se destaca entre as brancas, e a Aglianico está por trás de tintos intensos e estruturados, como os de Taurasi e Aglianico del Vulture.

    LEIA TAMBÉM: Sicília, as principais características e uma seleção de vinhos deste grande mosaico cultural

    Castas que atravessaram fronteiras

    Nem todas essas variedades permanecem restritas ao lugar de origem. A Petit Verdot, tradicionalmente utilizada nos cortes de Bordeaux, passou a aparecer em vinhos produzidos na Argentina, Chile, Califórnia, Austrália e Espanha. Seus varietais costumam apresentar cor intensa, frutas negras, notas florais e bastante estrutura.

    LEIA TAMBÉM: Carignan: origem, história e protagonismo no Chile

    A Carignan seguiu caminho semelhante. Presente no sul da França, Espanha, Sardenha e Chile, pode produzir vinhos de cor profunda, boa acidez e taninos marcantes, especialmente quando proveniente de vinhas mais antigas e de baixos rendimentos.

    Já a Mourvèdre, conhecida como Monastrell na Espanha e Mataró em outros mercados, tem papel importante no sul da França e em diferentes regiões espanholas. Frequentemente utilizada em cortes com Grenache, costuma resultar em vinhos tânicos, de caráter selvagem e com aromas de frutas escuras e ervas.

    LEIA TAMBÉM: Mourvèdre: a uva que transita entre fronteiras e encanta paladares

    Portugal vai além da Touriga Nacional

    A diversidade portuguesa também ultrapassa sua variedade mais famosa. Originária do Dão, a branca Encruzado pode produzir vinhos estruturados, longevos e aptos à fermentação ou ao amadurecimento em madeira. Entre as tintas, a Alicante Bouschet ganhou especial importância no Alentejo, enquanto a Alfrocheiro aparece em regiões como Dão, Bairrada, Alentejo e Terras do Sado.

    LEIA TAMBÉM: Dão: altitude, granito e castas que definem seus vinhos

    Mencía e Callet mostram outra face da Espanha

    Na Espanha, a Mencía tornou-se uma das principais responsáveis pela projeção de Bierzo. A redução dos rendimentos e um trabalho mais cuidadoso nos vinhedos permitiram a elaboração de tintos mais firmes e complexos, tanto sem passagem por madeira quanto amadurecidos em barricas.

    LEIA TAMBÉM: Mencía: a Pinot Noir espanhola vem produzindo grandes vinhos

    Em Mallorca, a Callet é outra variedade de forte identidade local. Proveniente sobretudo de vinhas velhas e de rendimentos muito baixos, pode originar vinhos que combinam elegância, estrutura e intensidade.

    Assyrtiko e Savagnin completam a viagem

    LEIA TAMBÉM: A ilha grega de Santorini e sua uva típica, a Assyrtiko

    Na ilha grega de Santorini, a Assyrtiko encontra nos solos vulcânicos um de seus terroirs mais conhecidos. Seus vinhos combinam mineralidade, fruta e acidez elevada, formando um perfil de brancos secos e vibrantes.

    Na França, a Savagnin está diretamente associada ao Jura e ao tradicional Vin Jaune. Após longos períodos de maturação oxidativa, esses vinhos desenvolvem características particulares, com notas de frutas secas e maçã verde, acompanhadas por acidez marcante.

    LEIA TAMBÉM: O que é e como é feito o vinho amarelo do Jura

    Das montanhas italianas aos solos vulcânicos de Santorini, essas variedades mostram que grandes experiências no vinho não dependem apenas das castas mais famosas. Para quem deseja ampliar o repertório, uvas menos conhecidas podem revelar algumas das expressões mais particulares de seus terroirs.

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